Culpa uma forma de limitar-se

A culpa é uma forma que muitas pessoas têm de viver suas vidas, envolvidas nessa emoção ficam por vezes dias com a sensação que limita novas atitudes.

A culpa é uma forma que muitas pessoas têm de viver suas vidas, envolvidas nessa emoção ficam por vezes dias com a sensação que limita novas atitudes.

Muitas pessoas sentem a culpa como uma forma de aliviar algo que gera desconforto maior, como amadurecer ou responsabilizar-se pelos atos e escolhas.

Toda vez em que a opção é por sentir culpa existe um distanciamento do exercício de liberdade e de responsabilidade, assim como da possibilidade crescer e ter maturidade para lidar com situações mais desafiadoras.

Quando alguém é tomado pela culpa o cérebro faz um caminho que é de justificar-se ou pior cobrar-se de algo que deixou de fazer, e as vezes o padrão de pensamento vai para um padrão repetitivo, revisitando a mesma situação diversas vezes, como uma forma de aliviar o que incomoda e ao mesmo tempo intensificando o que está sem solução.

Outro fenômeno pouco produtivo é que quando há culpa existe uma ilusão de que uma pessoa poderia resolver toda a situação, esquecendo de que todo envolvido tem sua responsabilidade na experiência, seja ela qual for.

Percebo que em algumas situações, como perda as pessoas verbalizam a sua culpa como se a responsabilidade do “fato“ fosse determinada por ela, sem considerar outras variáveis, por isso é um sentimento muito infantilizado.

Mesmo numa situação extrema, como um pai que perde um filho em um acidente de automóvel e diz que é culpado por ter permitido que saísse de casa, como se o fato de deixar de sair fosse modificar a situação, esquecendo que existem variáveis que estão longe do nosso alcance. Aprender humildemente a lidar com algo que está além da nossa capacidade ou campo de ação é uma forma oposta a de sentir culpa.

Possivelmente é compreender que em nossa existência passamos por experiências que por mais que tenhamos tudo adequadamente desenvolvido por nós existem outras esferas na situação e outras ações que pertencem a outras pessoas, que é importante que cada um saiba o seu limite de ação e de liberdade, considerando o limite do outro e sua ação.

Muitas vezes meus clientes vivem separações de sociedade ou afetivas como divórcios e muitas vezes ouço que uma parte sente-se culpada, ou ambas pelo desfecho da situação.

Mesmo com a percepção de que a relação estava mais nociva que satisfatória a culpa assombra as pessoas, e na grande maioria das vezes ao aprofundar na linha de raciocínio do padrão mental e emocional, temos um padrão de sentir-se mal por sair da situação.

Como se ao ficar na situação nociva fosse melhor do que buscar relações saudáveis ou em extremos ouvir a afirmação:

- Como deixei o outro agir assim?

Compreendo que o padrão de culpa volta o olhar para fora e assim há uma “certa prepotência” e controle em acreditar que sua ação é suprema comparada ao livre arbítrio da outra pessoa.

Viver em “culpa“ ou fazer algo para evitar a “culpa” é uma conduta limitante emocionalmente e mentalmente, restringe o potencial de ação.

Mesmo que em algumas situações as pessoas sintam que são responsáveis pelos outros, ninguém pode responder por outro alguém que tem liberdade de escolha.

Isso se aplica a pais, filhos, irmão, amados e parceiros profissionais, mesmo que o vínculo e a proximidade faça parte da relação, aprender a reconhecer que respondemos somente por nossas escolhas é uma atitude de maturidade para viver a responsabilidade e o mais belo sabor da liberdade.

Talvez nossas relações mais próximas solicite essa compreensão, para sermos amorosos sem o desejo de controle e ao mesmo tempo respeitando nossos limites saudavelmente.

Em situações mais delicadas em que um pai e uma mãe quando um filho deseja praticar valores ou atitudes diferentes das deles é importante lembrar que ele é livre e, responde por seus atos no momento que tem a maioridade formal e em alguns casos a informal.

Quanto maior a libertação da culpa, mais podemos assumir e colocar generosidade em nossos atos, afinal a culpa limita a visão e a ação de amor e compreensão!

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