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Diagnóstico da Cultura da Soja no Estado de Mato Grosso do Sul

A cultura da soja foi introduzida no país na metade do século XX, expandindo nas lavouras dos Estados do sul a partir da década de 60, posteriormente no centro-oeste e nordeste. A atividade agropecuária foi inserida no Estado de Mato Grosso do Sul nos últimos anos da década de 70, devido à estratégia política do governante da época de desenvolver o interior do Brasil. Entre 1980 e 1998 houve grandes avanços econômicos no setor, modernizando-o, aumentando a produção de grãos na região e introduzido a agroindustrialização no Estado. Hoje 388 milhões de hectares de terras agricultáveis brasileiras são ocupadas pela atividade agropecuária, sendo 62 milhões ocupados pela atividade agrícola e 200 milhões pela pecuária e dentro deste contexto somente a soja ocupa quase 20 milhões de hectares. Entre 90/91 e 02/03 o setor agrícola apresentou um crescimento de 131% e a pecuária 234% no país; e acompanhando este crescimento, o Estado de Mato Grosso do Sul também aumentou sua área plantada em quase 100%. Mato Grosso do Sul juntamente com os demais Estados da região centro-oeste é considerado um dos maiores produtores de soja do país, perdendo em produção somente para os Estados do Paraná e Santa Catarina. O grão de soja e seus derivados (complexo soja) são os itens que lideram as exportações brasileiras atualmente, passando a ter grande influencia na agricultura nacional a partir de 1999, devido à desvalorização cambial no país e aumento da demanda chinesa pela oleaginosa. objetivo central desta pesquisa é analisar a importância da cultura do agronegócio e sua evolução econômica no Estado de Mato Grosso do Sul, enfatizando a cultura da soja - que vem alocando cada vez mais espaço tanto no cenário econômico nacional quanto internacional. A soja é utilizada como moeda em várias transações informais e base de negociações, sendo o responsável por R$1,00 em cada R$ 3,00 gerados internamente, apesar deste grão ser comercializado em grande parte apenas como commoditie. Fontes primárias (entrevistas e conversas com profissionais que atuam na área agrícola e servidores públicos de órgãos rurais do Estado) e fontes secundárias (pesquisa bibliográfica e coleta de dados em revistas, periódicos e eventos) serão a base de análise para o desenvolvimento do trabalho, realizando deste modo um estudo regional da economia e demonstração estatística através de dados inteirados no material de análise. A participação do Estado em relações comercias internacionais por intermédio do complexo soja será intensamente analisada e destacada, visto que o produto em estudo possui elevado grau de importância na composição da balança comercial brasileira. No decurso da intercepção de informações, resultados e indicadores serão colhidos e demonstrados ao final. Foi constatado que, no período compreendido entre os anos de 1991 2001, a balança comercial de Mato Grosso do Sul registrou superávit, havendo uma redução apenas no ano de 1998, saldo este que acompanhou a balança comercial brasileira. O setor primário é o principal responsável pela entrada de divisas no país, fato que explica a grande expansão agrícola na economia nacional - só no ano de 2004 ele teve participação de 37% na pauta de exportações, sendo altamente superavitário. Segundo dados apurados pelo Censo Agropecuário do IBGE, no ano de 1996, 4,5% da área ocupada no Estado era destinada à agricultura, sendo 1.383.711 ha ocupados pela lavoura; em 2002 a cultura da soja contribuiu com 7,8% da produção nacional, reduzindo para 6,5% sua participação no ano de 2003. O fator principal que movimenta a economia regional é a agroindústria de transformação, como: frigoríficos, lacticínios, usinas de álcool e industrias beneficiadoras de soja (farelo e óleo), os quais concentram 90% das exportações da região. O fato de ser uma região de fronteira com Paraguai, faz com que a maioria das exportações da região sul fronteira tenham como destino o Paraguai e demais países próximos da América do Sul que possuem demanda por produtos industrializados. Segundo a Secretaria da Fazenda do município de Ponta Porã, 99% das exportações do município tem como destino o país vizinho (Paraguai). O Estado de Mato Grosso do Sul, assim como o Brasil, possui vantagem competitiva no agronegócio, visto que recebe incentivos governamentais e possui fatores como, recursos naturais, tecnologia, financiamento agrícola, mercado e infra-estrutura, que são fundamentais ao desenvolvimento deste setor. Apesar do Estado possuir expressiva atividade agropecuária e ser reconhecido por atuar nesta área, principalmente na cultura da soja, não possui grande estrutura funcional neste setor, a produção dispersa entre pequenos produtores que na maioria não detém grande tecnologia, sendo que a mesma está presente entre grandes empresas (multinacionais agrícolas) instaladas no Estado, que compram significativa parte da produção regional. O Estado possui posição geográfica privilegiada, ao sul faz fronteira com o Paraguai e a oeste com a Bolívia, posicionando-se estrategicamente entre mercados potenciais como o MERCOSUL e a ALCA e grandes centros consumidores nacionais, constituindo fatores extremamente favoráveis ao desenvolvimento de atividades agroindustriais e de expansão do intercâmbio comercial. Este fato explica a imensa demanda existente por parte destes países em comercializar com o Estado de Mato Grosso do Sul - o custo é exíguo e facilitado devido a proximidade das localidades.
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