Empreendedor digital com sotaque caipira

Existem oportunidades de Negócios fora do eixo Rio - SP

Se quer ganhar dinheiro, venha para o eixo Rio – São Paulo, correto? Não necessariamente!

Desde 2000, quando ainda estava cursando faculdade de Ciência da Computação na cidade de Marília, observava que muitos colegas universitários na conclusão do curso focavam o mercado de trabalho de São Paulo, afinal lá estavam as grandes empresas e consequentemente as oportunidades.

No meu caso ainda era um pouco mais dramático, nunca fui o primeiro aluno da sala, minhas notas realmente não eram das melhores. Tive a sorte de ter bons professores, como a prof. Mariê de estatística. Inclusive peguei depê e hoje só tenho a agradecer, se naquela época não sabia onde encaixaria a matéria, hoje muito do que faço na parte estratégica das empresas que atuo depende muito de estatística.

Também me recordo do professor nada convencional Fábio Meira, que com uma grande paciência me ensinou a base de programação, digo base, pois vim a perceber que não era minha praia e, mesmo assim, posso dizer que pela metodologia dele, me ajudou muito no começo de minha primeira empresa em 2001. Foi nesta época, em meu primeiro desafio como empreendedor que eu entendi que não deveria ir para onde a maioria estava indo. Eu queria ficar no Interior de SP, fazer a diferença, criar oportunidades em minha região.

Quase 15 anos após meu primeiro negócio, atualmente tenho algumas empresas, todas no interior de SP, inclusive uma delas está completando nove anos, tenho certeza que a decisão de ficar na região não foi errada. De Santa Cruz do Rio Pardo, Bauru, Jundiaí, Ribeirão Preto, Ourinhos, prestamos serviços para mais de 3.500 clientes em 27 ​estados do Brasil, América Central e América do Norte.

O interessante é trazer dinheiro de fora, de outras regiões, para as cidades que você atua. Desta forma, acaba trazendo dinheiro novo que será gasto em empresas locais, gera emprego e o fato de não estar nos grandes centros como Eixo Rio – São Paulo, embora tenhamos centenas de clientes por lá, não somos reféns deste mercado, deixando-nos menos vulneráveis.

Claro que, principalmente no início, não foi fácil, porque quando começamos foi literalmente em um porão, com duas pessoas. De cara sentimos os obstáculos e foi necessário quebrar paradigmas. Quando começamos a procurar parceiros para terceirizar serviços para nossa empresa em grandes centros, eles torceram o nariz por estarmos tão longe… Foi quando descobrimos que por meio do VOIP (voz sobre IP), poderíamos contratar planos com números para receber ligações, neste caso, escolhemos os DDDs 11, 21 e 31.

Tendo números de telefone local, tanto clientes quanto parceiros, nos ligavam e nem perguntavam onde estávamos localizados, desta forma, dentre muitas outras, entender que obstáculos e paradigmas devem ser quebrados, fomos criando dezenas de ações para acessar novos mercados, inclusive fora do Brasil.

Em uma matéria li que no Estado da Florida – USA tinha aproximadamente 250 mil brasileiros. Pensei comigo: será que meu serviço que aqui eu cobrava R$ X, ​lá eu poderia cobrar U$$ X? Arriscamos e hoje temos 15 clientes naquele estado.

De 2011 a 2013, preparando a passagem de bastão para assumir novos negócios, focamos em um novo desafio, uma mulher assumir a empresa, digo desafio, pois o sexo feminino no setor digital ainda não é tão comum. Embora ela estivesse na empresa há seis anos, passando por todos os departamentos, Joyce Bianchi, fisioterapeuta de formação, aceitou o desafio, levando a empresa para novos patamares.

E antes que alguém diga “mas vocês tiveram sorte, são um caso a parte”, gostaria de citar abaixo alguns cases de sucesso que, por meio da ABRADi-ISP da qual fui vice-presidente na gestão 2011-2013 e atual presidente na gestão 2013-2015, tive oportunidade de conhecer dezenas de empreendedores que estão fazendo a diferença, dentre eles Marcelo Salomão, cuja empresa, localizada em Birigui, tem franquias e negócios por todo o Brasil e dezenas de países; Vinícius Mello, de Ribeirão Preto, que percebeu dezenas de oportunidades em SP e ABC, porém atua no interior; Eder Fonseca, de Assis, jovem empreendedor que já está se destacando com iniciativas regionais e tem crescido muito; Rodrigo Telles, de Ourinhos, na área de telecomunicação, que vem desenvolvendo aplicações para maximizar este mercado visto por muitos como convencional e José Rubens, cuja sede da empresa fica em Indaiatuba, com mais de 100 franqueados pelo Brasil e em breve estará se internacionalizando. Poderia citar aqui dezenas de outros casos.

Além do desenvolvimento regional que os empreendedores acima estão promovendo, tem também a qualidade de vida de todos os colaboradores. Sem contar que os custos operacionais e estruturais no interior são muito menor que na capital. Gostaria de deixar claro que não sou contra estabelecer empresa nos grandes centros e sim que existem alternativas e muita​s oportunidade​s​ no interior do Brasil, não somente no estado de São Paulo. O que não dá para negar é que o “sotaque caipira” conseguiu ir muito além de vender matéria prima: está vendendo produtos e serviços com alto valor agregado.

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