Educação proibida

Resumo descritivo sobre um documentário Argentino que retrata o modelo educacional atual e uma proposta de ruptura

Em seu livro “O Futuro da Humanidade”, Augusto Cury já fazia uma discordância com o modelo de educação. Segundo ele, o modelo atual não faz os alunos “pensarem”. Li o livro há algum tempo e concordei instantaneamente com a ideia ou opinião que o autor abordou, principalmente em relação ao ensino de jovens e adultos no segundo grau e, principalmente, na universidade. Nesse período o conhecimento é repassado de um pedestal e os alunos são comparados a “esponjas” e, alguns, professores ensinando “por osmose”, apenas repassando conteúdo avaliando e classificando os alunos.

Por começar a assistir ao documentário veio em primeiro plano a opinião formada pelo aspecto expositivo do romance de Augusto Cury, onde as opiniões se combinam. Entretanto, nunca havia me reportado o tal conceito a educação básica ou formadora das crianças. As alterações de opiniões foram uma constante durante o documentário, ora concordando e em outros momentos rompia com o exposto, contudo uma pergunta perdurou todo o momento: o que é educar?

Intrigou-me um conceito abordado na correlação da parábola da Caverna com a sala de aula onde ambas não ajudam a pensar apenas mostram os fatos ou ensinamentos de forma de uma única perspectiva. Quando as crianças saírem das salas de aula ou as pessoas da Caverna e enfrentar o mundo do lado de fora, haverá dois sentimentos que se aflorará imediatamente: o medo do desconhecido e a curiosidade de começar a aprender utilizando as suas percepções. Será que nossas crianças estão realmente saindo das escolas “só enxergando sombras”?

Então, qual é o motivo da rotulagem do que o documentário se propõe a apresentar. Por que proibida? O que está errado com o modelo atual?

Ao vivermos em sociedade somos conduzidos a desfrutar de interação com todos e com o meio que vivemos. A partir do momento que houve a expansão da população, do capital e da necessidade de dominação, a melhor maneira de se controlar o caos seria, de certa forma, “padronizar” e condicionar a educação sobre a ótica de um modelo capaz de entregar súditos com conhecimento, atitudes, pensamento e valores padrões. Neste contexto ainda é valido ressaltar que para que isso funcione, este modelo, tem que se adaptar as novas realidades ou necessidades e não em mudar sua essência fabril. Assim sendo, ser diferente é ser proibido e isso inclui em atitudes, conceitos e pensamentos.

Por outro lado, antes de sermos indivíduos sociáveis, os seres humanos são pessoas diferentes uma das outras, ou melhor, são “individualmente semelhantes”. Apesar de respirarmos, ter necessidades fisiológicas semelhantes, crescer, morrer somos diferentes em nossas inteligências e emoções. Temos pensamentos, convicções, medos, aspirações, habilidades e reações distintas. Neste caso, por que se procura a padronização e não a diversidade e a liberdade do conhecimento?

Pela facilidade do padrão o sistema ou modelo “Prussiano” de educação se espalhou rapidamente pela Europa e ainda mais rápido e fortemente utilizado no período colonial. Hoje percebe-se que também se espalhou pelo mundo o desejo e o sentimento da necessidade de mudança do modelo de ensino. No documentário vemos depoimentos de educares espalhados em vários países.

No contexto da padronização indivíduos padronizados são mais pacíficos. Criados sob um regime de dogmação e submissão com o objetivo de criar pensamentos não divergentes daqueles que os educa. Entretanto, este regime também tem outras características, e assim por ser excludente gera competição entre os educandos, pois seu critério avaliativo é classificatório e gabaritado conduzindo-os para se manter na média de aprovação e nunca incentivando a excelência do ensino ultrapassando os limites do que é exposto em sala de aula. Neste ponto temos: indivíduos medíocres e competitivos. Este é um perfil que gera guerra.

O aprendizado é composto, basicamente, por uma Trindade: aluno, professor e família (aqui também se inclui a sociedade e o ambiente) a não ser os alunos, os demais foram criados sob o mesmo padrão de ensino. Primeiramente será preciso que seja formada uma base diferente para a ruptura do modelo atual em busca do aprendizado proibido. Partindo deste principio há a necessidade de mudarmos a forma que o professor é formado para que este possa formar diferente. Hoje o professor, por culpa do sistema, é um repassador de conhecimento e não um fomentador da criatividade e do pensamento investigativo, em contra ponto, a família também fora formada pelos mesmos professores que formaram os professores que estão formando os alunos de hoje, então o que precisamos é de uma evolução e uma ruptura na formação de uma geração inteira. Desta forma serão formados novos pais, novos professores e uma renovação dos novos alunos que iniciaram as mudanças.

A motivação é o combustível para o aprendizado eficiente. A educação tem que ser apresentada ou trabalhada de forma a utilizar o descobrimento como força motriz para gerar a motivação do saber. Aprende-se muito mais rápido e de forma mais fácil com exemplo e fazendo. Os alunos têm muito mais dificuldades para aprender aquilo que eles não fazem e que não tem um sentido lógico para a eles. Nossos professores deveriam propor assuntos e não os impor. Assumindo um papel mais de um orientador do conhecimento do que um repassador de um currículo padronizado. Estimulando os alunos a pensarem e a serem questionadores.

Nossos alunos precisam conhecer e saber sentir. As emoções afloram as artes e, esta por sua vez, contribui para a diversidade de ponto de vista e da abertura para o pensamento divergente. Um ponto alto no documentário foi quando um educar se emocionou ao relatar que é preciso ensinar as crianças a amar. Pois só o amor pode transformar as pessoas a serem mais abertas e assim partir para as mudanças necessárias de um aprendizado que possa contemplar toda a diversidade e individualidade do ser humano.

Sem ter uma resposta única e válida para responder aos questionamentos que foram feitos logo no inicio, só podemos concluir que não há um modo correto de ensinar ou educar nossas crianças, assim sendo, o melhor modelo de aprendizagem é “estimular nossas crianças a continuarem aprendendo com amor no coração”.

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