CRISE OU OPORTUNIDADE DE EXPANDIR SUA ZONA DE CONFORTO?

A crise como oportunidade de ampliação da zona de conforto. Ampliação como forma de criar consciência da capacidade de transformação a partir dos 3 Cs, Criatividade, Coragem e Confiança.

John Kennedy dizia que, quando escrito em chinês, a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.

Qual representação que você escolhe? Eu tenho por hábito escolher a oportunidade, adoro desafios! Sou movida por eles, meu sangue ferve, me sinto viva!

A mim, me parece que encarar a crise e “sair da zona de conforto” são ações que caminham juntas.

O que afinal faz uma pessoa mudar sua situação? É ir para a zona de desconforto ou, na verdade, criar a consciência da necessidade refletir sobre a própria zona de conforto?

Acredito que refletir sobre como se compõe essa zona de conforto, os aspectos positivos e os negativos; refletir sobre o que o faz sentir-se bem e o que o faz sentir-se desconfortável é o que devemos nos propor diante de uma situação de crise. Enfim, refletir sobre quais os sentimentos que estão implicados nessas atitudes.

Na maior parte das conversas que tive sobre a chamada zona de conforto, as pessoas revelam seus receios mais secretos:

1) O medo que os impedem de se mover, avançar e, principalmente, de realizar;
2) Os pensamentos, as dúvidas e as incertezas que literalmente os travam;
3) A mistura de medo com ansiedade que impede de pensar, de ser criativo;
4) O nervosismo diante do desconhecido;
5) A insegurança, a timidez e outras sensações que juntas se tornam um caos;
6) O hábito de focar no problema e nãos nas oportunidades.

Todos esses fatores representam um verdadeiro cadeado que dificulta a abertura das portas da liberdade e da felicidade. O medo de dar errado impede as pessoas de agirem. E, para vencer esses hábitos, a única solução é modificar a forma de encarar a situação.

Modificar, transformar ou mudar, tudo é uma questão de semântica, mas porque essas palavras provocam desconforto e soam como sofrimento aos ouvidos da maioria das pessoas?

A resposta é simples e contraditoriamente complexa. Ao longo do tempo, tenho ouvido, estudado e lido muito sobre as propostas de treinamento, terapia e coaching em torno do assunto. Todas enfatizam que as pessoas devem assumir que se encontram na chamada zona de conforto e que precisam de uma mudança para alterar sua realidade.

Como estudiosa da linguagem e coach, defendo que a maneira como lhes é apresentado o “diagnóstico” ecoa como algo muito ruim e altamente prejudicial, negativo e mesmo antagônico ao processo de melhoria. Devo concordar que mudança é algo fundamental para a evolução de qualquer pessoa, mas ao pronunciarem a inércia como confortável, pressupõe a mudança como algo desconfortável. E quem, de sã consciência, quer estar desconfortável, ou pior ainda, ele mesmo ser ator do seu próprio desconforto?

Como Coach, observo que, apesar de muitas pessoas estarem vivendo um momento difícil em suas vidas, uma relação conturbada, trabalhando em um emprego que os deprime, sofrendo até mesmo para levantar todos os dias e encarar a vida que escolheram, elas não encontram coragem para alterar essa realidade.
Escolheram, você deve estar se perguntando? Sim, escolheram, pois todos vivemos o que escolhemos. O bom disso é ter claro que as escolhas que fizemos em determinado momento de nossas vidas podem um dia não estar mais alinhados com nossos objetivos, não servindo mais aos nossos desejos, aos nossos pensamentos, aos nossos corações.

Contudo, para remover os resíduos dessas escolhas, devemos mudar nosso mapa mental. Só assim, conseguiremos realizar transformações, mudar e alcançar nossas metas. Passamos o tempo todo escutando que tudo está na forma como encaramos a vida, como pensamos, como falamos e como enviamos energia para o universo, ou seja, como somos fieis à nossa consciência.

Concordo plenamente com isso e é por esse mesmo motivo que discordo da abordagem sobre a “saída” da Zona de Conforto. Já me explico.

Até aqui vínhamos falando da necessidade da mudança e que muitas das teorias que abordam esse assunto convergem para a ideia que a positividade é a chave. Então, por qual razão insistem em querer mobilizar as pessoas pela perda, pelo desconforto e mesmo pelo impacto negativo que tais palavras encerram?

