É saudável ser mais maduro do que a própria idade?

Durante anos convivi com a ideia de que eu era muito velha para a minha idade e isso era errado! Hoje, percebo que o errado é o que o outro diz que você tem que ser

Nunca tive a idade que tenho. Talvez por ser filha de pais mais velhos, com diferença de 40 e 50 anos, a maturidade bateu à minha porta mais cedo. E aí, várias heranças eu ganhei deles em vida (e continuo): gostar de músicas antigas, o fascínio pelas histórias das épocas deles, a cidade como era, os carros antigos, os ensinamentos e valores, a educação que tiveram e me passaram (que mudou bastante nos dias de hoje), influências no vestuário, maquiagem, cabelo e até mesmo na linguagem. Tudo muito curioso e fascinante pra mim! Como eu queria ter vivido nas épocas simplórias e mágicas deles...

Na adolescência foi um tanto quanto difícil, pois a cobrança da sociedade adolescente é que sejamos moderninhos para a época, acompanhar as tendências em tudo e eu “nadei” nessa onda, mas como um peixe fora d’água. Seguia algumas predominâncias da sociedade, mas sentia vergonha em dizer que vivia escutando Abba, ou que o cabelo dos anos 60 era meu sonho de penteado para as festas, que as novelas de antigamente são muito melhores que as de hoje, que eu queria um fusca pra chamar de meu (ou um chevette, também servia), entre outras coisas. Assim eu ia aliando aos meus gostos presenteados por essa herança, as modernices da época vigente.

A fase adulta se aproximou e eu comecei a entender que não precisava deixar de lado o que gostava, só para ser aceita em uma turma, para não ser esquecida ou para gostarem de mim. Comecei a assumir meus gostos antigos, minha maturidade precoce, minha seriedade no que precisa e quem não gostasse, paciência. Afinal, era tudo que eu aprendi e tinha uma riqueza sem igual.

(Há uns 2 anos quando quis voltar com a prática do patins, que fez parte da minha infância, não foram poucas as pessoas que perguntavam: “Patins? Mas isso é coisa de criança! Isso é velho, está fora de moda!” Pois é, a “coisa de criança” e "fora de moda" está a maior febre atualmente, principalmente entre os adultos e com grupos de encontros para a prática. E continua sendo um excelente exercício físico.)

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Miniatura de Kombi - adoro carros antigos

Acho que a única coisa que nos deixam confusos com a maturidade precoce, é se estamos no caminho certo ou se não estamos “perdendo” nenhuma vivência ou convivência quando mais novos. Todos diziam que tem que viver a vida loucamente e a gente aqui planejando e considerando cada passo dado. Enquanto muitos viravam as noites nas ruas, eu, na maioria das vezes, estava renovando meu sono para acordar cedo e conseguir coisas melhores a cada dia, sem deixar de curtir o barzinho, a turminha e as festinhas de forma regrada. Para mim, a vida é pra ser vivida com equilíbrio e se isso for feito desde sempre, na hora que a fase adulta chegar, será tudo mais fácil. E não adianta, a vida vai te exigir seriedade em vários momentos, desde a infância.

Muitas vezes veio a pergunta: mas você não se arrepende de não ter saído mais, viajado mais, curtido mais cada idade? E uma vez vi uma entrevista da Sandy em que perguntaram se ela não estaria cansada de ser famosa por ter a vida exposta e ela simplesmente respondeu: “Não tive outra vida para me basear, portanto só sei viver assim. Aprendi a lidar com a vida do jeito que ela veio! E sou muito feliz!”

E é isso! Precisamos viver o que damos conta, o que vem para nós. Sobrevivi a todos os julgamentos e hoje tenho orgulho das minhas conquistas, trajetória e personalidade, assim como quem curtiu a vida tem que ter da sua, pois o que importa é que precisa fazer sentido para você e apenas para você!! O saudável é se assumir e ser você mesmo!

Enfim, a maturidade precoce não é algo assim tão nocivo: te faz discernir entre o que é bom para você e o que pode ser excluído naquele momento sem ter que aprender "na marra" tempos depois.

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