Empreendedores da cabeça prateada

<b>Está na hora de estimular o empreendedorismo num grande número de pessoas que ganhou uns quinze a vinte anos a mais de vida.</b>



A sociedade atual demora a entender as mudanças que já estão em curso devido ao envelhecimento da população. As instituições criadas para tomar conta de cada etapa da vida (família, escola, empresa, Estado e aposentadoria) continuam ambientadas numa época em que dificilmente as pessoas chegavam física e mentalmente inteiras aos sessenta anos. Hoje muitas passam dos 80 anos em boas condições. Estamos desperdiçando vários anos de vida útil e construtiva. Será preciso modificar ou adaptar rapidamente as instituições existentes, ou até mesmo, criar uma nova para tomar conta dos 15 ou 20 anos a mais de vida ativa, em todos os sentidos, que o homem moderno já está desfrutando.


Planejei um treinamento sobre empreendedorismo para uma grande empresa que havia instituído um plano de desligamento voluntário. Eles estavam preocupados com o futuro financeiro de quarenta cabeças prateadas. Segundo o departamento de recursos humanos: eles estavam pensando em fazer algumas bobagens ou aventuras malucas no mundo dos negócios. Dois anos depois do treinamento continuo recebendo relatórios da empresa e acompanhando o caminho empresarial de dezesseis deles que resolveram fazer um plano de negócio e empreender. Apenas um não foi bem sucedido: acabou vendendo, com prejuízos, um negócio de copiadora que havia instalado num bairro de São Paulo.

Num futuro pouco distante, a população de cabeças prateadas será a maioria em muitos países, inclusive no Brasil. Não se pode desperdiçar o tempo de vida extra conquistado pelas pessoas, afinal o tempo é o recurso mais escasso e valioso disponível na sociedade planetária. Despertar atitudes empreendedoras e de planejamento é a melhor saída para aproveitar melhor e prolongar a vida produtiva. Abraham Kasinski, um empreendedor vitorioso, mostrou recentemente que não existe idade para empreender e, deu o exemplo, começando uma fábrica de motocicletas aos 82 anos de idade. A maioria das pessoas com mais de cinqüenta anos não têm a mesma disposição física e o mesmo arrojo de um jovem de trinta para iniciar negócios. Todavia, isso é mais que compensado pela experiência, pelo acervo de informações, pela rede de contatos e pela confiança nas decisões tomadas.



O empreendedorismo geralmente é associado apenas à abertura de novos negócios. Mas é muito mais que isso, é um movimento educacional que visa criar um novo estilo de vida nas pessoas. As cabeças prateadas contagiadas pelo comportamento empreendedor verão oportunidades para continuarem produtivas por toda parte: montando novos negócios, criando organizações do terceiro setor, escrevendo livros, pintando quadros ou paredes, plantando hortas e jardins, ensinando, tutorando jovens, etc...



A própria modificação demográfica traz inúmeras oportunidades de negócios ao criar um fulgurante mercado de produtos e serviços destinados aos cabeças de prata. É preciso ensinar empreendedorismo, desenvolver atitudes empreendedoras e de planejamento, para toda uma geração que nunca foi estimulada a empreender nos negócios e nem em qualquer outro setor da vida. As escolas da sua época preocupavam-se apenas com a formação de bons e fiéis empregados para as fábricas e escritórios.

Eder Luiz Bolson empresário, autor do livro Tchau patrão! - Editora SENAC - www.tchaupatrao.com.br


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