Educação viajante: será que o brasileiro sabe se comportar?

Certa vez presenciei uma cena esdrúxula em Paris:um grupo de brasileiros invade o restaurante falando alto, chamando o garçom de garçom e chamando a atenção de todos que ali estavam.

"Pense e responda: Você andaria seminu em um país árabe? Daria um amasso na sua namorada dentro do Vaticano? Cumprimentaria um japonês com dois beijinhos? Espero que não!".

Desta forma divertida e questionadora minha amiga blogueira Adriana Setti começa seu artigo "Gentileza gera gentileza". Identifiquei-me com ele, pois ela aborda um aspecto que tem me incomodado quando viajo para outros países: o comportamento de alguns brasileiros no exterior.

Diversos amigos espalhados pelo mundo normalmente comentam que conheceram brasileiros "exóticos, engraçados, bem humorados" e outros adjetivos politicamente corretos que demonstram seu espanto e o quanto estranham a forma peculiar e muitas vezes pouco educada com que alguns conterrâneos agem em suas viagens de férias a outros países.

Dizem que o parisiense é mal educado. Nunca vivenciei este suposto clichê. Estive diversas vezes na Cidade Luz e sempre fui muito bem tratado por onde passei. Fiz até uma "quase amigo" - o Pierre, atendente de um típico Café parisiense que gostamos de frequentar. Já se aproximando dos 60 anos, é extremamente educado, polido e formal, como são a grande maioria dos franceses.

Mas sua polidez não é mal humorada, é só discreta. Sempre que vamos embora, após o tradicional "merci", ele se esforça e nos devolve um "obrigado" carregado de sotaque e doçura.

Certa vez presenciei neste Café uma cena no mínimo esdrúxula. Estávamos apreciando uma "bièrre" num fim de tarde quente quando surgiu um grupo de conterrâneos com inúmeras sacolas, crianças agitadas, falando alto, chamando o garçom de garçom (?!) e fazendo seu pedido em português, tudo sob o olhar assustado do Pierre que, com os olhos, me pediu socorro.

Intermediei a conversa e tudo correu bem. Pierre sorriu e atendeu ao grupo de forma simpática. Assim que se foram (era só um pit stop antes de continuarem com a fúria comprista) ele se aproximou de nossa mesa e disse: "Fique tranquilo Jorge. Os chineses até cospem no chão."

Amo o Brasil e amo ser brasileiro. Nossa espontaneidade e alegria de viver são características apreciadas em todo o mundo. Mas geralmente nos falta uma visão mais ampliada dos diferentes hábitos culturais e o entendimento de que poucos são como nós. É preciso entender que, em visita a outros países, nós é que devemos nos adaptar aos costumes locais e não eles a nós.

Alegria pode combinar com educação e bom humor com respeito. Agindo de maneira civilizada, o brasileiro será bem recebido em qualquer lugar do mundo, espalhando no planeta, de forma suave, a felicidade de viver que tanto nos caracteriza. Garanto que funciona.

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