Divisão do emprego – Utopia ou Realidade!

Vivemos uma nova era, uma nova configuração social e suas crises financeiras, desemprego e aumento da população. É necessário repensarmos o trabalho para evitar a falência total do sistema capitalista. No passado dividimos o trabalho, agora precisamos dividir o emprego - Utopia ou Realidade!

A divisão do trabalho tem sido pensada desde o Taylorismo. Buscar a melhor forma de produzir norteou as ações e as metas das organizações ao longo dos anos. Motivadas pela concorrência e competitividade, novas máquinas e tecnologias foram desenvolvidas, levando o processo produtivo à automação e à grande produção em escala.


Houve muitas críticas a este desenvolvimento por que parecia sinalizar que o homem passaria a ocupar um papel secundário frente a tanta tecnologia e sofisticação dos processos produtivos. Demorou um bom tempo para que a ciência apontasse algumas doenças decorrentes desta nova forma de trabalho.

Se olharmos para trás, veremos que Charles Chaplin, em seu filme: "Tempos Modernos" satirizava as doenças comportamentais e mentais, desencadeadas pela automação industrial. Foi, e é muito engraçada a forma como ele abordou o assunto, no entanto, ele, talvez, jamais poderia imaginar aonde iríamos chegar, tanto em tecnologia quanto em doenças ocupacionais. Mas este foi o preço do progresso.

Foi este desenvolvimento que possibilitou a expansão do capitalismo e a globalização. No entanto, algo está errado, pois o capitalismo parece implodir.

Em que deixamos de evoluir ou o que não acompanhou a evolução? Foram as pessoas, as organizações, a política, a diversidade cultural, a desigualdade social?

Cresce a população, crescem os problemas. Chegamos a sete bilhões de habitantes. Aonde isto vai nos levar se, no aqui e agora já são tantos os problemas e pagamos um preço alto pelas inconseqüências deste crescimento desenfreado e desigual.

A sociedade estabeleceu os pilares de seu desenvolvimento na família, no trabalho e no capital.

A família mudou alguns padrões, mas cumpre o papel, procriar. O capital já está dividido há muito tempo, demarcando o território entre a riqueza e a pobreza. O trabalho parece ser o único a estar ameaçado, pois, a cada nova crise aumenta o número de desempregados.

É uma equação que não fecha. Cresce a população, diminui o emprego. Ou seja, aumenta a força produtiva e reduz a oferta de emprego. A alimentação é uma necessidade fisiológica básica e não importa se mudamos nossos padrões culturais, sociais ou tecnológicos, precisamos saciar a fome e para tal, deparamos com outra situação básica: emprego, trabalho, renda, alimentação, moradia, etc., etc.

Se há mais trabalhadores do que vagas de emprego talvez a saída agora seja dividir o emprego, ou seja, uma mesma vaga será ocupada por duas pessoas. A racionalização do tempo e do trabalho, agora será feita para otimizar o emprego.

A redução da carga horária de trabalho poderá contribuir para a melhoria da saúde e da qualidade de vida e com a, conseqüente, redução das doenças ocupacionais.

Dividir o emprego pode ser uma utopia, mas a necessidade de emprego é uma realidade, pois é a base de sustentação da nossa sociedade.

A história da humanidade é marcada por realizações utópicas que se tornaram realidade. Não precisa ir muito longe, basta perceber em que aparelho esta lendo este artigo.

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