Discriminação profissional: Qual é o problema de ser palhaço ou administrador?

O palhaço Tiririca teve de passar por prova de escrita e leitura e conseguiu provar que é alfabetizado o suficiente para ser deputado federal. Por que a suspeita? Por que não disseram logo que o motivo da reavaliação era pelo fato de ele ser negro, nordestino e palhaço?

Carequinha

A discriminação pela cor da pele, pela região, sotaque e profissão não é novidade no meio corporativo muito menos na política. Deve ser combatida como um câncer. Com sua aprovação no teste, o que resta pode ser a conclusão de que mais uma vez uma pessoa é discriminada por causa da sua profissão. Qual profissão é melhor ou mais importante? Administrador, médico, advogado, palhaço?... Todo administrador sabe que ele precisa de profissionais de diversas áreas e habilidades no meio corporativo e não pode se dar ao luxo de gostar ou não gostar de pessoas desta ou daquela profissão.


O eleitor deve pensar o mesmo na hora de votar. Qual é o problema de eleger um palhaço como deputado federal? Na Câmara dos Deputados há ou houve artistas de outras modalidades como ator, cantor, humorista, escritor(o presidente do Senado, por exemplo)... A classe artística também merece ser representada no Legislativo Federal. Mas esta consciência não deve ser confundida com o voto de protesto. Quem votou no Tiririca só para protestar também o discriminou tanto quanto os que desejam barrar sua posse.


O brasileiro tem de pensar duas(ou duzentas) vezes antes de citar profissões na hora de xingar alguém como por(mau) exemplo: "Seu palhaço !", "Advogado do Diabo", "Aquele cara é uma lavadeira...", "Este é um professor de Deus"... Ser for por aí, não vai escapar uma profissão digna: nem a minha e nem a de ninguém.


Temos de superar o estigma do século XIX de que trabalhar era coisa de escravo e receber a renda era coisa de colonizador. Trabalhar e receber a renda são coisas que devem ser feitas pela mesma pessoa independente da profissão.

O Tiririca ainda ganha a vida com a sua profissão digna de palhaço e cantor. Pior mesmo são aqueles políticos profissionais que estão há décadas em mandatos parlamentares e os cargos acabaram se transformando em profissão e nunca mais exerceram suas verdadeiras profissões. Exemplos não faltam. Advogados, médicos, jornalistas e outros profissionais de formação que se encostaram em cargos eletivos e nunca mais se ouviu falar do trabalho deles na profissão de formação.


Que estes comentários não sejam confundidos com a consideração de que foi um ganho para a democracia a eleição de Tiririca. Se ele vai ser ou não um bom parlamentar, vai depender do que ele fizer na Câmara pela sua classe, pelos seus eleitores, pelos seus conterrâneos e pelo Brasil. E não de crenças pré-concebidas.

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