Café com ADM
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Desaprenda a ser assim, ou fique de castigo.

Não sei como você é quanto ao seu comportamento. Não sei se você se enquadra nos fleumáticos (impassíveis, frios de ânimo), ou nos sanguíneos. Se você é tímido e introvertido, ou expansivo e alegre. Se você é calmo e monástico, ou explosivo e rude. Sinceramente não sei. Mas de uma coisa estou mais que convencido: você aprendeu a ser exatamente deste jeito que é.

Não sei como você é quanto ao seu comportamento. Não sei se você se enquadra nos fleumáticos (impassíveis, frios de ânimo), ou nos sanguíneos. Se você é tímido e introvertido, ou expansivo e alegre. Se você é calmo e monástico, ou explosivo e rude. Sinceramente não sei. Mas de uma coisa estou mais que convencido: você aprendeu a ser exatamente deste jeito que é. E de outra coisa estou certo: você pode, se quiser, mudar esse seu jeito de ser. Lógico que você dificilmente conseguirá isso sozinho. Lógico que você precisará da ajuda do outro, se quiser processar essas mudanças, pelo simples fato de que dificilmente conseguimos nos perceber como realmente somos (sinto um gostinho especial quando afirmo algo que contraria frontalmente a idéia fajuta da auto-ajuda). Às vezes, esse outro precisa ser um especialista, um profissional da área. Mas, o mais importante, é que você pode MUDAR esse seu jeito de ser.

Vamos começar do comecinho, lá na sua infância. Foi lá que boa parte de seus hábitos, suas crenças, seus sentimentos e principalmente o seu comportamento padrão foram criados. A forma como você montou suas primeiras interpretações do mundo está diretamente ligada às suas primeiras experiências de convívio com os outros, principalmente a partir da relação experimentada com seus pais e irmãos. Foi lá que você aprendeu a dividir ou reter, a reagir ou aceitar, a atacar ou se defender, a manipular ou se conformar, a chorar ou sorrir. Enfim, o comportamento de seus pais e irmãos diante de suas investidas e movimentos foram determinantes na formação de seu caráter, de suas crenças, e também de seus hábitos diante dos fatos da vida. Enfim, você começou a ler o mundo pelos olhos dos outros.


Sobre este assunto, eu estou simplesmente impressionado com um programa televisivo, no canal GNT, da Globosat, chamado Supernanny. É basicamente um programa que apresenta uma terapeuta ajudando casais a superarem suas dificuldades com uns pequenos tiranos que vivem em suas casas, também chamados de filhos. Desculpe-me a ironia, mas basta você assistir uma única vez para constatar que realmente existem algumas crianças que são pequenos terroristas, sabotadores, chantagistas ou qualquer outro nome que você queira dar. Agora o mais revelador: A culpa não é delas, das crianças. Elas não nasceram do jeito que são. A culpa é INTEIRAMENTE dos pais, no caso da omissão deles. O mesmo vale para você. Na grande maioria das vezes, a culpa não é sua por você ser assim. Você foi formado, pela ação ou omissão dos que te educaram.

No caso do programa, o mais impressionante é que, ao final, depois de algumas semanas aplicando algumas técnicas, sempre, eu disse sempre, as crianças têm mudado radicalmente sua forma de se comportar e de ver o mundo. Mas o interessante é que a mudança começa nos pais. A mudança das crianças é reflexo natural de uma nova atitude dos pais. E não podia ser diferente. Salomão, sabiamente, já nos ensina isso há muito tempo. Ele diz em Provérbios: Ensina a criança no caminho que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.

