Educação é comunhão

A Educação é referência de autenticidade, moral e respeito com o ser humano. Não se barganha pelo direito de ser explanada como ensino. O ensino é a comunhão fiel da Educação. Esse princípio deve ser respeitado pelas universidades e instituições de ensino. Mas nem sempre essa é a realidade

Eu pensava na Universidade como uma extensão do saber. Mas, hoje na minha visão é na realidade o ponto final do saber. Não existe mais respeito com a Educação, existem ideologias cristalizadas que não são exatamente no bem comum de uma sociedade. O que deveria ser uma alavanca para crescimento moral, intelectual, ético de uma construção do saber se tornou barganha mercantilista.

É complicado dizer docente e discente, já que a única prioridade das universidades hoje é reduzir o máximo de custos. Considerando que as salas de aula atualmente não pertencem ao docente, e sim ao discente. Alguns docentes apenas entram numa sala de aula para bater ponto, indicar material bibliográfico e explanar as aulas mais através de artigos. Mas, não na essência literária que requer um processo de ensino voltado para a Educação.

As aulas se resumem em analise de artigos, números expressos de resenhas criticas, sínteses constantes e mapas conceituais. Surge assim uma nova didática. A didática de hoje adotada pela maior parte das universidades e instituições de ensino consiste na inversão, ou seja, de forma grossa, o docente finge que ensina e os discentes ministram a aula.

Isso seria ótimo. Se se desconsiderar que os discentes possuem uma vida social e profissional fora da sala de aula e que precisam também do labor para manter partes das instituições que visam apenas o lucro. Mas, ocorre o contrario. O discente acaba fazendo além do próprio papel, atividades do docente e ainda deve driblar o trabalho para atender a demanda do docente incentivado pelo sistema a transmitir um papel que até então não pertence a ele.

O ensino deve ser uma comunhão de saberes entre docente e discente. Mas, a realidade está bem distante disso. Somente por amor se faz a comunhão. No entanto, o mercantilismo e o salario garantido proporcionam uma imersão de fatores sanguessugas em que o docente na “falsa modéstia” diz que já sabe o suficiente para ele. E que ganha para estar na sala de aula. Então, o resto fica para que os discentes corram atrás. Fato! Fica o questionamento, se ele já sabe, por que está em uma sala de aula? Quando na realidade a sala de aula não é para transmitir saber e sim para a comunhão do saber.

Não é fácil tomar uma decisão, pois ela sempre acarretará em fatores angustiantes. Contudo, precisa-se decidir quando surge a percepção de que o sistema está sobressaindo-se como mais importante do que o benefício ao social.

Às instituições, paga-se caro pelas mensalidades. E o que se recebe em troca são salas sem estruturas didáticas e bibliografias desatualizadas. Além de várias instituições de ensino que disponibilizam e permitem o uso de materiais fotocopiados, o que ainda deve ser uma responsabilidade do aluno que tem que providenciar o material, caso queira acompanhar as aulas. Tem ainda o risco perante a lei de reprodução ilegal da obra, e de adquirir um material para chegar à sala de aula e ele simplesmente não ser utilizado. Os docentes utilizam em demasia, como já supracitado, mais artigos como ferramenta de trabalho do que exigência do uso das obras bibliográficas. Não desmereço a produção de artigos, pois sei e considero a importância deles. Mas, não posso deixar de relatar que não se faz um curso com excelência apenas utilizando este tipo de produção como referência, deixando de dar foco noS demais materiais didáticos para fins da comunhão no processo de ensino. Na realidade, paga-se caro para ter materiais paradidáticos em sala de aula.

É triste ver o ensino no caminho que está. Mais ainda é perceber as organizações quando brincam com os sonhos das pessoas. Refiro-me a isso quando a intenção é apenas de lucrar, e que não são poucos os exemplos de instituições privadas cujo foco da estratégia de negócio é voltada para o lucro.

E qual é a defesa que existe para uma Educação que garanta o ensino de qualidade? No Brasil temos o Ministério da Educação. Mas, é justamente ai que pega. O que a Educação teria como defesa para assegurar a própria autonomia atemporal foi comprada pelo poder monetário. O MEC se atem às particularidades de interesses organizacionais e não sociais, como deveria. É incrível vermos nas instituições de ensino tanta defasagem, que num processo avaliativo mereceriam nota zero. Porém, quando o MEC faz as avaliações os resultados sempre na maior parte das vezes, são os mesmos, notas boas. Creio que o que falta para o MEC é uma boa esponja de aço para limpar os métodos de avaliação e efetiva-los com mais clareza. E depois com a mesma esponja raspar o verniz que as instituições de ensino utilizam para burlar as diretrizes regentes. Mas, acho que o negocio é mais em baixo. Esponja de aço ia ser pouco ainda. Bem provável que nas mãos do sistema essa mesma esponja possa ficar macia e dar mais lustre a essa questão.

Fato é que a sociedade precisa ter os sonhos dela respeitados, para isso devemos lembrar que as instituições existem porque nós a fazemos. É como o direito de voto. Eu voto, então tenho como cobrar. Se pago, então devo fiscalizar. Fiscalize você também. Exija melhor qualidade de ensino, material didático e salas de aulas apropriadas. Só o valor em reais que cada discente paga pelo curso que faz, é fator mais que suficiente para assegurar o direito a um material didático autêntico, com qualidade e sem precisar ficar recorrendo a serviços secundários.

Quero pedir aos docentes e as instituições que façam por amor o nobre oficio de ensinar. Criem comunhão e não territórios. O território um dia, pode ficar encoberto por matos. A comunhão por méritos.

Fraterno abraço!

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