E agora, José?

Foco, pensamento, motivação e sucesso!

José, no poema de Drummond, dentre as possíveis interpretações, faz uma referência aos nossos diversos conflitos e crises, sejam externos ou internos (do “eu”). Isto é, de forma bidirecional, a crise do eu tem reflexos na sociedade e, por ventura, a crise na sociedade reflete no “eu”. O poema é inspirador e, sem dúvidas, vale a pena reproduzir um trecho a fim de não fugir do escopo do presente artigo. Eis o trecho:

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José?

[...]

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, pra onde?

E agora? Acabou? Vai marchar para onde? Quem é que nunca se sentiu (ou se sente) no lugar do José, perdido, confuso, desanimado.

Especificamente em relação aos conflitos e crises internas, o significado que a pessoa atribui aos acontecimentos externos tem expressiva importância no impacto emocional de tais acontecimentos. Em outras palavras, são os esquemas mentais que o indivíduo possui (ou desenvolve) que vão determinar em como o mesmo indivíduo vai lidar com o momento de crise e/ ou conflito, bem como o peso emocional associado ao fato ocorrido. O mundo externo se revela para nós por meio dos sentidos até integrar os nossos esquemas mentais significantes.

A Ph.D Carol S. Dweck, renomada professora e pesquisadora de psicologia social, cujo os estudos baseiam-se também nas práticas de Coaching, cunhou os termos “código mental fixo” e “código mental construtivo”. Pessoas que possuem o código mental fixo tendem a aceitar os fatos desagradáveis como algo que é imutável, atribuindo uma imensa carga emocional negativa no ocorrido, o paralisa, o deixa hipotente e com a percepção que não tem qualidades suficientes para lidar (ou reverter) a situação. Assim, acreditam que não precisam se esforçar, aprender ou mudar um comportamento de modo a lidar melhor com as situações adversas.

Já pessoas de código mental construtivo, são pessoas que tendem a olhar os acontecimentos por uma ótica mais positiva (não confundir com ingenuidade), cultivando a atitude de que com seus esforços pessoais poderão amenizar (ou resolver) dadas situações. Dessa forma, a carga emocional é menor e o “significado” do problema também. Pensamentos geram emoções, que por sua vez geram comportamentos, e estes, atitudes.

Imagine a seguinte situação: Você teve um dia exaustivo de trabalho hoje! O seu chefe criticou seu desempenho na frente dos demais colegas e para piorar as coisas, logo em seguida seu computador deu “pau”, o que vai atrasar, caso não faça nada de diferente, aquele relatório que a direção solicitou. Ao final do expediente, ao se dirigir para a sua casa, você pega um longo congestionamento, chegando duas horas depois do habitual em casa. Sua mulher te espera para discutir sobre o orçamento doméstico e sua parte da contribuição financeira!

“E agora José?!” “Como você pensa e lida com a situação? Você pensa que a vida é injusta com você e entra em crise ou que há certas atitudes em você que podem ser melhoradas? O mundo está conspirando contra você ou amanhã será um dia melhor? Seu chefe é um sacana ou a crítica é uma oportunidade de rever seu desempenho e ajustar seu comportamento? Sua esposa não te ama porque te cobrou dinheiro ou ela te ama tanto que se preocupa com o comprometimento e com a prosperidade do casal? O mundo precisa mudar ou você precisa mudar?”

A maneira como você pensa (fixo ou construtivo) reflete sobre o significado emocional que você dá a esses acontecimentos, logo, reflete sua atitude perante os mesmos. A maneira como você pensa vai determinar o poder que a crise e/ou os conflitos agem sobre você!

Agora reflita!

Você tende a olhar a vida por meio de um pensamento “fixo” ou “construtivo”?

O que você está ganhando pensando da maneira que você pensa hoje? E o que está perdendo?

Quais são suas crenças em relação a vida e em relação aos acontecimentos adversos?

O que você poderia fazer agora para mover-se em direção à melhoria?

E agora, José?

REFERÊNCIAS

DWECK, Carol S. Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não: saiba como você pode ter êxito entendendo o código da sua mente. Trad: S. Duarte. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

O`CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolinguística: como entender e influenciar pessoas. Trad: Heloísa Martins-Costa. Ed. 5. São Paulo: Summus, 1995.

MATTA, Villela da; VICTORIA, Flora. Personal & Professional Coaching: livro de metodologia. São Paulo: SBCoaching Editora, 2014.

Revista Nova Escola. Grandes pensadores: 41 educadores que fizeram história, da Grécia antiga aos dias de hoje. Edição especial, nº 25, Julho, 2009.

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