Cursos Técnicos e Desigualdades

A preparação para o mundo do trabalho tem requerido competências e habilidades desenvolvidas nas formações específicas, em cursos técnicos ou tecnológicos. O acesso a esses cursos tem enfrentado um gargalo educacional, com conseqüências danosas para o público jovem e para as empresas que precisam de profissionais preparados. Segundo o Censo Escolar de 2004, foram declaradas nacionalmente apenas 676 mil matrículas em 3027 estabelecimentos educacionais com distribuição desigual no país. A Região Sudeste possui a maior quantidade de matrículas, com 65,34% dos educandários técnicos e 64,25% das matrículas no bolo total do Brasil. A desigualdade é ressaltada quando se verifica que só o estado de São Paulo é o responsável por 38,06% das matrículas e 38,72% dos estabelecimentos levantados pelo Censo. Assim, a região mais rica do país detém a maior fatia de vagas e matrículas nos cursos técnicos, agravando as desigualdades no que tange a formação profissional. As áreas mais demandadas nos cursos técnicos são, pela ordem: saúde, indústria, informática e gestão. Os cursos de saúde apresentaram um crescimento de procura nos últimos anos e já reúnem quase 33% do total de matrículas, conforme dados do MEC/Inep de 2004. Por conta disso, o total de mulheres que freqüentam cursos técnicos(50,37%) é maior que o número de homens(49,73). Além da predominância na área de saúde, as mulheres também avançam em crescimento de matrículas nas áreas tradicionalmente masculinas, como indústria e informática. O aluno que busca o curso técnico é jovem (66,4%), com idade de até 24 anos. Isso indica que a procura por uma colocação digna no exigente mercado de trabalho tem movimentado o estudante brasileiro egresso do ensino médio para uma preparação técnica, numa perspectiva de ingresso imediato nos postos de trabalho. Quase 95% das escolas técnicas encontram-se em regiões de cidades. Dessa forma, as regiões mais pobres e com menor concentração urbana são menos assistidas por educandários que ministram cursos técnicos, agravando as possibilidades de inserção profissional dos jovens dessas localidades. A educação técnica / tecnológica é um poderoso vetor de promoção social, que possibilita a cidadania do público jovem, recém saído do ensino médio, ampliando possibilidades e criando condições de desenvolvimento econômico. As desigualdades gritantes na formação profissional no Brasil deterioram o equilíbrio entre regiões, piorando as diferenças entre pobreza e riqueza no território nacional. É preciso que o poder público atue competentemente, com políticas de formação profissional, diminuindo discrepâncias, em favor da cidadania e da inclusão dos nossos jovens, sem perda de tempo.
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