Sinceramente, me tornei fã incondicional do programa (passa diariamente, às 21h, horário de Brasília). É lógico que existem defensores de outras correntes da psicologia que devem arrancar os cabelos diante das técnicas aplicadas por Jo, no caso, a Supernanny (superbabá, em inglês). Mas uma coisa é fato, funcionam. E o princípio aplicado é simples. Existem limites para o que as crianças querem, e eles precisam ser impostos; com amor e carinho, com firmeza e candura, mas precisam ser impostos. Se você acha que por causa das técnicas aplicadas formam-se ao final, um bando de robozinhos, marionetes programadas, adultinhos condicionados e traumatizados, como queiram, ledo engano! O que vemos, no fim, são crianças que liberam aquilo que todos temos, e que nascemos com ele, mas que não é externalizado, nem vivido, se não houver o ambiente ideal para tal: o amor. As crianças, depois de mudarem radicalmente seu comportamento, demonstram um profundo amor por seus pais e seus irmãos, passam a ser mais respeitosas, dialogam mais, se tornam menos egoístas, ouvem mais e respeitam o interesse do outro. Ou seja, crianças que estarão muito melhor preparadas para viver, quando jovens e adultas, em um cenário competitivo, que impõe limites e barreiras. Mas também estarão preparadas para conviver com os outros em um cenário que, apesar de competitivo e dinâmico, preconiza a prática dos relacionamentos em equipe, do ganha-ganha. Ninguém chega lá sozinho, e, para isso, é preciso saber conviver com as pessoas. E é exatamente por isso que chamo sua atenção.

Da mesma forma que as crianças apresentadas no programa aprenderam a ser como eram, e depois desaprenderam seus hábitos e crenças, para aprender a ter uma nova postura, você também pode fazer o mesmo. No caso das crianças, é usada uma técnica simples e eficiente: o castigo, a punição pela privação de seu ir e vir, a privação de seus bens mais desejados (nada de espancamento). E a razão para a punição é simples. As crianças precisam entender que agir de uma forma inapropriada ou inadequada tem um custo, um preço a ser pago. No caso, o da punição. E no seu caso? Quem vai lhe punir todas as vezes que você se comportar mal, que você reagir mal às contrariedades, todas as vezes que você agredir moralmente alguém, do mesmo jeitinho que fazia quando criança, e que talvez tenha continuado a fazer porque, no momento certo, seus pais não tomaram a devida medida corretiva? Não resta dúvida que o mundo (leia-se pessoas) se encarrega de lhe punir se você não o respeita, não se harmoniza com ele. Às vezes, as penas recaem sobre seus negócios, sobre seus familiares, e às vezes sobre você, em forma de estresse, de dores, no corpo e na alma, de isolamentos, de perdas irreparáveis (não estou falando de castigo divino, uma coisa medieval e dantesca; nosso Pai é misericordioso e cheio de amor). Estou falando no célebre Plantou, colheu!.

Só que tem gente que apanha, que sofre, que leva verdadeiras surras da vida, e mesmo assim não consegue enxergar isso como uma punição da vida. Como um castigo oriundo de suas decisões e comportamentos equivocados. Insiste, como criança, em xingar os outros, dizer que não é compreendida, porque o mundo não faz o que ela quer, não pensa como ela pensa, não vê o que ela vê. E então, o que fazer? Talvez você nem tenha mais pais a quem procurar, e mesmo que os tenha, não terão o mesmo significado de quando você estava debaixo do julgo deles. Não tem problema. Certamente existe alguém em quem você possa confiar. Alguém que você respeita, ama e que você não queira desapontar. Alguém que seja sensato, bom e amigo o suficiente para lhe mostrar o que você não está conseguindo enxergar. Que tal conferir a esse(a) amigo(a) autoridade para lhe aplicar umas boas reprimendas e uns bons castigos todas as vezes que você sair da linha? Parece uma brincadeira, mas pense nisso. Alguém que diga: Fulano, acho que você devia ficar sem ir ao cinema neste fim de semana por isso que você fez, e não percebeu. Experimente!

Última coisa. Resgatar filhos pequenos de suas condições de pequenos déspotas leva semanas. Imagine então você, que já age assim há anos! Portanto, paciência! Leva tempo. Serão necessários vários castigos. Mas valerá a pena. Basta olhar para pessoas boas e equilibradas que estão ao seu lado, e que você admira, e perguntar-lhes se em sua educação elas tiveram que enfrentar limites e castigos. Você vai ver que o castigo é bom, e educa. Portanto, assuma o comando e eduque-se. Desaprenda a ser assim, e reaprenda melhor!

Compromisso de hoje: Vou mudar, nem que precise ficar de castigo para aprender que os erros têm um custo.

Abraços, bênçãos e SUCESSO!



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