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Curso de administração perde habilitações

Folha de São Paulo - 22/07/05 Graduação fica proibida de oferecer enfoque em apenas uma área; hoje, há 240 denominações diferentes Curso de administração perde habilitações Fábio Takahashi Da Reportagem Local As universidades do país não poderão mais oferecer cursos de administração com habilitações. Atualmente, instituições que possuem a carreira têm a chance de enfocar uma área, como hotelaria ou marketing, por exemplo. Existem, hoje, 240 denominações diferentes para o curso. A decisão foi tomada pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), que publicou a resolução na terça-feira no Diário Oficial. "Isso descaracteriza o curso", afirmou Mauro Kreuz, presidente da Angrad (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração) -a entidade, juntamente com o Conselho Federal de Administração, foi quem pediu a alteração ao CNE. O enfoque em uma determinada área não constará mais no nome do curso nem no diploma do formado. As disciplinas antes oferecidas como habilitação passam a fazer parte do currículo regular. "Esses nomes são usados como marketing para atrair alunos", disse Kreuz, que defende uma formação mais generalista. Segundo ele, os vestibulandos são levados a crer que terão uma formação diferente da que realmente receberão. "Deve-se ficar claro que o curso é de administração. Muitas vezes, o enfoque a uma área é dado só no final do curso, superficialmente." A estimativa da Angrad é que 80 mil dos 650 mil estudantes de administração estejam em carreiras com habilitação. As universidades terão prazo de dois anos para se adaptar à regulamentação. Para o presidente da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino e reitor da Universidade Anhembi Morumbi, Mário Rodrigues, na prática, não haverá muitas mudanças dentro dos cursos, já que as faculdades ainda poderão concentrar estudos em determinadas áreas. "As diretrizes curriculares do curso já estavam sendo discutidas há muito tempo, e com a nova resolução, acontece uma modernização, que dará maior flexibilidade aos cursos." A medida também foi vista com bons olhos pelo diretor-geral da Unisantana (Centro Universitário Sant'Anna), Juper Crispino. Segundo ele, a mudança é positiva, pois diminui a tensão do vestibulando na hora de escolher o curso. "Chega a ser desumano pedir a um jovem de 17, 18 que escolha a carreira que vai seguir. Primeiro, ele tem de conhecer a ciência, as possibilidades da profissão. Depois, escolhe o caminho que pretende trabalhar." A Folha tentou ouvir também outras universidades paulistas, mas os responsáveis pelos cursos não foram encontrados.
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