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Desemprego: os índices desagregados do índice oficial impactando decisões empresariais
Desemprego: os índices desagregados do índice oficial impactando decisões empresariais

Desemprego: os índices desagregados do índice oficial impactando decisões empresariais

Seria aconselhável que os homens de negócios se guiassem por no mínimo dois e preferivelmente três índices de emprego diferentes

Embora não passando de meros gestos vazios em sua maior parte, a versão final do Projeto de Lei ( PL ) Humphrey-Hawkins do Pleno Emprego ( PE ) - aprovada pelo Congresso Nacional ( CN ) dos Estados Unidos da América ( EUA ) em meados do ano de mil novecentos e setenta e cinco e prometendo simultaneamente a redução do desemprego para quatro por cento e da inflação para três por cento até mil novecentos e oitenta e três, orçamento equilibrado, superávit comercial e, para completar, aumento dos subsídios agrícolas - continha ainda um elemento altamente nocivo: vinculou os EUA ao índice de desemprego tradicional.

Há anos é sabido por todos que lidam com estatísticas econômicas que esta medição, da forma como foi herdada da época da Grande Depressão, tornou-se inexpressiva e enganosa. O máximo que os poucos defensores restantes deste índice ainda alegavam é que ele mede, com considerável falta de confiabilidade, o número de pessoas na força de trabalho deste país que, estando corretas as informações de remuneração e de horas trabalhadas, estaria disponível ao menos para algum trabalho de vez em quando. Assim, por anos uma força-tarefa de economistas e estatísticos trabalhou no Departamento de Trabalho ( DT ) para desenvolver um novo índice de desemprego.

De qualquer forma, teria sido politicamente difícil conseguir fazer este novo índice ser aceito; qualquer mudança teria significado diminuir tanto a contagem oficial de desemprego como a definição de pleno emprego e, portanto, teria sido ferrenhamente combatida pelo DT. Mas a Lei Humphrey-Hawkins, embora tola como lei do pleno emprego, transformou o incorreto índice de desemprego e a igualmente incorreta e oca definição de pleno emprego em vacas sagradas.

Porém, os números de desemprego necessário considerar na tomada de decisões encontram-se disponíveis e até impressos em praticamente todos os jornais, todo mês. No entanto, segundo o que é possível ver, poucos leitores conhecem e usam estes números de forma apropriada.

Tais números são de três tipos.

1) O mais importante e mais significativo é o número e a proporção de pessoas que têm emprego no país. O emprego total é muito mais importante do que qualquer outro número relacionado a emprego. Enquanto o número de pessoas empregadas e a porcentagem da força de trabalho com emprego continuarem aumentando, os gastos de consumo também aumentarão. Se ambos diminuírem significativamente em qualquer dado período - três meses ou mais - , o consumo também cairá. E, se os dois divergirem, os homens de negócios devem ficar alerta para mudanças abrutas na oferta de emprego.

O ato de não atentar para a taxa de desemprego foi responsável por muitos dos graves erros empresariais que Peter F. Drucker dizia ter chegado a testemunhar em seus últimos anos. Como a maioria das pessoas sabe agora, tanto o número de pessoas com emprego como a porcentagem de pessoas empregadas permaneciam em alta recorde, sem precedente a história econômica dos EUA ou, na verdade, de qualquer outro país da mesma importância econômica para o mundo desenvolvido. e este rápido crescimento se deu em anos que muitos economistas, usando os números oficiais de emprego, caracterizaram como a mais grave recessão desde a Grande Depressão, referindo-se ao auge da crise do petróleo ocorrida entre os anos de mil novecentos e setenta e três a mil novecentos e setenta e nove.

Na realidade, tanto o número de pessoas com emprego fixo como a porcentagem de pessoas empregadas só caíram em três trimestres dos seis anos de mil novecentos e setenta e dois a mil novecentos e setenta e oito, e somente em eventos rápidos e súbitos. Em outras palavras, em termos de demanda de consumo e compras de consumo, não houve recessão nenhuma. Todavia, muitas empresas de produtos de consumo e de serviços, olhando somente os números do desemprego desprovidos de qualquer base real, mas oficiais, não perceberam isto e, por consequência, perderam vendas e posição no mercado. Até algumas companhias de grande porte e muito bem administradas sofreram danos substanciais e talvez permanentes porque atentaram para os números oficiais do desemprego e agiram com base no pressuposto de uma recessão severa.

2) O segundo número a observar é a taxa de emprego e desemprego de homens adultos chefes de família. Em mil novecentos e setenta e oito, ela estava ao redor de dois vírgula setenta e cinco por cento, o que, com efeito, significa severa falta de oferta de emprego e fortíssima pressão inflacionária sobre os salários. Somente em alguns poucos meses ruins de desemprego de seis a sete por cento e somente por períodos bem curtos.

O desemprego entre homens adultos chefes de família é o que o número oficial de desempregados foi originalmente projetado para medir, lá atrás, na década de mil novecentos e trinta. Naquela época, os homens adultos chefes de família eram a força de trabalho americana. Não é de surpreender, portanto, que tantas pessoas presumam que o número oficial de desempregados ainda se refira a homens adultos chefes de família. é neste pressuposto que a maioria dos economistas baseia seu orçamento de pleno emprego ou as projeções da suposta perda de renda para o país, decorrente do desemprego.

