Democracia, liberalismo ou socialismo: o que é melhor?

Toda a regra, toda a lei serve exatamente para garantir direitos e deveres, para manter a sincronia nas relações sociais. Em qualquer doutrina política há um conjunto de normas e regras que regem a sociedade. Porém, dentre todas as doutrinas políticas existentes parece que a democracia seja o modelo mais promissor ainda que não exista qualquer modelo cem por cento eficiente

Ao observarmos os princípios que regem o Estado Democrático de Direito e fazem deste um regime de equivalência de direitos, onde um indivíduo tem as mesmas responsabilidades e liberdades que o seu semelhante dentro dos limites que as leis estipulam, o fator coletividade torna-se o foco dessa política, ou seja, a maioria em detrimento da minoria.

No liberalismo ocorre o contrário: a minoria submete a maioria. Os que detém o poder possuem mais liberdades que os demais indivíduos, provocando uma espécie de darwinismo social, onde há as figuras do predador (aquele que possui a riqueza, os meios de produção) e da presa (aquela que se submete ao predador, a mão de obra). Não há igualdade, uma vez que o papel político do Estado se reduz aos limites mais básicos de atuação.

No socialismo há a figura do Estado como o vetor principal na organização, produção e distribuição de riquezas geradas por àquela sociedade. A extinção de classes provoca o suposto equilíbrio social, a tão aclamada igualdade. Ao mesmo tempo, as liberdades são iguais e assistidas por um poder centralizado na figura do Estado que regula o melhor aproveitamento da vida e do trabalho dos indivíduos que formam essa sociedade. Em contrapartida, esse controle que se faz necessário para permitir a igualdade, acaba por reduzir as liberdades individuais.

Verificando todas essas definições políticas e filosóficas podemos relacioná-las de forma combinada, considerando os mais variados tipos de democracia existentes na atualidade, em especial, em um tema que trata da inclusão social: a saúde pública. Muito mais que um direito do indivíduo, é dever do Estado assegurar e abrangê-la à todos, de modo a preservar a vida que é o bem maior que pode existir.

Ao analisar o Sistema Nacional de Saúde Americano, podemos verificar que, de fato, trata-se muito mais de um negócio do que de um direito garantido pela lei, o que revela tratar-se de um modelo comercial que possui regras e normas próprias. Se o indivíduo paga para ter acesso a algum bem (ainda que este bem seja um direito inviolável) este mesmo acesso deve ser atendido, amparado nos termos da lei que o envolvem.

Toda a regra, toda a lei serve exatamente para garantir direitos e deveres, para manter a sincronia nas relações sociais. Se não houvesse o direito, certamente não haveriam condições mínimas para a existência e manutenção do respeito e, consequentemente, surgiria a desordem total. Infelizmente, não é tão simples como parece: o direito existe, mas as pessoas, ou melhor, algumas pessoas sempre encontram meios para burlá-lo e, assim, acabam por prejudicar o próprio direito que é distorcido através de ações convenientes.

Porém, se refletirmos um pouco mais além, verificaremos que este mesmo direito nasce à partir de desejos individuais que tendencionam discussões e exposições de ideais que priorizam benefícios, as vezes mútuos, para àqueles que o negociam ao longo dos tempos. Sempre fora assim em todas as doutrinas e ideologias que o mundo presenciou, e sabendo que o homem é um ser dominador e manipulador por natureza, podemos evidenciar o rumo comercial que a saúde tomou em grande parte das sociedades e instituições globais.

Por outro lado, O Sistema Único de Saúde Brasileiro talvez seja um exemplo ímpar de funcionamento de um sistema de saúde integrado e de acesso universal. A democracia brasileira na área da saúde ainda é muito defeituosa nos quesitos organização, planejamento e investimento, principalmente, por parte dos governos federal e estaduais. Ainda estamos longe de sermos um modelo de eficiência em gestão quando comparados aos sistemas de saúde francês e inglês. Mas nossos esforços para superar dificuldades, seja por iniciativa privada, seja por ideias inovadoras na área de gestão pública, são pontos relevantes a serem considerados. Apesar de passarmos por diversas dificuldades, como hospitais mal equipados, defasados, superlotados, faltas de profissionais especialistas, entre outras, há o acesso gratuito à saúde que é estendido à toda população, independente de origem ou classe social.

O grande problema é que o atendimento nem sempre é alcançado com o êxito que se espera. Apesar de todos terem acesso, ainda há filas enormes em postos de saúde e UPPs com pessoas à procura de atendimento. Em geral, as filas começam a se formar na madrugada do dia anterior para a retirada de poucas fichas de atendimento que serão distribuídas na manhã do dia seguinte. São pessoas de todas as idades e enfermidades: idosos, mulheres, crianças, adolescentes, cardíacos, asmáticos..., todos esperançosos em conseguir a tão disputada ficha de atendimento. Ela parece ser tão valiosa quanto a própria vida do indivíduo que se dispõe a consegui-la, uma vez que pode significar sua própria manutenção de existência. E ao nascer do dia, são poucas as pessoas que conquistam a tão almejada ficha para atendimento. Às vezes, nem sempre é aquela primeira pessoa que madrugou, pois pode haver a possibilidade de não haver o especialista em determinada área no momento em que a pessoa precisa consultar.

Estes são apenas alguns exemplos que clarificam os grandes desafios que rondam as sociedades mundo à fora. Apesar de haver diversas filosofias políticas que revelam pontos importantes sobre determinadas perspectivas, não há um modelo cem por cento eficiente para se seguir. Ao que parece, a doutrina democrática representa ser o modelo mais aceito pelas sociedades globais ainda que, por algumas, sirva apenas de fachada pura e simplesmente para garantir a continuidade de alianças e negócios com outras sociedades.

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