Café com ADM
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Deixa Comigo

- Ok, chefe, está tudo certo, disse o Arnaldo.<br /> - A senhora sabe que sempre pode contar comigo, não é mesmo?<br /> Mas ao desligar o telefone não aparentava tanta confiança.

DEIXA COMIGO
Roberto Vieira Ribeiro

www.motivacaoeresultados.com.br




- Ok, chefe, está tudo certo, disse o Arnaldo.


- A senhora sabe que sempre pode contar comigo, não é mesmo?

Mas ao desligar o telefone não aparentava tanta confiança. Talvez, fosse porque a agenda já estivesse apertada e o projeto que acabara de aceitar fosse trabalho duro. Mais ainda, o cronograma apertado já estava atrasado e com jeito de missão impossível. Não foi por acaso que ele lembrou da música daquele famoso seriado. Só que nesse caso, ao invés de pegar fogo na mídia com os detalhes da missão era ele quem poderia queimar.

Foi quando entrei na sala e vi o meu amigo, que normalmente é sorridente, falador e cheio de energia, um tanto quanto acabrunhado. Com aquele jeito de criança que sabe que fez arte: quebrou a vidraça com a bola, sujou o sofá da sala, ... e está com de medo das conseqüências.
Na medida em que, o Arnaldo compartilhava comigo as suas aflições lembrei de um causo pessoal, que depois contei para ele.

A vida de palestrante faz com que eu viaje com freqüência. Então, quando estou em casa procuro participar de tudo e colaborar.
Outro dia, movi um móvel pesado do lugar porque precisavam limpar debaixo dele. Um balcão de mogno maciço com louças e pratarias: pesadíssimo, portanto. Na melhor das intenções fui em frente: imaginei ter engolido um super amendoim, ergui um dos lados do móvel alguns milímetros do chão e o arrastei o máximo que pude para longe da parede: uns poucos centímetros apenas. Foi tudo o que este candidato a Super Pateta conseguiu. Suponho que vocês lembrem daquele personagem dos quadrinhos da Disney. Ele foi um dos que eu mais gostei de acompanhar nos gibis.

Para a minha infelicidade, o super amendoim só confere poderes ao herói de ficção e o estrago estava feito: na posição em que ficara o balcão atrapalhava. No mínimo, tinha que voltar ao lugar original. Assim, o prejuízo ficaria por conta do meu orgulho pateta, super ferido. Devido ao meu foco desfocado da necessidade real, aliado a persistência, que nos ajuda a concluir as metas sem julgamentos, seja ela para o nosso bem ou mal.
Grudei naquele elefantão e o empurrei, com toda a energia que a família da endorfinas pode proporcionar. E só parei depois que vi a profunda marca que a minha atitude produziu no verniz, do piso de madeira da sala.
Você sabe como a gente se sente depois do estrago feito, não é mesmo? O Arnaldo sabia muito bem, a julgar pela forma como confirmou com a cabeça e o tanto que seus olhos abriram.
Principalmente, quando o que aconteceu foi fruto de uma má decisão, raiva ou destempero. Da miopia burra e a insistência cega que nos torna menor do que somos. Maior, só o arrependimento e a dor no bolso.
É interessante quão rápido nos formamos filósofos em momentos de crise. E o quanto amadurecemos ante o leite derramado. Se não fosse tão ruim a sensação, poderia ser método de aprendizagem acelerada!

O duro mesmo depois de fazer uma besteira é não poder comer um super amendoim e voar dali. É ter que agüentar as conseqüências, ouvir os comentários, perceber os olhares e suportar a pressão. Sabendo que poderíamos ter evitado isso tudo.
Neste ponto o Arnaldo ficou de pé e se pôs a andar de um lado para o outro da sala, remexendo com as mãos, inquieto. Ele sabia que precisava agir rápido. Mas fazer o que?

A cada olhada na marca que só aparece a pontinha, imagino o tantão que está lá e não posso ver porque o móvel esconde. Assim, vou adiando o momento de pôr a casa em ordem, sempre pensando no pior.
Mas na manhã seguinte, como ele está atrapalhando decido resolver o problema, com maior inteligência dessa vez: esvaziando o balcão do peso das louças e pratarias.
Quando a metade havia sido retirada experimentei erguer e empurrar o móvel : deu certo. O suficiente para eu constatar que a pontinha da marca no assoalho não era a ponta, mas ela toda. Quanto sofrimento a toa!

O Arnaldo deu um pulo: - Heureca! Achei!
- Eu estou vendo chifre em cabeça de cavalo. É claro que a chefe quer que eu dê conta do projeto. Mas ela sabe que não dá pra fazer milagres. Então, vou reunir a equipe e compartilhar com todos o desafio que temos. Sempre posso contar com eles! E, haveremos de criar boas alternativas para dar conta da missão, preservando os compromissos assumidos. Dito isso, disparou da sala sem ouvir o final da história.

Conclui que o sofrimento tinha valido a pena porque aprendi a lição. Será?
Imediatamente voltei a empurrar o balcão mesmo com muito peso ainda para retirar. Foi quando parei para escrever esta crônica, refleti e deixei o móvel o mais leve possível antes de recomeçar.
Toca o telefone e é a chefe, com outra missão impossível para o Arnaldo comandar.

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ROBERTO VIEIRA RIBEIRO (www.motivacaoeresultados.com.br) é coach com formação e certificação internacional, palestrante e consultor especialista em motivação e vendas, com foco em resultados. Ou seja, no aumento da performance, produtividade e vendas dos seus clientes. É autor da série de CDs Motivação & Resultados e do audiocurso A Venda Passo a Passo I, II e III, entre outros.
Este texto é um dos temas de suas palestras e treinamentos.

Contato: roberto@motivacaoeresultados.com.br / (41)3026-1414 / 3023-6414 / 272-3260

* Os créditos acima sempre devem acompanhar o texto *



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