Dados do varejo em São Paulo assustam todo país

Pesquisa recente nos apresenta um cenário cada dia mais complicado mas não podemos deixar essa situação minar nossas forças. Trago algumas reflexões sobre estratégias para modificar esse contexto

O Sebrae-SP em parceria com a Fundação Seade revelou, na semana passada, dados alarmantes sobre o desempenho de PMEs (Pequenas e Microempresas) no Estado de São Paulo. O mês de janeiro teve uma redução de 20,3% no faturamento em comparação com o mesmo mês em 2015. Esse desempenho foi o pior desde que as pesquisas iniciaram em 1998.

Estamos vivendo um momento de dupla instabilidade: política e econômica. Esse fato não é novidade para ninguém e muitos não sabem como se posicionar diante deste clima caótico. Vender a crise tem mantido a maior parte dos veículos de comunicação em alta. Falo isso com muita tranquilidade por ser Jornalista. Não pensem que estou afirmando ‘que não existe crise’. Estou colocando que gerar um clima de ‘guerra civil’ só está piorando ainda mais tudo que está acontecendo. Todos estão retraindo investimentos por não saber onde pisar. A todo momento novas denúncias e dados surgem fazendo com que exista cada vez mais retração. Vender o pessimismo tem sido um ótimo negócio!

Consumidores cada vez mais cautelosos estão exigindo toda uma mobilização para que empresas encontrem formas de conquistar vendas. É de suma importância que todas as esferas dentro das empresas pensem como chamar a atenção do público. A coisa mais inteligente a fazer nesse momento é se unir. Todos estamos pensando em formas de ter uma entrega maior, mais qualificada e que o cliente se sinta satisfeito. Não podemos deixar o cliente sair pela porta que entrou sem uma sacola. Esse é o principal ponto hoje.

Dentro da minha empresa o que tenho praticado muito é expor de forma honesta o cenário, dificuldades nas negociações e ouvir muito o que a equipe tem a dizer. Como estão envolvidos com a operacionalização todos acabam percebendo muito o que está acontecendo por um outro viés. O contato direto continuo com nossos parceiros (quem já leu meus textos sabe que não usamos o termo ‘cliente’) faz com que eles escutem muito o que está acontecendo na ponta do processo. Por isso falo que é muito importante ser franco nesse momento.

O clima de pessimismo instaurado não pode baixar a energia da sua equipe. Você como líder não pode deixar que percam o foco ou pensem que o negócio vai quebrar. O questionamento é continuo: o que vem pela frente? Futurologia não é algo simples de se fazer. Imagino que muitos ‘futurólogos’ seriam milionários já que sabem tanto do que vem pela frente. O fato é que teremos que enfrentar dois anos de crise adiante, pelo menos.

Na sexta passada visitei um dos nossos parceiros que é proprietário de um Pet Shop. Conversando sobre coisas afins percebi que normalmente às sextas a loja sempre é bem cheia. “Hoje o dia está atípico”, respondeu ele. “O que me deixa tranquilo é que está assim para todos. O grupo de proprietários de pet shop está super movimentado no WhatsApp. Se as lojas estivessem cheias, ninguém estaria conversando”, continuou. Dai retruquei: o que você tem feito para enfrentar a loja vazia? “Vinnie, no nosso setor os preços são muito parecidos. Os fornecedores entregam praticamente condições idênticas a todos. Não adianta você ficar pesquisando preço de ração. O diferencial é o atendimento!”, explicou.

Essa situação acontece em praticamente todos os setores do varejo. Quem atua no B2C (empresas atendendo consumidores finais) precisa cada vez mais atuar com um atendimento ativo, competente, preocupado em realmente encontrar formas satisfazer o maior bem de qualquer empresa: seu cliente.

Tenho ficado muito atento ao comportamento dos atendentes das empresas por onde tenho passado. Enquanto em alguns lugares o tema é Big Brother, o ‘gostoso X’ que brigou com a ‘sister Y’, em outros estão com uma lista de contatos convidando para fazer uma visita ou perguntando porque ‘faz tempo que você não nos faz uma visita’. Nos meus próximos textos irei aprofundar a discussão sobre CRM (Customer Relationship Management ou sistema de gerenciamento de consumidores, em tradução livre ao português) e conversaremos sobre o impacto que essas ferramentas podem causar no seu negócio.

O mais importante nesse momento é usar a analogia da bicicleta: por melhor equilibrista que você seja se ficar parado vai cair. Então: mexa-se!

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