DESENVOLVIMENTO DA NTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Não há o que discutir se afirmamos que estamos na era do Brain Power (capital intelectual/idéias). Isso é um fato e as organizações, sabendo disso, disputam os melhores cérebros, pois sabem que esses profissionais representam as reais vantagens competitivas, garantindo as sobrevivências das empresas nestes tempos tão difíceis. Frente a um tema de crucial importância, compartilhamos essas idéias, salientando que o desenvolvimento do Quociente Emocional das empresas é mais umas das responsabilidades das lideranças bem como da área de Recursos Humanos. A experiência que temos no desenvolvimento de profissionais nos faz acreditar que, realmente, a capacidade de realização pessoal e profissional está apoiada em quatro pontos, que são: o conhecimento, a criatividade, a habilidade nas relações interpessoais e a coragem. Esses aspectos não deixam dúvidas sobre a importância do conceito de Inteligência Emocional (QE) na atualidade, um dos temas mas estudados, debatidos e divulgados, afinal, a inteligência é reconhecida como a matéria mais cara do terceiro milênio. De fato, só há vantagens em alguém querer crescer, desenvolver-se, investir em seu próprio potencial e tentar ampliar seu repertório comportamental, melhorando como ser humano e como profissional. Negar-se a isto é acomodar-se, estagnar, diminuir o próprio grau de empregabilidade e arriscar a ser descartado do mercado de trabalho. Nos dias de hoje, para ser considerada inteligente, a pessoa tem que possuir um bom QI (Inteligência Intelectual: raciocínio lógico, matemático e verbal), e também um adequado QE (Inteligência Emocional), termo introduzido em 1990 por P. Salovery e J. Mayer. Esse termo referia-se à capacidade de empatia e auto-controle das pessoas. Mais tarde, Goleman publicou estudos afirmando que Inteligência Emocional seria uma síntese da Inteligência Interpessoal (habilidade de entender outras pessoas, o que as motiva, como trabalham e como atuar cooperativamente com elas) e da Inteligência Intrapsíquica (entendimento do próprio eu com elevado grau de autopercepção e autoconhecimento). Atualmente, a maior tendência é associar a Inteligência Emocional ao caráter da pessoa (integridade, ética, transparência, valores, princípios e coerência entre discurso e ação), bem como a um conjunto de talentos relativos às capacidades de: · Autoconhecimento: Reconhecer seus próprios sentimentos, sempre que aparecerem; ter consciência de si mesmo, conhecer a própria vida afetiva. · Autogerência: Capacidade de controlar os impulsos e sentimentos aflitivos; acalmar-se quando estiver ansioso e esfriar quando estiver com raiva; ter controle das próprias decisões; ter serenidade em situações de estresse. · Automotivação: Manter o otimismo diante das frustrações e derrota; ser persistente e tenaz, não desistir de uma tarefa se algo não der certo; não esmorecer. · Empatia: Habilidade de perceber e entender os sentimentos do outro; ter compaixão e compreender o sentimento alheio. Capacidade de se colocar no lugar do outro. · Engajamento / capacidade de se relacinonar: Atuar entre as pessoas, não ver a vida como um observador; não se limitar a observar as pessoas, mas encontrar alegria no convívio. Esta é uma característica que envolve todas as outras; você só pode se relacionar bem, se conseguir se automotivar, ser humilde, estabelecer empatia e administrar suas emoções. As pessoas não sentem as emoções apenas para poder chorar ou esvaziar a alma quando ela transborda, seja por sentimentos de alegria ou de tristeza, mágoas ou amabilidades, amor ou ódio, angústia e ansiedade, desejos e frustrações e assim por diante. Toda e qualquer pessoa é dotada de emoções para que possa perceber, por outros canais que não só o da racionalidade, as coisas que experimenta e as maneiras intangíveis do próprio eu e, assim, poder saber o que está acontecendo no próprio íntimo. Os líderes e os profissionais de Recursos Humanos devem insistir na possibilidade de aprender as emoções e propor formas de cada colaborador traçar o próprio desenvolvimento emocional. A título de sugestão, seguem algumas questões que podem ser apresentadas e discutidas com seus colegas e colaboradores: Que investimentos da alma, você pretende administrar mais conscientemente nos próximos dias, de maneira