Desafios e o futuro do aftermarket

Até 2018, espera-se uma redução do volume de negócios de veículos novos. Já para o aftermarket, esta previsão traz otimismo e pode gerar oportunidades. Considerando as boas perspetivas para o aftermarket em 2016, quais as recomendações para os principais elos dessa cadeia? Leia algumas dicas nesse artigo

Estamos vivendo um momento importante e decisório na indústria automobilística brasileira, uma das principais apostas do governo desde a década de 70 e âncora da nossa economia. Atualmente, o mercado de reparação no Brasil é constituído por sua maioria (80%) de oficinas independentes, sendo a participação das concessionárias em torno de 20%. Um cenário inverso à realidade de países europeus, onde as revendedoras de automóveis têm uma participação muito mais expressiva na prestação de serviços pós-venda. O fato é que, raramente, o consumidor brasileiro faz manutenções preventivas do veículo. A cultura de reparo (quebrou, consertou), ainda é o que prevalece. Consequentemente, este tipo de comportamento impacta no volume de negócios desse setor.

Aqui, no nosso país, as oficinas representam pequenos e microempresários. Das 180 mil oficinas existentes há 10 anos, apenas a metade delas (cerca de 90 mil) mantêm operações, hoje. Por quê? (1) a evolução da tecnologia automotiva - muitos reparadores não tiveram acesso às ferramentas de capacitação para acompanhar essa evolução; (2) a informalidade era grande - não havia preparo suficiente para a administração do negócio.

Até 2018, espera-se uma redução do volume de negócios de veículos novos. Já para o aftermarket, esta previsão traz otimismo e pode gerar oportunidades. Por exemplo, o reparador pode se beneficiar da falta de renovação das frotas. A alta do dólar poderá impactar as importações e, por isso, estimular o crescimento da nacionalização de peças. Considerando as boas perspetivas para o aftermarket em 2016, quais as recomendações para os principais elos dessa cadeia?

(1) Reparadores e Oficinas, devem investir em medidas para aumentar a capacitação tecnológica de seus profissionais, especialmente para o atendimento das mais avançadas tecnologias (right to repair). Ao mesmo tempo, o mecânico deve atender clientes de forma preventiva e estar preparado para gerenciar informações de OS, e demais tarefas administrativas.

(2) Padronização de Peças - hoje, o aftermarket não segue um padrão para especificar as aplicações das peças. O mercado dispõe de informações fragmentadas e não há um banco de dados organizado, capaz de melhorar o fluxo de comunicação entre: oficinas, reparadores e concessionárias x fabricantes e distribuidores. Certamente, esse banco de dados estruturado e organizado poderia ser extremamente útil aos fabricantes de autopeças, proporcionando visibilidade das aplicações dos produtos. Com a padronização, seria possível reduzir o tempo de introdução de novos produtos no mercado. Especialistas apontam que o tempo de reconhecimento de um lançamento pelo seu público pode chegar até 18 meses. Portanto, a falta de informação gera um retrocesso, contribuindo para aumentar o número de devoluções por erro de aplicação. As perdas decorrentes por essas devoluções são avaliadas em até R$ 3 bilhões, o que representa cerca de 15% das Ordens de Serviços (OS). Já as perdas em vendas são estimadas em 6%.

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