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Desenvolvimento social e economia solidária

O texto destaca alguns pontos sobre o desenvolvimento social relacionado a temática da economia solidária através de um caso brasileiro.

Sob a ótica do desenvolvimento econômico, na atualidade, há a hegemonia do capitalismo, o qual é caracterizado, por exemplo, pela dualidade entre o detentor dos meios de produção e o proletário. No entanto, este tipo de relação de trabalho, que perdura há 200 anos, tem se demonstrado, ainda hoje, em sua maioria negativa, dessa forma, novos meios de desenvolvimento do trabalho passaram a ser explorados, partindo de uma vertente mais humana, em que a competição tradicional perde forças em detrimento do fator solidário. Dessa forma, o presente texto busca ressaltar a questão do Desenvolvimento Social e da Economia Solidária, além de casos brasileiros.

De acordo com Singer (2004) o desenvolvimento solidário trata-se de um processo:
"[...] um processo de fomento de novas forças produtivas e de instauração de novas relações de produção, de modo a promover um processo sustentável de crescimento econômico, que preserve a natureza e redistribua os frutos do crescimento a favor dos que se encontram marginalizados da produção social e da fruição dos resultados da mesma." (grifado pelo autor)

De fato, o desenvolvimento solidário apresenta-se amplamente em oposição ao meio produção capitalista. Vale destacar também que se em uma economia solidária é formada por empreendimentos individuais e familiares, enquanto pela face capitalista ocorre a presença das multinacionais dirigidas por um grupo seleto , torna-se relevante analisar a que grupo cada uma desses setores acolhe. Isto que dizer que se antes havia uma exclusão, no sentido de que, ou se tornar empregado pelo empresário ou viver as margens das tentativas de sucesso frente aos próprios empresários, agora, existe a possibilidade alternativa de não somente garantir a subsistência, mas também de gerar isto em coletivo atingindo também os que estão ao redor.

Singer (2004) destaca: "Uma característica essencial do desenvolvimento capitalista é que ele não é para todos.", isto significa que diante de características como espaço geográfico, população, instituições políticas os benefícios gerados por este sistema será para alguns. Além disso, no que tange aos bens de consumo essa característica fica mais evidente. No entanto, a economia solidária não tem como objetivo opor-se declaradamente ao sistema hegemônico, elatenta consertar os prejuízos das diferenças do sistema capitalista da distribuição, repartindo benefícios e prejuízos de forma mais igual e menos casual (SINGER, 2004, p. 5).

No Brasil existe o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), criado em 2003, que trata, estuda, desenvolve e dissemina a economia solidária no país. Além disso, o FBES engloba três segmentos do campo da Economia Solidária: empreendimentos da economia solidária, entidades de assessoria e/ou de fomento e gestores públicos. Além disso, temos como exemplo de Empreendimento Econômico Solidário (EES) a Associação de Produtores e Produtoras da Feira Agroecológica de Mossoró - APROFAN. Esta tem como objetivo: "Ampliar a comercialização dos produtos orgânicos saudáveis e de qualidade para os consumidores, considerando a preservação e a conservação do meio ambiente, e promover a melhoria da qualidade de vida dos produtores da Feira Agroecológica de Mossoró " DIAS, T. F.; SOUZA, W. J. de apud (Aprofam, 2008). Dessa forma, percebe-se que a inversão da prioridade da organização gera a humanização do processo, porém mais do que isto a economia solidária trata do aspecto da autogestão em que a não hierarquização do processo acarreta também em responsabilidades e trabalho mútuo entre seus envolvidos.

Referências


SINGER , Paul. Desenvolvimento Capitalista e Desenvolvimento Solidário. Disponível em: <FÓRUM BRASILEIRO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA - FBES. Histórico. Disponível em:<http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=61&Itemid=57> . Acesso em 15 abr. de 2016.

DIAS, T. F.; SOUZA, W. J. de . Gestão Social em Empreendimentos Econômicos Solidário: o caso da Associação dos Produtores e Produtoras Rurais da Feira Agroecológica de Mossoró – APROFAM, Mossoró-RN. Disponível em : < http://anaisenapegs.com.br/2012/dmdocuments/42.pdf > . Acesso em 17 abr de 2016.

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