"Destruindo" um profissional em 3, 2, 1

Pode acontecer a qualquer momento! Então, esteja preparado! Se é o responsável pela mudança, então execute-a com o máximo de responsabilidade possível.

Contexto: trabalhando há aproximadamente nove anos, sendo, o último cargo, gerente de supply chain de uma multinacional. Viagens internacionais aconteciam de 3 - 5 vezes por ano, geralmente, para representar a filial em reuniões estratégicas do grupo, visitar clientes e participar de feiras de negócios. O salário era bem justo (generoso) e o relacionamento interpessoal muito bom. Uma observação: nos dois últimos anos, bons treinamentos aconteceram no exterior e a perspectiva era de que ele estava sendo preparado para liderar a unidade, quando surgisse a oportunidade.

Mudanças na esfera global da empresa acontecem, alguns líderes novos chegam e recebem o desafio de inovar nas suas divisões. Até aí, tudo normal - se não fosse o azar de alguns dos líderes, inclusive um que veio para a divisão em questão, ser movido pelo ego muito mais que o normal e ter valores bem distintos dos que já permeavam esferas abaixo e que já se configuravam como cultura - uma que fazia bem a todos.

Não demorou muito para que as mudanças começassem a atingir o time de liderança da unidade, iniciando pelas práticas do dia-a-dia e, com muita brevidade, a troca de peças importantes, de forma a alinhar a operação com o que o novo "líder" achava que era o correto.

Mudanças desta natureza, em muitos casos, salvam a organização! São de extrema importância! Mas se a empresa é uma das gritam para o mundo que o seu maior patrimônio são as pessoas e se chegou até onde está por causa delas (e geralmente foi, sim), então tem o dever de redobrar a cautela na execução dessas mudanças, ou pode colocar muita coisa por água abaixo, além dos números.

Se a Curva da Mudança é considerada, se há inclusão e envolvimento das pessoas na concepção das mudanças e o andamento é gerenciado com afinco pela liderança, tudo tende a correr muito bem. Caso contrário, novas pessoas com os valores e mindset alinhados com os do chefe vão chegando, assim como resultados e atmosfera (prováveis) abaixo:

  • Fornecedores/parceiros questionando a relação, com insegurança;
  • Clientes importantes questionando mudanças, que afetavam as negociações;
  • Medidas executadas bruscamente, tendo número como fator determinante quase que absoluto, desaceleram as operações;
  • Pessoas que estavam alí desde o início e que significavam identidade já não se sentem mais parte da história;
  • Pessoas desmotivadas em vários níveis (geralmente, acontece quando há o sentimento de injustiça), et cetera.

Para muitos profissionais, as escolhas são limitadas:

Peço para sair e tento recomeçar em um outro lugar, ou procuro ajuda de um psicólogo, para que eu aguente (sem qualquer garantia) a nova realidade e as pessoas que a causam?

Essas perguntas são seguidas de muita insegurança, um mundo de sentimentos, dias ruins, projeções de mudanças na vida da pessoa/profissional e da família muitas vezes, mas que, aos olhos da chefia (que neste caso, não merece ser chamada de liderança) só significam números.

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