De soldador a desenhista aeronáutico: o poder da prática sem certificado

Como um ex-soldador conseguiu através da prática, desenvolver um simples método capaz de ensinar qualquer pessoa sem experiência a dominar praticamente qualquer desenho técnico em menos de 23 dias sem precisar gastar rios de dinheiro com escolas teóricas em troca do certificado

Hoje é normal perceber que a cada dia mais pessoas se preocupam com o tão sonhado Certificado. Principalmente em dias de crise, onde as empresas não dão mole pra ninguém, e que somente os mais qualificados permanecem com a vaga de emprego.
Infelizmente acreditamos que só por ter aquele pedaço de papel chamado Certificado, as portas da esperança de qualquer empresa irão se abrir como num passe de mágica. Mas será que realmente é assim que funciona?
Quantas pessoas você deve conhecer com Certificações e Diplomas de dar inveja, mas que estão realizando um tipo de trabalho totalmente diferente do que gostariam de realizar? Isso sem falar naquelas pessoas que estão desempregadas, não somente por falta de experiência no mercado, mas também pelo cenário de crise que o país enfrenta.

Lembro como se fosse hoje, no meu primeiro emprego registrado numa grande empresa, quando eu ainda tinha dezoito anos de idade. Assim como qualquer jovem recém-saído do colégio, achei que sabia tudo e mais um pouco sobre a vida, e que tinha experiência de sobra perto dos demais.
Naquela época, eu já estudava em cursinhos "técnico-quase-teóricos" a alguns anos, desde a adolescência, e também acreditava que com dezoito anos tudo seria muito mais fácil apenas pelos meus Certificados conquistados em cursinhos pagos com dinheiro dos meus pais (que muitas vezes economizavam na compra do mês só para poder me proporcionar uma educação melhor). E que todas as empresas Multinacionais, incluindo a NASA (só que não) iriam me contratar só porque eu acreditava que dominava Desenho Técnico.

Ainda atuando como "aspirante" de Soldador numa empresa de grande porte do setor de Hidro-Energia em minha cidade natal, percebi que os melhores e mais respeitados profissionais da área que atuava não possuíam tantas certificações. E em vários casos, nenhuma certificação.

Era possível?! Todos os dias eu via de perto aqueles caras montando desde Vagões de Trem a Comportas Hidromecânicas, e interpretando desenhos técnicos totalmente detalhados, fazendo daquilo quase uma "Missão Impossível" já que não possuíam quase nenhum conhecimento teórico. "Pode isso, Arnaldo?"
Foi aí que comecei a perceber a diferença real que fazia aqueles profissionais serem mais respeitados dentro daquela empresa. E porque eles sabiam realmente o que estavam fazendo. Eles tinham prática. Muita prática. Mais prática do que qualquer cursinho técnico poderia oferecer, e liberdade de conversar e discutir entre si para resolver determinado processo de fabricação.
Mas como poderia, eu, um garoto de dezoito anos ocupando o cargo mais baixo como Ajudante de Produção, também conseguir todo aquele conhecimento técnico sem precisar frequentar centenas de horas de aulas teóricas e gastar todo dinheiro do meu humilde salário em cursinhos?
Ah, nada fácil. Até eu passar alguns momentos de vergonha dentro da empresa, e ser desafiado pelo Supervisor e demais colegas de trabalho. Percebi que o Certificado nada mais era que uma coisa importante no Currículo de alguém SE esse alguém possuísse realmente aquela habilidade. Descobri que só informação não era conhecimento.
Como foram importantes aquele dias. Através daqueles incontáveis dias de aprendizado, vestido com calça e camisa de manga longa por baixo do avental e mangote de raspa, enquanto o suor percorria o capuz, e a máscara com filtro permitia uma respiração melhor entre as faíscas de lixadeira e fumaça de solda, percebi que o que realmente fazia a diferença era a prática real, e não somente a teoria em troca de um pedaço de papel assinado por um "Diretor" ao final do curso.
Como era mais fácil absorver cada hora de experiência prática do que cada segundo de aula teórica. E como o reconhecimento dos colegas de trabalho e do superior era nítido no dia a dia na medida que eu também evoluía.
Quem diria que aquele garoto retraído um dia poderia estar envolvido em projetos como a fabricação do Metrô de Nova York, produção de Equipamentos Hidromecânicos para a Usina Hidrelétrica Santo Antônio, e até mesmo em projetos de aeronaves nacionais.
Quase oito anos depois, ainda tenho muito o que agradecer, não somente aos mais experientes por terem me mostrado que o verdadeiro conhecimento precisava ficar enraizado em cada fibra do nosso corpo, e não em um papel pregado na parede do quarto por uma moldura.
Aquele velho conselho de estudar por horas e horas algo simples não faz mais sentido. E eu sei que da mesma forma que eu tive dificuldade com Desenho Técnico um dia, muitas pessoas também podem ter e também podem se enganar com milhares de cursinhos teóricos mundo a fora.
Foi pensando nisso que desenvolvi um simples método sobre como dominar qualquer desenho técnico em 23 dias, sem precisar pagar um fortuna por aquele pedaço de papel chamado Certificado que as Instituições querem te empurrar em troca do seu suado dinheiro.
Meu conselho é: Se importe com o Certificado e a teoria, mas se importe muito mais com a prática. Absorva todo o conhecimento e transforme-o em habilidade. Ouça os mais experientes e canalize toda essa energia para elaborar algo mais prático. Aproveite o caminho "fácil" que alguém mais experiente já trilhou, deixando mais acessível o que antes era "difícil" ou inalcansável. Simplifique e transforme em padrões o que são tarefas repetidas, para facilitar sempre o aprendizado de alguém menos experiente.
E você? Quantas vezes já aprendeu algo que na teoria era um pouco difícil, mas a partir da prática tudo ficou melhor e mais fácil?
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