Decadência econômica do Brasil

O Brasil vive um processo de decadência econômica, iniciado em 2012, que pode durar anos e se transformar em tendência irresistível. Os focos de alarme estão na gestão da questão fiscal, na demora em promover ajustes essenciais no arcabouço institucional do país e na completa rendição aos interesses corporativistas de burocratas e de grandes corporações. Há muito digo que o Estado foi sequestrado por interesses específicos e que não consegue resistir a eles

O sucesso econômico do Brasil nos últimos anos foi construído da interação entre o tripé macroeconômico (metas de inflação, austeridade fiscal e câmbio flutuante) e um cenário de liquidez internacional excepcional, com a China comprando tudo o que tirávamos da terra.

A liquidez acabou e os preços das commodities despencaram. Isso nós nunca controlamos (embora tivéssemos a obrigação de estarmos preparados, uma vez que cedo ou tarde isso ocorreria).

Já o tripé nós começamos a descartar em 2011, quando o governo deixou claro que, a pretexto de combater a "crise mundial" admitiria uma inflação consistentemente fora do centro da meta para "preservar o emprego", com o tiro de misericórdia sendo desfechado ontem, depois que o Ministro da Fazenda oficializou o terceiro déficit fiscal seguido, com um rombo de até R$ 117 BILHÕES projetado para 2016.

Se essa gente obtusa sobreviver ao impeachment, não duvido que até o final do mandato comece a imprimir dinheiro pra financiar as contas correntes do governo. E essa geração "contra o golpe e pela democracia" vai redescobrir o que significa overnight e o que é comprar dólares pra se proteger da inflação.

No Brasil, o fundo do poço sempre tem um alçapão.

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