Empreendedores e a motivação
Empreendedores e a motivação

Empreendedores e a motivação

O que fazer para motivar as pessoas a serem empreendedoras se toda nossa cultura tem como característica valorizar o empregado dependente e não o empreendedor, seja ele dentro de uma empresa - intra empreendedor - ou abrindo um novo negócio?

"Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado” (Roberto Shinyashiki)

"Empreendedores são aqueles que entendem que há uma pequena diferença entre obstáculos e oportunidades e são capazes de transformar ambos em vantagem" (Maquiavel)

Nestes anos de consultoria tenho percebido que uma das grandes dificuldades da gestão do empresário é de como motivar os seus colaboradores. Em primeiro lugar, e talvez o mais importante, é que ele não sabe o que é motivar ou como demonstrar que ele está motivado.

Muitos confundem motivação com alegria: “fulano está motivado porque está sempre alegre, chega na segunda contando como foi maravilhoso o seu fim de semana ou de como será sua viagem de férias!”; "cicrano é um motivador, ele sempre está organizando o happy hour e motivando todo mundo!”.

O problema está no momento de realizar ou delegar um trabalho. Nesse momento a motivação some e muitos passam a reclamar que o trabalho é difícil ou que o cliente é chato. O pior é que muitos gestores fazem isso e delegam o trabalho como se ele fosse o pior trabalho do mundo e parecem que estão pedindo desculpas por passarem essa tarefa, ou como se o cliente fosse o mais chato da empresa.

Qual será então a motivação do colaborador de realizar um bom trabalho?

Também, se algum colaborador entrega o trabalho para o superior e este dá pouca importância, deixando de lado e dizendo que vai olhar quando tiver um tempo, tudo isso levará a uma desmotivação clara de todos e não haverá palestra sobre motivação que resolva.

Da mesma maneira, para ser um empreendedor há a necessidade de haver uma grande motivação, pois as dificuldades em nosso país são enormes.

Ser empreendedor não significa necessariamente abrir uma empresa nova. As pessoas podem ser empreendedoras nos seus trabalhos. São os chamados intra-empreendedores ou empreendedores internos.

Porém, a motivação tem que começar em casa. A criança tem que perceber o prazer nos pais com relação ao trabalho, sendo eles empreendedores ou empregados.

Se ela ouve diariamente: “que trabalhar é muito ruim”; “como é bom quando chega a sexta!”; “que os clientes são chatos”; “que o governo não ajuda”; “que se ganhar na loteria eu paro imediatamente de trabalhar e vou viver de renda”; “que o melhor é eu prestar um concurso público é me encostar em alguma repartição esperando a minha aposentadoria”.

Como essa criança vai crescer pensando em ter seu próprio negócio? Como ela vai se motivar a buscar algo para fazer por conta própria ou se juntar com outros amigos para construir uma empresa?

Na própria grade escolar a criança recebe pouquíssimas orientações de como é bom ser empreendedor, trabalhando por conta própria para conquistar os seus sonhos ou ajudar uma organização a crescer por sua colaboração efetiva com projetos e inovações. Pelo contrário, muitas vezes as grandes corporações são apontadas como exploradoras dos trabalhadores que devem recorrer ao estado para que lhes dê benefícios.

Mesmo na faculdade, há poucos cursos superiores com matérias sobre gestão, a não ser aqueles que são específicos na área. Essas questões deveriam fazer parte da grade de qualquer curso superior, para dar ao jovem a opção de empreender. Para que ele saiba quais são os caminhos e as dificuldades que ele terá caso resolva abrir seu negócio; onde buscar informações; qual a necessidade de utilizar outros profissionais de maneira correta; quando ele irá precisar de contadores, advogados, administradores e engenheiros, por exemplo; como buscar financiamento; como calcular custos, preços de venda e despesas, entre outras tantas questões.

Mesmo quando todos os obstáculos foram sanados e esse jovem começa a empreender, abrindo seu próprio negócio, ele percebe a sua falta de preparação. Por isso as empresas têm enormes dificuldades de se manterem abertas, o que fica evidenciado na quantidade de pequenas e microempresas que abrem e fecham em nosso país.

Passados os primeiros anos e superando os obstáculos do ínicio, esse empreendedor quer que outros jovens oriundos da faculdade também tenham o seu espírito de empreendedor e o ajudem a fazer o seu negócio crescer. Então, ele se decepciona com a falta de atitude de seus colegas em se sacrificar, esquecendo que eles não foram treinados para lutarem pela empresa, mas sim em buscar um emprego que lhes dê tranquilidade.

Por isso, ele próprio precisa criar o espírito de empreendedor nos seus pares, dando oportunidade de ganhos variáveis e de avaliações com bonificações, que vão direcionando o jovem para o caminho que a empresa quer seguir, além de criar treinamentos internos para que o jovem entenda o que a empresa quer. São os empreendedores internos - aqueles que vão ajudar uma organização a crescer porque acreditam nela - tão importantes para a sociedade como os que abrem o próprio negócio.

No nosso país não há incentivo ao empreendedorismo, tanto interno bem como o externo, pois não há preparação para isso. Pelo contrário, há um grande incentivo para que o jovem busque um emprego com “bons benefícios”; preste concursos; busque tranquilidade pela normalidade; enfim, dependa do Estado ou do empresário.

Perceber quando uma oportunidade pode ser bem mais que um mero obstáculo, mas sim um desafio com recompensas, são os aspectos que diferenciam o empreendedor do resto da população e cabe a todos nós, empreendedores ou não, motivar a criança e o jovem a importância de acreditar em sí e de contruir algo com o seu esforço, dentro de uma nova organização ou numa empresa de terceiro.

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