E depois do Carnaval?

"O ano só começa depois do carnaval", eis o dito popular exclamado pela maioria dos pequenos empresários brasileiros diante do marasmo comercial e dos braços cruzados que se fazem após as festas do fim de ano até o final do carnaval (excluimos aqui aqueles empresários cujas atividades referem-se a fabricação, comercialização ou prestação de serviços sazonais, ou seja que são inerentes e correspondidas pelas comemorações do momento). Se analisarmos o intuito da afirmação "O ano só começa depois do carnaval", poderíamos concluir que a ressaca das vendas do final do ano, só viria a se recuperar depois da quarta-feira de cinzas, quando todos os setores da economia voltariam a produzir a todo vapor; e só então reagiriam no combate dos problemas circustanciais. Mas se analisarmos a afirmação "O ano só começa depois do carnaval", pela sua essência, perceberíamos uma denotação perversa que aflige a maioria dos pequenos empresários, digamos, aqueles que detém uma reserva de caixa limitado para pagar despesas essenciais; e aqueles que nem se quer conseguem formar um mínimo de reserva de caixa para atravessar pelo menos o período de fraco movimento. Aqui não estamos julgando a acomodação existente no mercado quando do início do ano até o final do carnaval, e sim da acomodação de certos ou alguns empresários diante das suas limitações produtivas e/ou dificuldades de terem cruzado os braços e esperado desfilar o último bloco no sambódromo, para então, a partir da quarta-feira de cinzas, arregaçar as mangas e iniciar uma verdadeira penitência frente a uma pilha de contas que não pararam de chegar desde o início do ano e nem ficaram a mercê do tempo, a espera de providências para serem saneadas. Empresários têm de todo tipo, os mais dedicados, criativos e arrojados; assim como os mais "sempre ocupados", os "especialistas só nisso", os "ostentadores", como também têm aqueles os "deixa pra depois", esses últimos os mais "sem noção do perigo", acomodam-se com as reações do que podem vir melhor acontecer, e não acontecendo, tomam atitudes tardias quase sempre ineficazes aos problemas como: acúmulo de dívidas, crédito prejudicado, ambiente produtivo hostil, etc.... resultando a partir daí a crise financeira. Se para alguns "O ano só começa depois do carnaval" e que ficam inertes à espera de um milagre, outros, com sabedoria e destreza, contemplam em seus calendários os 365 dias do ano e correm atrás do prejuízo (ops!) da receita. (Eu escrevi este artigo às 20 horas do dia 05/fevereiro/2005 - sábado de carnaval).
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