que possa de alguma forma medir o quanto está trabalhando ou fazendo para amadurecer emocionalmente? Meta I: Qual atividade ociosa (ouvir música, ver novela, devanear, dormir, ficar olhando um por do sol ou simplesmente ficar olhando para o nada) que lhe causa grande prazer, que revigora as suas forças, mas que você deixou de fazer ou vive dizendo que não tem tempo. Qual é essa atividade e qual a proposta que você pode formular agora para reservar alguns minutos do seu dia para fazer coisas como essas? As citações acima são apenas alguns exemplos de coisas ociosas porém, fundamentais para sua vida e que você não faz mais. Quando você pretende começar, como e quanto você se propõe a fazer novamente? Meta II: Que manifestações de emoção você tem evitado ou inibido seja lá porque razão. Podem ser razões que contam com a colaboração de fora (outras pessoas, família, etc.) e pode também ser da sua cabeça mesmo. Que tal fazer uma proposta de viver em algum momento essa emoção e como você poderia fazê-lo. Quando você pretende fazer isso, como e quanto você se propõe a fazer ou pelo menos tentar? Meta III: Existe alguma experiência (no sentido de viver ou praticar) que, se você tivesse chance de fazer, com certeza poderia lhe trazer grandes, boas e fortes emoções? Por exemplo, talvez fazer uma viagem à cidade e ou à casa onde você nasceu, ou visitar um lugar que um dia foi especialmente importante. Quem sabe, talvez onde você conheceu o(a) primeiro namorado(a), ou simplesmente passear num parque, numa fazenda, numa cidade em que você passeou quando era criança enfim, qualquer experiência emocional que valesse à pena se propor a reviver? Que tal fazer uma proposta de viver em algum momento essa emoção e como você poderia fazê-lo? Quando você pretende fazer isso ou até quando. Estipule um prazo (se possível para breve). Pelo menos mencione aqui essa emoção e pense na possibilidade de uma proposta concreta. Meta IV: Você tinha hábitos de trabalho, ou do seu modo de ser que, de repente, arrancou da sua vida, procurando adaptar-se e tornar-se mais semelhante a todo mundo? Talvez isso tenha exigido de você quase o equivalente a mudar um traço de personalidade, pensando que ele seja errado ou feio ao olhar e julgamento dos outros. Talvez esse seu modo de ser, faça parte de um lado da sua personalidade, podendo levá-lo a pensar que isso o torna menos digno ou menos respeitável pelas pessoas que convivem com você. Pensando assim, você pode ter combatido esse traço ou luta, intimamente, para mudar ou esconder. Que tal fazer uma proposta para assumir mais o seu jeito de ser. Admitir que você é mesmo de um certo jeito, e que tal característica pode, muito bem ser vivida, não como um defeito mas sim como um modo que o torna diferente dos outros. Lembre-se que todas as nossas maneiras de ser podem ser vividas com naturalidade, espontaneidade e com sinceridade. De um jeito moralmente e espiritualmente elevado, não tendo que ser algo que o diminua ou pareça reprovável. O desenvolvimento emocional, moral e espiritual depende do discernimento individual e do quanto ele é ético e preserva uma lei universal de justiça que implica em ser e fazer tão somente o que gostamos que os outros nos façam. Como já citei em outro artigo, Daniel Goleman, em A Inteligência Emocional, insinua que ninguém precisa ser um gênio para alcançar êxito na carreira, haja vista que existem outras faculdades que nos habilitam para isso e que podem ser aprendidas ao longo da vida. A dica, portanto, é ajudar os profissionais de sua empresa e de sua equipe para que usem de maneira competente, os seus sentimentos e as suas habilidades sociais e pessoais para que melhorem os próprios QEs; para isso, o líder e o profissional de RH pode ajudar o colaborador a avaliar-se previamente e saber quais são as próprias habilidades para, então, reforçá-las. Se as ferramentas adequadas forem conseguidas, também será possível dominar as habilidades exigidas pelo mundo de trabalho. E lembre-se: para atingir o sucesso, não é necessário sobressair-se em todas as atitudes citadas, mas apenas ser forte o bastante em algumas delas. Paulo César T. Ribeiro é Psicólogo, Diretor da CONSENSOrh Rec. Humanos & Tecnologia. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br Fone: 55 11 5087-8891
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.