É melhor planejar do que tirar o sofá da sala

A retomada do desenvolvimento econômico do país envolve a adoção de cinco pilares: melhoria da infraestrutura, inovação e desenvolvimento tecnológico, reforma tributária, reforma do sistema público de ensino e concretização da reforma do aparelho do estado.

Quando se quer desviar a atenção de alguém em relação a um fato, costuma-se criar e alardear outro fato. E isso é estratégia muito recorrente não só nas operações militares, mas também na “politiquinha”, essa prima distante e má da política concebida pelos gregos na Antiguidade Clássica.

Pois bem. Um pouco do exposto acima vem acontecendo em relação ao cenário político-econômico brasileiro: embora não seja admitido pelos primeiros escalões do Governo Federal que o país passa por uma situação de estagflação (estagnação econômica + pressão inflacionária), é o que vivemos atualmente. E não precisa ser nenhum especialista em Economia ou Psicografia Política para se chegar a essa conclusão. Basta observarmos o contexto nacional. Todavia, o Governo busca desviar o foco das atenções para o fato e utiliza o ajuste fiscal como estratagema.

Nos últimos anos, como parte de uma estratégia política que visava à manutenção no poder da atual coalizão de partidos governistas (PT, PMDB, PCdoB, etc.), diversas medidas de estímulo ao crescimento econômico pela alavancagem do consumo das famílias foram feitas: subsídio à concessão de empréstimos e financiamentos pelos bancos públicos, programas de transferência de renda, redução de impostos sobre a produção de veículos e produtos da linha branca, dentre outras medidas.

Contudo, pouco de se fez em relação ao desenvolvimento da base material necessária à garantia do desenvolvimento econômico. Poucos projetos de infraestrutura saíram do papel. Pouco se fez em relação ao sistema tributário nacional, burocrático, confuso e encarecedor do preço final dos produtos e serviços brasileiros. E a educação pública básica simplesmente foi negligenciada, levando à precarização do ensino na fase mais importante da formação do ser humano, que é entre os 6 e os 17 anos. Quanto à educação superior, apesar do aumento da oferta de vagas e de estudantes, o que se viu foi a perda de qualidade dos cursos de nível superior pelo canibalismo concorrencial entre grupos privados de ensino que estavam mais preocupados em competir por liderança de custos e menos em competir por diferenciação.

O resultado desse imediatismo que se instaurou em nosso país a partir dos anos 2000 desembocou onde estamos agora: veio uma marolinha do exterior e deu uma rasteira no espetáculo do crescimento. As famílias estão endividadas, o governo está inchado, ineficiente e cheio de jabutis e as empresas estão fechando as portas e os postos de trabalho devido ao arrefecimento da demanda e pelo encarecimento do custo Brasil.

É óbvio que não basta apontar o problema. Também é preciso indicar a solução. E ela passa por cinco pilares: melhoria da infraestrutura, inovação e desenvolvimento tecnológico, reforma tributária, reforma do sistema público de ensino e concretização da reforma do aparelho do estado.

Sobre os dois primeiros pilares, não se trata de fazer algumas concessões ou conceder alguns incentivos. Há que se investir maciçamente e continuamente tanto na base material do país quanto na formação de ativos intelectuais. Foi assim que o Japão se reconstruiu após a Segunda Guerra Mundial, foi assim que a Coreia do Sul se tornou uma vanguarda tecnológica e é assim que um país prosperará na atual era do conhecimento.

Quanto à reforma tributária, ela deve se pautar em três diretrizes: racionalização da estrutura tributária, simplificação e redução dos tributos.

Sobre o sistema público de ensino, deve-se investir na educação básica em tempo integral, na uniformização do projeto pedagógico dos diversos entes políticos e numa formação humanista e voltada para o mercado de trabalho. Para tanto, há que se aumentar a integração entre a educação básica, o ensino técnico e as instituições de ensino superior.

Por fim, o aparelho do Estado deve estar em sintonia com as necessidades sociais: não basta entregar resultados. O Estado brasileiro deve fazer mais e melhor com cada vez menos. E isso envolve eliminação de estruturas em duplicidade dentro de um mesmo ente político e entre todos os entes, downsizing dentro dos órgãos públicos e redução de cargos e funções comissionados. Para tanto, deve-se remover jabutis pendurados na árvore da máquina pública e valorizar e desenvolver as carreiras de Estado.

Haverá quem diga que outras soluções são cabíveis à retomada do desenvolvimento econômico nacional. Porém, se essas estiverem desacompanhadas dos cinco pilares acima, será o mesmo que tirar o sofá da sala.

Um forte abraço a todos, sobretudo aos colegas de missão que contribuíram com este artigo, e fiquem com Deus!

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