Foi também este pressuposto que fez Humphrey-Hawkins colocar o nível de pleno emprego em quatro por cento de desemprego. quatro por cento de desemprego. Quatro por cento de desemprego para homens adultos chefes de família são realmente pleno emprego nos EUA; qualquer coisa acima disto é desemprego genuíno, e qualquer coisa abaixo disto é falta de oferta de emprego. A curva de Phillips, que procura medir a relação inversa entre inflação e desemprego ( conforme a inflação aumenta, diminui o desemprego e vice-versa ) também oscila do desemprego deflacionário para a falta de emprego excessiva e inflacionário ao redor de quatro por cento de taxa de desemprego de homens adultos chefes de família tem sido um indicador mais confiável de pressões inflacionárias do que até mesmo a queridinha de Wall Street, a base monetária.

Mas é claro que o número oficial não se concentra mais nos homens adultos chefes de família. Hoje, eles constituem não mais que dois quintos da força de trabalho. Os outros três quintos são mulheres, em sua grande maioria não chefes de família, mas dependentes que recebem rendimentos do trabalho de emprego em tempo integral ou que trabalham apenas em tempo parcial; pessoas que estão oficialmente aposentadas, mas disponíveis para trabalho em tempo parcial até o nível de renda a partir do qual seus rendimentos ameaçam sua pensão da Previdência Social; muitos adultos jovens ainda sem o encargo das responsabilidades de uma família, os quais otimizam sua renda alternando entre períodos de emprego em tempo integral e períodos de desemprego oficial, quando recebem seguro-desemprego oficial, quando recebem auxílio-desemprego isento do imposto sobre a renda de qualquer natureza ( IR ); os não empregáveis cadastrados como procurando emprego para ter direito a auxílio monetário e auxílio-alimentação; e finalmente, um número considerável de estudantes em tempo integral, disponíveis somente para trabalho em tempo parcial, e neste caso, frequentemente por não mais que uma ou duas horas ocasionais num final de semana ou à noite.

Ainda assim, os homens adultos chefes de família, embora sejam apenas quarenta por cento da força de trabalho, respondem por uns dois terços de todas as horas trabalhadas, justamente por serem, em essência, trabalhadores em tempo integral. E eles correspondem á maioria esmagadora de trabalhadores qualificados, administradores e gerentes ou à noite.

Ainda assim, os homens adultos chefes de família, embora sejam apenas quarenta por cento da força de trabalho, respondem por uns dois terços de todas as horas trabalhadas, justamente por serem, em essência, trabalhadores qualificados, administradores e gerentes, e profissionais liberais.

3) O último número a se olhar é aquele que os jornais imprimem em primeiro lugar: o número oficial de desempregados. Estatisticamente, este número é uma abominação, um cozido à moda Alice no país das maravilhas, de maçãs, laranjas e red herrings ( trata-se de arenque curado com salitre e defumado - que também tem o sentido figurado de despiste - elemento introduzido com o intuito de desviar as atenções do assunto em debate. E apenas para fins de informação, há ainda um terceiro sentido do termo no âmbito de investimento: prospecto preliminar. ). Nada pode fazê-lo voltar a ser válido. Em termos econômicos, não tem significado algum. Muita gente tem tentado fazê-lo voltar a ser um número econômico significativo, mudando a marca referencial de pleno emprego dos números oficiais dos tradicionais três a quatro por cento para seis a sete por cento. Embora mais realista, ainda assim não tornaria este número útil e significativo para qualquer fim econômico - para a elaboração de projetos ou de política econômica.

No entanto, em termos políticos, o tradicional número de desemprego ainda é potente. O número oficial domina a retórica oficial, e, desta forma, induz a gestor políticos que, embora fúteis, tendem a ser dispendiosos, inflacionários e tanto mais danosos quanto menores forem os resultados reais que eles produzem. Como medida de pressão política, o número oficial de desempregados deve, portanto, ser levado a sério.

Ainda que fosse possível conseguir um livramento desta medida oficial do desemprego - e a Lei Humphrey-Hawkins tornou isto improvável de acontecer por muitos anos - , a força de trabalho provavelmente se tornou heterogênea demais para ser medida por um único indicador, qualquer que serja ele. O medidor isolado que pudesse ser válido seria ao mesmo tempo excessivamente complicado e politicamente inaceitável. Ele converteria o número de pessoas disponíveis e à procura de trabalho em equivalentes a empregos de tempo integral - da maneira como as universidades convertem estudantes em período parcial e noturno em equivalentes a tempo integral.

Ainda assim, o número teria de ser ajustado de modo a considerar as pessoas ( jovens brancos, em sua maioria ) que só estão cadastradas como desempregadas para receber benefícios assistenciais; e o número relativamente grande de jovens ( especialmente negros ) que são mantidos fora da força de trabalho pela legislação de salário mínimo.

Tal medida de equivalente a tempo integral provavelmente mostrava em mil novecentos e setenta e oito uma taxa de desemprego de aproximadamente três e meio por cento ante a taxa oficial de cerca de seis por cento. Mas até que se desenvolva um índice que reflita a heterogeneidade da força de trabalho, seria aconselhável que os homens de negócios - e também os economistas e os formuladores de políticas - se guiassem por no mínimo dois e preferivelmente três índices de emprego diferentes; o número e a proporção de pessoas economicamente ativas que têm emprego; o número de emprego e desemprego relativo a homens adultos chefes de família; e a ficção de desemprego a índice tradicional. Outras informações podem ser obtidas no livro Os novos desafios dos executivos, de autoria de Peter F. Drucker.

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