Educação, Inclusão e Internet

Incluir a população brasileira no mundo digital tem sido um grande desafio para as políticas públicas no campo da educação e da ciência e tecnologia. A economia global vem requerendo dos trabalhadores crescentes conhecimentos acerca das novas tecnologias e da cultura digital. O ingresso nesse ambiente de novos códigos é fundamental para o intercâmbio com os mercados e os blocos desenvolvidos do planeta. Dados do recente levantamento da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), órgão ligado a ONU, revelam que o Brasil foi, no período de 2001 e 2002, um dos países que mostrou maior ampliação no quantitativo de usuários de Internet. De 2001 para o ano de 2002 a quantidade de internautas brasileiros aumentou 78,75%, indo de oito milhões para um total de 14,3 milhões. De acordo com o relatório, o Brasil é o 11º país do mundo em quantidade de usuários e o número um na América Latina. Não obstante a essa destacada colocação, no que se refere aos números absolutos, o Brasil é somente o 65º no ranking dos acessos aos computadores, conforme levantamento da ONU. Pela pesquisa, que toma como referência cinco quesitos básicos (nível de instrução, infra-estrutura, preço, número de usuários e qualidade), o acesso aos computadores no Brasil é inferior ao da Jamaica (57ª) e Uruguai (51º). A verdade é que somente 8,2% da população brasileira têm acesso às tecnologias de informação. No Brasil, pelo estudo da ONU, as mensalidades cobradas por provedores de Internet são ainda elevadas e consomem aproximadamente 11,8% do rendimento médio do trabalhador brasileiro. Um computador básico custa ao cidadão brasileiro mais de cinco salários mínimos. As políticas para inclusão digital no Brasil ainda estão longe de atingir o conjunto dos trabalhadores. O censo escolar do MEC mostrou que na Região Norte do país, mais de 15% dos estudantes freqüentam escolas sem energia elétrica. No Nordeste esse percentual está em quase 10%. Isso resulta num percentual de apenas 4,8% das escolas da região Norte brasileira com acesso à internet. Sem o implemento de (pelo menos) eletricidade em todas as escolas, a inclusão digital se torna uma quimera. Os números da ONU e do MEC mostram que existe uma enorme distância tecnológica entre um pequeno segmento da população brasileira e a grande maioria, espalhada por todo o país. Na ausência de resolução rápida dos fatores básicos para tecnologia, o acesso à Internet continuará restrito a uma pequena elite digital no Brasil.
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