Economia mais eficiente desperdiça menos recursos

O uso eficiente dos recursos reduz os custos de todas as atividades econômicas.

Foi apenas a partir da maior abertura da economia brasileira para produtos estrangeiros, no final dos anos 1980, que as empresas nacionais começaram a sentir a pressão da competição. Antes disso o mercado interno era bastante fechado para produtos importados, que só chegavam ao consumidor incorporando altos impostos de importação, além de taxas portuárias, despesas aduaneiras e outros custos. A situação era mais ou menos a seguinte: empresas (nacionais e multinacionais) estabelecidas no Brasil fabricavam produtos com pouca inovação tecnológica, baixa qualidade a custos relativamente baixos. Por parte da maioria das empresas, os investimentos em pesquisa (P&D), capacitação de mão de obra eram muito baixos. Além disso, com a ausência de uma efetiva concorrência – já que muitos setores eram oligopolizados – os produtos nacionais não tinham uma boa relação custo-benefício. Para completar o quadro, ainda não havia uma legislação protegendo o consumidor, criada em 1991.

Outro aspecto era a inflação. As altas taxas de desvalorização da moeda dificultavam o cálculo dos efetivos custos de produção. Com isso, a implantação de eventuais medidas de eficiência no processo produtivo tinha um impacto muito reduzido na competitividade final do produto. Foi somente a partir da introdução do Plano Real, com a quebra da curva inflacionária, que as empresas puderam avaliar melhor suas planilhas de custos e introduzir medidas de eficiência.

No início dos anos 1990 ocorrem diversas mudanças na economia mundial e brasileira. No Brasil, com a abertura da economia, são eliminados ou reduzidos impostos de importação, fazendo com que produtos fabricados no exterior se tornassem mais acessíveis do que similares nacionais - isto antes que a China se tornasse o grande exportador para todo o mundo. Outro aspecto foi a entrada de empresas estrangeiras no mercado brasileiro, utilizando modernas tecnologias de fabricação. O setor industrial e de serviços brasileiro se modernizava e nessa época se tornaram comuns as normas de qualidade da série ISO 9000 e ambientais da série ISO 14000.

Nos últimos vinte anos a economia teve grandes avanços em grande parte devidos ao fomento da competição. Os diversos setores da economia avançaram na melhoria da eficiência e no uso racional dos recursos. No entanto, muito ainda resta por fazer. Ainda hoje, em todas as atividades - agricultura, indústria, construção e comércio - o país continua perdendo dezenas de bilhões de reais por ano, desperdiçando água, eletricidade, matérias primas e mão de obra. A perda de recursos, além de encarecer o produto ou o serviço, faz com que sejam necessários volumes crescentes de matérias primas e materiais - que direta ou indiretamente vem da natureza - o que aumenta cada vez mais o impacto ambiental das atividades econômicas.

A competição entre as empresas, a criação de leis protegendo o consumidor e o meio ambiente; o investimento em inovação e capacitação de funcionários; são fatores que aumentarão a eficiência da economia e do uso de recursos. No entanto, é preciso que o governo também faça a sua parte, investindo em infraestrutura e melhorando o sistema tributário e legal, facilitando o funcionamento das atividades econômicas – já que uma economia mais eficiente provoca menor desperdício de recursos naturais.

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