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Da Educação a Distância a Educação Virtual e Distribuída

A educação a distância, no Brasil, é definida pela LDB 9394/96, no artigo 80 e regulamentada pelo decreto federal 2494, de 1998, onde institui: Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação. Esta modalidade de ensino, denominada educação a distância se faz presente na realidade brasileira desde os anos 20, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro de difusão e transmissão de programas de educação a distância, via rádio. Na década de 40, foi fundado o Instituto Universal Brasileiro que utilizava material impresso e correio para a oferta de cursos profissionalizantes, na modalidade a distância. Esses dois modelos preconizavam um processo individualizado de auto-aprendizado do estudante, pelo acesso ao conteúdo do curso através de material didático impresso e/ou transmitidos, via rádio. Na década de 70, com o surgimento das universidades abertas e com a popularização dos meios de comunicação de massa televisão e rádio, foi vivenciado um modelo de educação a distância que se estabeleceu a partir do auto-aprendizado mesclado com reuniões e encontros presenciais, sessões de tutoria e com uma ênfase mais técnica no preparo de materiais didático-pedagógicos, direcionados ao estudante desta modalidade. A partir da década de 90, ocorreu uma forte diferenciação deste modelo, provocada pelo advento de novas tecnologias aplicadas ao processo de ensino e aprendizagem, principalmente pelo uso do computador, equipamentos de vídeo-conferência, além de outras mídias, sendo que todas tiveram o seu potencial ampliado, sobretudo por serem suportadas pelas redes digitais de comunicação, chegando às grandes corporações, pequenas e médias empresas e até mesmo à casa das pessoas, por acesso discado, de banda larga ou até mesmo satélite. Neste modelo vimos predominar o aumento da interatividade, a rapidez na comunicação e a utilização de recursos tecnológicos diversificados e integrados em processos de educação a distância. Considerando o desenvolvimento histórico dos processos de educação à distância até os dias de hoje, a nossa realidade está permeada por constantes avanços tecnológicos, seja na área de tecnologia da informação ou de telecomunicações, sobretudo na última década do século XX. Tal fato tem provocado complexos desafios de mercado, impostos por uma competitividade cada vez mais acirrada, necessitando e exigindo um homem sempre atualizado e com um novo comportamento social e profissional. Como resposta a esta demanda, acreditamos que os projetos atuais nesta modalidade de ensino, sobretudo para a educação superior, deve ter uma visão inovadora, integrando novos modelos pedagógicos com as tecnologias adequadas, rumo a um processo de criação de métodos e instrumentos específicos que auxiliem não só o desenvolvimento de conteúdos, mas também novas e criativas estratégias de ensino, na busca de atender as novas necessidades para a formação de um profissional moderno e alinhado aos dinâmicos e novos cenários que se formam no contexto da nova economia, digital e globalizada. Dessa forma, propomos um novo modelo de educação a distância, que ao nosso ver deverá se ampliado para educação virtual e distribuída, entendendo que virtual é tudo aquilo que não está presente e delimitado por limites físico-temporais, promovendo novas formas de interação entre professor - estudante - equipe, sempre em contato com novas tecnologias/metodologias e na busca do desenvolvimento de uma postura crítica e desafiadora na construção de novos modelos de pensamento e atuação. O ambiente de aprendizagem é devidamente ampliado e composto por todos os espaços que o estudante se movimenta, como a sua residência, o seu local de trabalho, os espaços públicos e até mesmo dentro de meios de transporte em movimento, transformando, verdadeiramente, todo o ambiente de movimento e presença do estudante em um ambiente então distribuído de aprendizagem, totalmente conectado com o seu provedor de conhecimento, que é sua escola ou universidade. Com esta perspectiva, a distância deixa de existir, porém a virtualidade passa a ser a condição de relacionamento entre o estudante e a sua escola ou universidade. Acreditamos que a concretização deste modelo dar-se-á nas seguintes condições: desenvolvimento da autonomia do estudante, diversidade de condições de aprendizado, flexibilidade, diálogo e colaboração. Levando em consideração a abordagem dialógica e colaborativa da construção do conhecimento, Paulo Freire que foi o representante legítimo de uma proposta dialógica e problematizadora do ensino, deriva então um método que aponta para a necessidade do diálogo diante de uma sociedade que está silenciada - revalorização das palavras e criação de novas condições para uma real participação de todos os membros das comunidades diante das condições que a sociedade oferece para realizar um projeto de vida. Nessa perspectiva o paradigma da educação virtual e distribuída deve criar uma nova realidade que se compõe pela participação efetiva de cada indivíduo/equipe na composição final de uma idéia, na construção do alicerce de um novo conhecimento e principalmente na concretização dessas falas dentro do processo ensino e aprendizagem. A abordagem colaborativa do processo de ensino-aprendizagem, por sua vez, tem demonstrado oferecer tanto a profissionais já qualificados quanto a estudantes em processo de formação profissional, um ambiente fértil e estimulador para que os conhecimentos, habilidades e atitudes sejam construídos e compartilhados entre todos, promovendo assim o desenvolvimento da habilidade de gerar estratégias de raciocínio de alto nível, maior diversidade de idéias e pensamento mais crítico, gerando assim um maior índice de respostas criativas, se comparadas ao aprendizado estritamente individual ou no simples e limitado estímulo a competição de desempenho entre os estudantes. Somos sabedores de que nenhum modelo é o melhor enfoque para toda a diversidade de situações, mas acreditamos que uma abordagem dialógica e colaborativa do conhecimento oferece condições para o reconhecimento do estudante como um ser sócio-cultural e histórico, inserido em um contexto de trabalho suportado por esses grupos de pessoas que deverão agir cada vez mais de forma colaborativa, no desenvolvimento de habilidades interpessoais, de comunicação, de saber ouvir e atuar de forma mais consciente e criativa para solução de problemas pessoais, familiares e profissionais, favorecendo assim o desenvolvimento de um ser humano mais completo, de uma sociedade mais justa e de um país mais bem posicionado e diferenciado no contexto de um mundo que está vivenciando intensas e rápidas transformações sociais, econômicas e de novos valores.
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