Desenvolvimento empresarial: como empreender?

Em minhas primeiras palestras ministradas neste ano, sobre vários aspectos do desenvolvimento empresarial, no final provoco os ouvintes apresentando slides sobre o atual cenário brasileiro, como podemos crescer e passar por esse momento sem grandes transtornos

Em minhas primeiras palestras ministradas neste ano, sobre vários aspectos do desenvolvimento empresarial, no final provoco os ouvintes apresentando slides sobre o atual cenário brasileiro, como podemos crescer e passar por esse momento sem grandes transtornos. Costumeiramente reservo tempo à plateia para perguntas e, neste momento, muitos participantes me perguntam como, de fato, podemos crescer em um momento onde tudo parece não caminhar.

Investir em novos negócios é uma alternativa desafiadora considerando o aumento do desemprego. Empreender, inovar, aproveitar a oportunidade de realizar o sonho de ter um negócio próprio, ou até como muitos preferem, encontrar uma fonte de renda que substituta o emprego anterior, e por que não, já que estão apostando em um novo negócio, fazer com que se torne uma fonte de renda definitiva, exige criatividade e conhecimento estratégico.

O primeiro ponto é entender e identificar, exatamente, quais serviços ou produtos você pode oferecer. Ter uma boa ideia é excelente, mas não é o suficiente. Para tanto, responda criteriosamente: Qual é a sua especialidade? Existe demanda na região, no bairro, na cidade, etc.? Qual será o principal benefício que seu futuro cliente terá ao contratá-lo, ou comprar seu produto? Identifique qual é o seu diferencial, mas tome cuidado para não cair no conceito comum de “satisfazer o cliente”, pois esta é a obrigação de qualquer prestador de serviços, fornecedor de mercadorias e produtos. Para se destacar é preciso fazer algo diferente e fazer bem feito.

Em outras palavras, descubra o que o seu consumidor/cliente quer, mas que sente falta no mercado. Identifique o que o seu concorrente não consegue realizar e, obviamente, analise os gargalos do mercado em que sua empresa atua. Seja diferente de seus concorrentes mostrando, realmente, seu diferencial, seu valor (não monetário somente) e, com estas informações, inicie seu planejamento.

O seu negócio precisa dar ao público um diferencial perceptível e de valor agregado, seja ele no produto, no serviço ou no atendimento.

O segundo ponto é montar seu plano de negócios de forma simples, prática e tangível. Esta etapa lhe dará o caminho por onde seguir, os possíveis obstáculos e como você poderá contorná-los, afinal, como você, muitos estão empreendendo, o que aumenta sua concorrência, inclusive na própria região de sua atuação. Não deixe para remediar os problemas somente quando aparecerem. Baseado em sua experiência e na orientação de profissionais especializados, tente prever os problemas e situações, e como você poderá evitá-los, pois, a probabilidade de não conseguir contorná-los tão somente quando aparecerem será grande.

Não se esqueça de que o índice de insucesso de um negócio no primeiro ano de vida chega à quase 20%, ou seja, de cada 100 pessoas que abrem um novo negócio, 20 não conseguem chegar ao final do primeiro ano; não desperdice dinheiro.

Basicamente, coloque no papel todos os pontos relevantes e essenciais, tais como: o que é seu negócio, qual a quantidade de dinheiro que você precisará investir, o tempo de retorno de investimento e a margem de lucro (importante para você saber em quanto tempo terá que trabalhar somente com suas economias), o faturamento mensal e anual estimado, quem são seus concorrentes, os valores cobrados por estes, quais são seus produtos e serviços, perfil de seus clientes, como você divulgará seu negócio (marketing/propaganda), preço de compra e de venda, qual será o regime tributário, ou seja, qual o tipo de empresa que você abrirá legalmente (Microempreendedor Individual, Microempresa, Sociedade limitada, lucro presumido, lucro real, Simples Nacional, etc.), custo com aluguel, contratação de profissional, possíveis riscos da atividade e em quanto tempo seu negócio “se paga”, ou break even; entre outras informações que o nortearão.

Além do preparo, suporte e planejamento o empreendedor deve se preocupar com a parte contábil, e para isso, um bom contador é muito importante. Contrate um que você confie, ou que alguém de seu relacionamento conheça e confie, pois este será responsável por toda parte de tributação, impostos, guias, entre outros, ou seja, do relacionamento entre você e os órgãos governamentais, e nada como um profissional de sua confiança para deixá-lo tranquilo cuidando de seu negócio.

Outro fator importante, e coloco como o terceiro ponto, são os lucros e dividendos. Quando se abre um negócio percebe-se que a burocracia é muito maior, e todos os benefícios antes existentes como funcionário registrado, não existem mais.

Utilizar o caixa de seu negócio como extensão de sua carteira é um dos maiores erros e responsável pelo fracasso de um empreendimento, pois se perde o controle de quanto dinheiro está saindo, e com isso, quanto de fato é lucrativo, rentável.

Opte por um salário mensal (pró-labore) condizente com a realidade de seu empreendimento (não adianta querer ter um salário de R$ 10.000,00 mensais se você fatura R$ 3.000,00) e divida os lucros no final de um período. Neste sentido, sugiro começar por anual e, após um período, ser reduzido, assim você consegue criar um fundo em sua empresa para emergências (lembre-se de que estamos passando por uma crise).

Também preste atenção nas tecnologias necessárias. É comum nos empolgarmos quando de um novo empreendimento, gastando dinheiro em equipamentos novos e modernos, cadeiras elegantes, um escritório de luxo, mas isso tudo pode consumir grande parte de suas reservas, prejudicando-o em outras áreas.

Analise a real necessidade, utilize equipamentos e serviços disponibilizados via web, hoje muito difundidos e seguros. Considere trabalhar em casa se seu produto ou serviço não exigir um ponto físico, visto que reuniões podem ser realizadas em seus clientes, ou em salas alugadas por hora com toda estrutura de apoio.

Levando tudo isso em conta é necessário acrescentar: estude sempre, recicle suas ideias, busque novos conhecimentos, novos conceitos em sua área de atuação e correlacionada.

Reserve uma parte de suas economias e de seu lucro para investir em participação de eventos, congressos, palestras, visitas às feiras, cursos que lhe tragam um maior conhecimento de sua área e do mercado em geral. Não ache que você sabe tudo e não tem mais nada a aprender; o mercado muda, e com ele, conceitos envelhecem e novos empreendedores nascem.

Existem vários sites contendo mais informações de como empreender e que podem auxiliar em sua empreitada, mas, principalmente.

Não perca as esperanças, acredite em você, em sua capacidade de concretizar algo e seja feliz.

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[1] Administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista em gestão de negócios. MBA em vendas e marketing. Habilidades em coaching, liderança e humanidade. Diretor na FVCA consultores Associados. Diretor da Lowcost Gestão da Informação. Profissional CDIA+, há 20 anos desenvolve projetos, conceitos e treinamentos especializados.

Contatos: oerton@fernandesvasconcellos.com.br | www.fernandesvasconcellos.com.br | +55 (11) 3280-3158.

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