Efeito Placebo X Efeito Nocebo

Não é muito raro escutarmos certos termos de domínio médico, que nós leigos temos dificuldades em entender do que exatamente se trata. Essa é uma das reclamações daqueles que compram um remédio receitado pelo seu médico, abrem a caixinha, tiram a bula e ela que estava escrita em português, quando bem dobradinha ao ser desdobrada surgem com o texto em “grego! E isso ocorre também no campo jurídico, sendo que a Ministra Ellen Grace, quando assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou uma campanha para adoção de uma linguagem mais compreensível, que no Judiciário essa linguagem é denominada juridiquês, que usa palavras que parecem ser outra língua

Isso me faz lembrar um caso estranho para não dizer engraçado, apesar de com a Justiça não se brinca, aconteceu em Santa Catarina sendo que uma ordem do juiz não foi cumprida em função da incompreensão do texto. A frase:

" Encaminhe o acusado ao ergástulo público ". Demorou dois dias para encarcerar o criminoso. A ordem não tinha sido cumprida porque ninguém sabia que" ergástulo " é sinônimo de cadeia

Antes de entrar no mérito do título desse artigo que aliás pode ser até uma novidade para alguns o segundo termo, vou comentar trecho do meu novo livro, em fase de publicação: “Resiliência, nossa Chave para o Sucesso”.

É de conhecimento geral que, por algum motivo ou falta dele, nós não usamos toda a nossa força interior (nossa Resiliência), e nem toda a nossa real capacidade.

Isso acontece porque procuramos desvencilhar dos desafios mais complexos que exigem esforços mais extenuantes e ficamos com aqueles mais simples que não exigem nada além de um esforço "normal".

Em parte, até pela lei do mínimo esforço. Mas existem outras razões;

1) Falta de capacidade.

2) Nunca ter enfrentando algo que exigisse um grande compromisso.

3) Medo de fracassar.

4) Não sentir atração por algo muito complexo, que exija sair da zona de conforto.

5) Achar que não vale pena em função do não reconhecimento da chefia, etc.

6) Não acreditar em si mesmo.

Aqui está o cerne desse artigo.

Se tem alguém que deve acreditar em nós, somos nós mesmos. E as vezes o sucesso de outros está no crédito que alguém lhe dá.

Tudo pode ser uma questão de crédito e de expectativa.

Em 1960, a Universidade de Harvard, fez um estudo com um grupos de crianças escolhidas pelo seu grande potencial de inteligência, num trabalho de escolha feito junto com os professores de uma escola onde essas crianças estudavam.

A partir de então, os professores tinham em mente quais eram essas promissórias crianças. Essas crianças tiveram melhor desempenho anual, não só na sala de aula, mas também em testes de QI padronizados.

Mas na realidade, os cientistas da Harvard, esconderam o fato dos professores de que as escolha dessas crianças fora aleatória.

Mas tal estudo com a participação dos professores, fora feito “cientificamente”, com todo o ritual e parafernálias com a aplicação de gráficos, estatística, relatórios, reuniões, etc.

Essas crianças “prodígios” sobressaíram porque os professores acreditaram nelas e se esforçaram para tirar delas o máximo. Ou seja, quando cremos em alguém, vamos trata-las melhor do que as outras pessoas do que outras que achamos que vai falhar.

Consequentemente nós damos a elas mais oportunidades atingir o sucesso do que daríamos para aqueles que achamos que vai falhar. Acho que isso seria bem interessante para um líder levar em consideração.

Conclusão; o mesmo vai acontecer se você acreditar em você; pois se você acha que vai falhar, você tem uma grande chance de criar o próprio resultado.

Pode até acontecer de falhar algumas vezes, mas você tem que saber aprender com os seus erros (e especialmente com os erros dos outros), perseguir seu objetivo com tenacidade e irá ter sucesso. Caso contrário, você vai limitar as chances de que isso aconteça.

Num artigo do Dr. Travis, intitulado “Unrealistic Expectations That Do You Harm” (Expectativas Irrealistas Podem Fazer Mal a Você), o Dr. Travis Bradberry, coauthor do Bestseller “Emotional Intelligence 2.0” e Presidente da TalentSmart, comenta que as suas expectativas, mais do que qualquer outra coisa na sua vida, vai determinar a sua realidade.

Quando se tratar de alcançar seus objetivos, se você acreditar que vai ter sucesso, terá. Se acreditar que não ter você também estará certo. Aliás Henry Ford expressa a mesma ideia numa sua frase.

O Dr. Travis explica que uma pesquisa feita pela LSU- Louisiana State University mostra que as pessoas que acreditam em si mesmas, utilizam mais eficientemente suas funções metacognitivas, do que aqueles que não o fazem. Isso significa que essas pessoas usam melhor o seu cérebro com mais inteligência para resolver os seus problemas. Pois você abordará os problemas de muitos ângulos diferentes e fará as devidas adaptações na sua abordagem, conforme cada caso.

Metacognição

Etimologicamente, significa para além da cognição.

É um conceito que envolve psicologia e ciências cognitivas.

Cognição. Do latim cognitio: conhecimento

É o ato ou processo da aquisição do conhecimento que se dá através da percepção, da atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. A palavra Cognitione tem origem nos escritos de Platão e Aristóteles. (Wikipédia)

Feita essa introdução vamos comentar os efeitos:

EFEITO PLACEBO X EFEITO NOCEBO

A palavra Nocebo foi introduzida por Walter Kennedy em 1961. Com ela, ele objetivou fazer uma contrapartida com a conhecida palavra Placebo.

Do Latim placebo, “Agradarei”. Placebo tem na medicina o sentido dado a uma substância que venha gerar num paciente um efeito que lhe fará bem, tudo como resultado das crenças e expectativas dessa pessoa. E isso ocorre apesar de o placebo não conter quaisquer ingredientes ativos que poderiam explicar esses efeitos. A isso dá-se o nome de Efeito Placebo.

Já no Efeito Nocebo ( do Latim “Fazer mal”) ter-se-á uma reação contrária experimentada por um paciente que recebe tal terapia. Assim, ambos os efeitos nocebo e placebo são presumivelmente psicogênicos, isto é, com efeitos psicológicos ou fisiológicos.

Assim, quando o médico tem uma crença que o paciente tem baixas expectativas de sucesso no tratamento, mesmo com os procedimentos já bem estabelecidos e clinicamente confirmados, tende a ter piores resultados do que naqueles pacientes que ele esperar ter sucesso. Chama isso de Efeito Nocebo.

Ou seja, se o tratamento for realizado com credibilidade de resultado negativo, a probabilidade de um resultado negativo aumenta.

Agora trazendo para o nosso lado comportamental, se tivermos fortes expectativas de moldar para melhor a nossa realidade, esse tipo de pensamento, conseguiremos mudar emocionalmente e fisicamente.

Finalizando, quando alguém acredita que alguém vai ter sucesso, isso influi no resultado esperado dessa pessoa. E quando nós acreditamos em nós mesmos, da mesma forma teremos o nosso sucesso esperado. Simples assim, mais ainda não aplicado por desconhecimento, especialmente pessoas mais pessimistas.

Pense nisso!!!

Se você for um líder, pense e repense seriamente nisso!

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