Dinheiro na mão é vendaval? Não precisa ser.

Paulinho da Viola já dizia em um dos seus maiores clássicos: dinheiro na mão é vendaval. Mas com alguns ajustes e perguntas inteligentes, não precisa ser desse jeito. E seu bolso vai agradecer muito.

Qual seria a trilha sonora ideal para o atual cenário econômico brasileiro?

Com certeza, não seria Pra Que Dinheiro (Martinho da Vila) ou Não Quero Dinheiro (Tim Maia). Talvez as mais adequada seriam Esmola (Skank), Me Dá um Dinheiro Aí (conhecida marchinha de carnaval, gravada por Moacir Franco) ou a clássica Pecado Capital (Paulinho da Viola), que abre com a fatídica frase: dinheiro na mão é vendaval.

Essas canções, mesmo lançadas há décadas, expressam bem o momento que estamos vivendo em nosso querido Brasil. Os que chegaram na casa dos 50 anos, estão familiarizados com a palavra CRISE, e devem guardar tenebrosas lembranças do período das insanas remarcações de preços nos supermercados.

O sujeito estava na fila do caixa, aflito pra sair logo dali, quando era abordado por dois funcionários simpáticos, que chegavam por lados opostos. Enquanto um, com um sorriso de orelha a orelha, chamava atenção com uma conversa fiada (Bom dia! Tudo bem? A família está boa? O Senhor foi bem atendido? Que bela camisa!), o outro, discretamente, remarcava o preços dos produtos que estavam no carrinho, cestinha ou até na sua mão do infeliz consumidor.

A situação era tão crítica, que alguns lojistas promoviam – talvez por diversão, para aliviar o estresse – a assustadora Promoção Relâmpago. Pelo sistema de som do estabelecimento, a música ambiente era interrompida e entrava uma voz potente, com o seguinte aviso:

-Atenção senhores clientes: durante dos próximos cinco minutos, o leite em pó Vaquinha Feliz está com 50% de desconto. Corra! Essa promoção só vale por cinco minutos!

Eu me sentia em uma praça de guerra. Tapas, puxões de cabelo, xingamentos, sangue, suor e lágrimas. Senhoras, aparentemente frágeis, encontravam forças para ultrapassar a parede humana que se formava em volta das prateleiras. Até a vaquinha feliz da embalagem do leite, se assustava.

Como bem diria Paulinho da Viola: mas é preciso viver, e viver não é brincadeira não; quando o jeito é se virar, cada um cuida de sim e irmão desconhece irmão...

Exageros à parte, ainda bem que não estamos vivendo situações semelhantes, pelo menos não por enquanto. Isso não significa que o cenário é dos melhores. Nada é tão ruim que não possa ser piorado, certo? Uma coisa é certa: nenhuma crise é permanente. Apesar de todas as dificuldades, é crucial mantermos a esperança de que depois da tempestade, as nuvens vão se dissipar e o sol volta a brilhar.

Mas como (ainda) estamos em mar turbulento, é muito importante fazer alguns ajustes na economia doméstica, especialmente os desempregados, que além do emprego, perderam até a renda comprada no Ceará, nas últimas férias com a família.

Algumas mudanças de hábitos, aliadas a perguntas inteligentes - necessárias para fazer a mente raciocinar de forma eficiente - podem gerar uma economia interessante em seu orçamento.

A estratégia é extremamente simples: faça um levantamento – por escrito – de tudo que você poderia viver “sem”, ou seja, você não vai morrer ou passar necessidade sem aquele produto ou serviço. Se puder, organize na ordem de importância. Em seguida, some os gastos de cada item relacionado. O resultado chega a ser surpreendente.

Vou dar alguns breves exemplos pessoais, incluindo as “perguntas libertadoras” no “momento de decisão”.

-Eu sou uma pessoa que adora ler. Para que eu preciso de um pacote de TV a cabo com mais de duzentos canais, sendo que não assisto nem dez por cento disso? Que tal reduzir esse pacote?

-Certo, sou uma pessoa que adora ler, portanto sempre compro livros. Mas, espere um pouco. Quantos livros tenho “na fila” que ainda não li? Deve ter leitura suficiente para dois anos, pelo menos. Preciso mesmo comprar estes exemplares agora?

- Pão integral com nozes e frutas cristalizadas. Hum, que delícia. Mas quinze pilas o pacote a cada três dias fica complicado. Posso passar sem isso? Sim, posso! De agora em diante, só aos Sábado e Domingos. Nos dias úteis, vai um delicioso pãozinho de canela, por cinco pilas o pacote. Economia de 200% na semana.

-Comecei a perceber que quando vejo a conta de energia, sinto uma dor nas entranhas, semelhante a quem –supostamente - dá a luz a um porco espinho adulto, em parto natural. Ambiente sem minha presença, precisa estar iluminado ou refrigerado? Não. Então, usou, desligou. E nada de equipamentos em stand by.

- Reunir com os amigos para tomar uma cerveja e jogar conversa fora, naquele bar bem frequentado, é muito legal. Mas sete reais uma latinha? Peraí. Não dá pra fazer a mesma coisa sem gastar tanto? Que tal combinar uma reunião caseira com a rapaziada, tomando a mesma cerveja por dois reais a latinha, comprada no supermercado? Ainda com a vantagem de ouvir a música que a gente quiser.

- No meu bairro, moram quatro colegas que trabalham no mesmo lugar que eu. Todos nós “rodamos” dezoito quilômetros com nossos carros para chegar à empresa. Que tal propor um esquema de carona? Cada dia, três deixam o carro em casa e um faz a “rota”. Uma economia de combustível e estresse (para quem não está dirigindo).

Como você pôde perceber, são muitas as alternativas. Poderíamos ficar falando (escrevendo) horas neste espaço.

O objetivo aqui é despertar o leitor para as possibilidades de economia que se pode encontrar apenas perguntando a si mesmo coisas do tipo: eu preciso disso? ; eu poderia fazer diferente? ; isso é realmente necessário?; o que eu posso fazer para melhorar isso? Seu bolso vai agradecer muito.

Lembre-se: em questões de economia e de vários outros setores da vida, tanto pessoal quanto profissional, a pergunta certa pode ser justamente a resposta que procuramos.

marcoantonio.ferreira.ribeiro@gmail.com

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