Desesperos e esperanças

Em meio a tantas informações negativas o brasileiro fica no meio do fogo cruzado. Se correr a crise pega, se ficar a inflação come

Admiro muito a capacidade de algumas pessoas superarem obstáculos, vencer barreiras, criar oportunidades em meios às dificuldades. No Brasil há meses se tem alardeado uma crise que alguns apontam como sendo política, outros econômica e, outros tantos, concomitantes.

As teorias administrativas, psicológicas e religiosas sempre estiveram atentas e propensas a contribuírem com o propósito de criar ambientes favoráveis ao enfrentamento de várias agruras que acometem os seres humanos, inclusive de crises dessa monta.

Augusto Cury, psiquiatra, psicoterapeuta , cientista e escritor, defende, em sua obra “Inteligência Socioemocional - A Formação de Mentes Brilhantes”, existir em cada ser humano o que ele chama de “gatilho da memória’, que vem a ser um fenômeno inconsciente, acionado em milésimos de segundos, abrindo uma das três janelas de pensamentos: Neutras, Killer ou Light. Das três janelas de pensamentos, a killer (do inglês assassino) é a mais nefasta: ‘corresponde as áreas da memória que têm conteúdo emocional angustiante, fóbico, tenso, depressivo, compulsivo.”

Por mais que tenhamos setores da sociedade defendendo a tese de que o Brasil não vem passando por uma crise de proporções desesperadoras e que diversos especialistas acreditem que a maré ruim vai passar em breve, a janela killer de muitos brasileiros tem insistido em continuar aberta, escancarada como as portas de igreja no domingo de missa. Como singela contribuição para a exacerbação de pensamentos angustiantes a mídia tem, amiúde, feito comparações nada profícuas, acionando o gatilho da memória de vários brasileiros, fazendo-os voltar a malfadados tempos.

Mercado de Trabalho tem o pior resultado desde 1992. Inflação acumulada é a maior desde 2003. Alta do dólar é a maior em 15 anos.

Essas e outras manchetes, secundadas por constantes imbróglios nos poderes da república, tem causados sérios danos a população brasileira como um todo. Os trabalhadores são bombardeados de informações negativas de toda a sorte. O mercado idem. Por outro lado deparo-me com setores pró-governo com manifestações otimistas. Algo do tipo: não vamos dar ouvidos às más notícias! Outros assumem a condição de portadores delas. Ficamos no meio do fogo cruzado. Abrimos a janela killer, mas queremos mesmo é ficar de frente à porta da esperança.

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