Empreender para crescer

... O artigo abaixo não é de minha autoria, mas é de uma pessoa que mais que um mentor se revelou um GRANDE AMIGO e parceiro em uma causa muito importante que abracei que que juntos estamos tentando materializar. Valeu Tulio Severo Junior!* "Um dos grandes desafios deste fim de século em nosso país é encontrar respostas para a questão do desemprego. Nossa população economicamente ativa soma cerca de 72 milhões de brasileiros, mas o número de postos de trabalho está num nível inferior ao registrado há dois anos. Parte desse problema se deve às crises enfrentadas pelo país desde 1997. Outra parte, no entanto, é fruto de mudanças estruturais já processadas e em curso na economia não só no Brasil, como em outras partes do mundo. Para enfrentá-las, portanto, são necessárias medidas que visem o longo prazo. E especialistas de diferentes setores concordam que a educação é um dos caminhos mais importantes a serem seguidos na busca pela geração e distribuição de riquezas. É dentro desse contexto que a introdução da matéria empreendedorismo nos currículos universitários e escolares deve ser considerada. Antes de mais nada, é preciso deixar claro de que tipo de educação estamos falando. Afinal, quais devem ser os pré-requisitos do ensino de modo a preparar o cidadão do próximo milênio? Como as salas de aula poderão se transformar em mecanismo de ascensão social e num verdadeiro laboratório do desenvolvimento sustentável do nosso país? Evidentemente, a atenção com qualquer jovem que esteje estudando é um ponto básico. Afinal é uma minoria que consegue se manter estudando, e uma menor parte ainda que consegue ir para uma universidade. No lançamento do Plano Plurianual, rebatizado de Avança Brasil no governo FHC, o Governo anunciava a meta de, até o ano 2003, de colocar todas as crianças em idade escolar nas salas de aula. Isso infelizmente não ocorreu até agora, mas de qualquer forma abordar este tema como foi feito e priorizar o investimento nessa área foi fundamental, devendo ser a prioridade número 1 em qualquer sociedade que pretenda se desenvolver. Para se ter uma idéia da gravidade do problema, 16% da população brasileira é composta por analfabetos. A falta de escola ou mesmo uma escolaridade deficiente produz mão-de-obra desqualificada, afeta a produtividade das empresas, prejudica a qualidade dos produtos, mantém salários em patamares baixos, afasta investidores. Enfim, emperra o desenvolvimento. Mas se educação básica e fundamental já é difícil implementar, a pior notícia é que elas somente já não bastam. Estão formando jovens para procurar empregos num mundo sem empregos, e ainda falam que os jovens estão perdidos, mas quem está perdido é o nosso Conselho Nacional de Educação que ainda não atentou para as mudanças do mundo e nesse ponto instituir a adoção de aulas de empreendedorismo nas escolas e universidades Brasileiras. O objetivo da nova disciplina será, além de capacitar os estudantes a desenvolverem seu Plano de Negócios, ou seu Plano de Vida, sim de vida também porque a vida depende de planejamento de longo prazo e quanto antes for feito mais longe se chegará, e a conhecerem o mundo empresarial permitir aos jovens pensar em seus sonhos. Sim, porque nossas escolas não motivam ao sonho, nem ao auto conhecimento, a criatividade, ao prazer, a ideologia, a cidadania, a auto estima, o senso de oportunidade, a inovação nem a democracia. O sonho é o princípio da realidade. Nossas escolas são voltadas para a formação de competências e privam a liberdade de errar, de propor e fazer essenciais ao desenvolvimento de pessoas criativas. Empreender é para a vida como água é para a vida. Empreendedor sem ideologia é um desastre. O ensino do empreendedorismo no Brasil tem como missão salvar as próximas gerações de estudantes, dando-lhes oportunidade de reverter a estatística assombrosa da mortandade infantil de empresas Brasileiras, que é notoriamente alardeada pelo SEBRAE de que em cada 10 empresas novas que abrem 8 morrem antes de completarem cinco anos de vida. E também o principal motivo para isso, o total despreparo em planejamento dos nossos empresários. Ou seja o Brasileiro é considerado de alto coeficiente empreendedor mas com uma ineficiência abissal. A latinidade ajuda muito na arrancada, mas ao longo do trajeto nos faz confundir trepidação com velocidade. É importante ressaltar um outro aspecto. Além de preparar melhor o cidadão para os desafios do mercado de trabalho, a adoção da nova matéria na educação mostrará aos jovens que empreender não é só ganhar dinheiro, mas sobretudo interagir socialmente de forma ética e responsável. A disciplina, assim, contribuirá para a socialização dos estudantes, reforçando a noção do que significa fazer parte de uma coletividade e mostrando como é vital a cooperatividade sistêmica para o seu pleno desenvolvimento sustentável. O empreendedorismo, assim, tem uma grande contribuição a dar a nosso país. Essa contribuição ganha relevância ainda maior se pensarmos que, nesta virada de milênio, uma das características mais marcantes da economia mundial tem sido a prevalência crescente do setor terciário sobre o setor secundário. Ou seja, os negócios envolvendo serviços e comércio estão superando os ligados à indústria. Só no Brasil, o setor terciário já responde por 60% do PIB, enquanto o secundário fica com uma fatia de 30%. Sendo assim, é forçoso concluir que uma das saídas para o desemprego é e será a prestação de serviços. Mais uma razão para levar o empreendedorismo para os estudantes de todo Brasil. Num país onde para se usar cinto de segurança é preciso a instituição de uma lei federal, será que vamos precisar de baixar uma lei para que o Empreendedorismo possa ser implementado?" ...
* Tulio Severo Junior é empresário, sócio-diretor do Clube de Vantagens e Vice - presidente do Conselho Empresarial de Jovens da Associação Comercial do Rio de Janeiro. ...
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