Divertida Mente - novas visões de negócio e consumo da Pixar
Divertida Mente - novas visões de negócio e consumo da Pixar

Divertida Mente - novas visões de negócio e consumo da Pixar

Domingo à noite, o prêmio do Oscar poderá ir para Divertida Mente. Neste texto, mais 5 razões para não deixar de assistir

Fomos à estreia de “Divertida Mente”, em 2015, para conferir as promessas que a Pixar/Disney faziam desde o ano passado de levar o público para um lugar extraordinário – o interior da mente. Vale muito a pena, por razões de entretenimento, científicas, e de gestão. Listamos aqui 5 razões para você não perder este longa de animação.

O filme é divulgação científica

O novo filme Pixar/Disney traz às telas os conflitos da menina Riley Anderson, de 11 anos, que está aprendendo a crescer. E nesse processo são as emoções que estão no comando. Alegria, Raiva, Tristeza, Nojo, e Medo. Você terá a oportunidade de fazer um curso de psicologia ao longo dos 100 minutos de uma história muito bem contada.

A teoria científica que dá vida ao drama está ligada aos estudos de neurociência sobre a construção da identidade de cada um de nós. Somos todos animais, que aprenderam a falar e viver em sociedade. Mas, no fundo, ainda operamos com a máquina biológica que recebemos da Natureza. Assim como ocorre também com muitos animais, somos guiados por alguns tipos de emoções fundamentais. E construímos tudo o que somos sobre esta estrutura. Inclusive, nossos pensamentos são organizados sobre bases emocionais.

A ideia de um sistema de emoções fundamental foi criada pelo português António Damásio. O filme da Pixar contou com a consultoria do Instituto Paul Ekman, psicólogo americano que criou o “atlas das emoções”, um sistema para identificar as emoções por trás das expressões faciais. Mas todo o filme foi produzido aplicando com fidelidade o conhecimento hoje disponível sobre a formação da memória. Assim, você assistirá a um incrível infográfico animado sobre um tema fundamental no desenvolvimento psicológico de cada um de nós.

Um caminho para o ensino

A Pixar nos apresenta uma nova forma de ensinar. Se conteúdos tão complexos como as teorias da mente podem ser comunicados como se fossem entretenimento, é perfeitamente possível imaginar então que outros tantos “conteúdos pesados” também possam ser apropriados cognitivamente através de sessões de cinema, assistindo filmes na TV de casa, ou no celular, dentro de um ônibus.

O curta “Lava”, no formato Pixar de pré-sessão, apresenta igualmente a história de formação de ilhas vulcânicas no Pacífico. A Pixar está se apresentando como concorrente de instituições de ensino. E, cá entre nós, superior em muitos atributos. Aprender emocionalmente, antes de mais nada, é uma aplicação da própria ciência que o filme divulga. Não deixa de ser uma criação de mercado, e uma formação de demanda.

Trata-se de um filme moderno, não só no conteúdo, mas em sua leitura de contexto. O futuro dos conteúdos para crianças em idade escolar – que, a propósito, vivem em uma sociedade de rede – não será feito de representações indiretas sobre temas abstratos. Pelo contrário, crianças estão preparadas para lidar com o conteúdo e raciocinam estruturalmente, interessadas na essência dos fenômenos. “Divertida Mente” foi feito para divertir crianças do ensino fundamental, lidando diretamente com a estrutura e o funcionamento da vida.

A tela mental em Divertida Mente (Imagem: Reprodução)

Estratégia transmídia

O roteiro de “Divertida Mente” já vem com as técnicas de narrativas da cultura da conexão. Há tanta informação, com uma arquitetura tão bem feita, que o filme poderá ser assistido inúmeras vezes, sempre permitindo que se renove a experiência de conhecer mais alguma coisa, de entender melhor uma função mental, de completar uma nova figura narrativa, de ampliar o alcance das relações entre os personagens.

O filme também poderá ganhar (e já ganhou) muitas outras extensões, como material didático, jogos, aplicativos. E, claro, uma sequência. O conteúdo é o grande mestre deste projeto. A origem do conteúdo é a própria ciência e alcança, por isso, toda a humanidade. Como estratégia, nada mal. Novos pontos estão sendo ligados: entretenimento, ensino, ciência, adultos e crianças.

O sistema de arquivamento cerebral (Imagem: Reprodução)

Público como protagonista

É impossível assistir a uma sessão de cinema com muitas crianças presentes, sem prestar atenção nas crianças. A história não trata tão somente de uma história para crianças, mas das próprias crianças. Bastava olhar para o lado para observar a história em atividade, as emoções em operação.

“Divertida Mente” transformou uma sala de cinema em um laboratório de experimentos psicológicos. Dessa forma, recupera-se uma das tantas dimensões da experiência histórica das salas de cinema que, entre outras razões, atraíam as pessoas pela oportunidade de estarem reunidas com outras pessoas, experimentando coletivamente o espelho da mente, a grande tela.

O filme da Pixar/Disney apenas tornou toda a experiência muito mais transparente. É como se fosse possível enxergar de forma concreta o plano da Disney de reconexão com o público infantil. O diretor, Peter Docter (quase “doctor”!), iniciou o projeto em 2010. As emoções que o guiaram a fazer o filme estavam ligadas à sua filha, que mudava diante de seus olhos, à medida que crescia.

Aprendendo a usar a raiva (Imagem: Reprodução)

Produto pensado para os comportamentos dos novos públicos

“Divertida Mente” mostra os bastidores. Literalmente, tem cenas em estúdios de cinema icônicos de Hollywood – a fábrica de sonhos. Pixar e Disney não precisam esconder que para eles o conhecimento sobre a estrutura da mente é fundamental. A Disney foi o primeiro cliente de um laboratório de neurociência, em Austin, o MediaLab. O jogo de se conectar com públicos e formar grandes audiências não passa mais pelo uso de tecnologias secretas, e aplicação de métodos restritos.

Pelo contrário, os jogos precisam estar abertos para atrair os jogadores. Os públicos querem fazer parte, e, se possível, colaborar para o seu progresso. E para jogar jogos tão abertos, de alta complexidade, marcas como Pixar e Disney precisam tornar-se cada vez mais sofisticadas, aplicando o melhor da ciência, em ambientes abertos, transformando tudo em conteúdo que faça com que evoluam as conversas com seus públicos. Afinal, o que o filme quer nos ensinar é que a ciência evoluirá como consequência das emoções. E é através das emoções que as pessoas ficam conectadas umas com as outras. E é assim, guiadas por suas emoções, que geram ainda mais conhecimento.

Recuperação das memórias base (Imagem: Reprodução)

[O título em inglês é “Inside Out”. No original, como sempre, o título está mais apropriado, comparado com “Divertida Mente”. Não se trata de uma experiência “infantil”, como sugere o título “Divertida Mente”. “Dentro e Fora” (tradução literal) é para todas as fases da vida, que precisam encontrar o equilíbrio entre o Dentro e o Fora].

Referências

Site do filme: http://bit.ly/1K1Jgj6

António Damásio: http://bit.ly/1MRVIBd

Sistema de Reconhecimento Facial de Ekman: http://bit.ly/1J7Ujc2

Artigo publicado originalmente no blog da City.

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