Minha intenção aqui é apenas refletir e contribuir para essas percepções, tendo em vista que o objetivo principal é o bem-estar das pessoas envolvidas em processos de mudança, essa é a minha missão, apoiá-las para que passem por essas transformações. Para isso, é preciso ter claro que as palavras são geradas a partir de sentimentos e gatilhos específicos. Além disso, são carregadas de emoção e emoção é energia. Então, também devemos mudar nossa tática para facilitar a escolha dessas pessoas.

Convido você a ler as opções a seguir em voz alta e analisar qual soa melhor ao seu ouvido. Experimente ler para outra pessoa e observe o resultado.

1) Opção comumente usada pelos treinadores de mentes: você deve sair da sua zona de conforto, largar a segurança que sente, precisa abandonar raízes, se desapegar, correr riscos.
2) Opção de abordagem Coach e Linguística, para alguns até certas doses de PNL, que acredito possa ajudar mais, já que falamos de palavras positivas: você pode ampliar/expandir sua zona de conforto, trazer para dentro dessa zona os desafios e oportunidades de experimentar-se em novas direções, de forma planejada, pode ensaiar novos passos, preparar-se para novas formas de se fazer conhecer e conhecer novas habilidades.

Agora me diga você, qual opção faz mais sentido? A que proponho é a segunda.

Mudar seu mind set ou mapa mental começa pela forma como se faz o convite. É importante que se realize o convite de um jeito que não gere a sensação de alto risco, desconforto, de abandono, ou seja de forma que não acione gatilhos indesejados. Ele precisa soar como um convite, só que provocador, estimulador que proponha ao envolvido ser sujeito de sua transformação, desejando trazer para dentro da sua Zona, os desafios que serão interessantes, a satisfação que virá das novas conquistas e habilidades desenvolvidas.

Convidar a desejar ter uma vida diferente, ter sentimentos harmoniosos e a se permitir alcançar os sonhos através das próprias escolhas. Desta forma, a pessoa poderá avaliar e se propor os desafios. Eles não serão impostos, mas sim dominados e escolhidos de forma planejada, estipulando o que virá primeiro para enfrentar. Feito desta maneira, será possível sentir-se mais forte, capaz de vencer medos, angústias, fobias e obter sucesso em empreitadas totalmente diferentes daquelas a que está acostumado a realizar todos os dias.

Proponho nesse exercício de planejamento da zona de conforto uma tarefa fácil que utiliza intensamente os 3 Cs, Criatividade, Coragem e Confiança. Dominando-os você transforma a sua realidade e combate os outros 3 Cs negativos que o assombram durante o processo de mudança, Crise, Carência e Conflito.

Levei um tempo para chegar até aqui, mas hoje, mesmo quando estou com medo, não deixo ele me travar, sigo em frente, com friozinho na barriga, com a sensação da incerteza do que está por vir. Posso dizer que tenho o que preciso: a certeza de que farei o meu melhor para conseguir o que eu quero. E essa certeza me basta para ter a confiança de que necessito e a coragem de que preciso para poder CRIAR o que é essencial.

Estudando aspectos da linguagem em minha formação de base, adotei como crença principal que a linguagem serve para viver (E. Benveniste) e como tal, serve para nos sentirmos vivos na relação direta com o outro, nos percebermos como pessoas, percebermos nossos papéis diante do outro, mesmo que esse outro possa ser nós mesmos.

Desejo dizer com isso que é pela linguagem que nos constituímos e por isso mesmo, ela é a ferramenta essencial de acesso a nós mesmos. Durante o exercício dos processos de coaching que realizo, confirmo que a linguagem precisa ser “doce”, macia aos ouvidos dos coachees. De outro modo, não convida a nada, nem a ninguém a realizar coisa alguma. Não nos é permitido acessar nosso próprio interior.

É por esse motivo que certas palavras ou expressões, em vez de abrir portas, fecham-nas.

Então, permita-se a ser carinhoso com você mesmo, busque o que traz felicidade, lhe atribua palavras especiais que representem os 3 Cs, Confiança, Coragem para que possa Criar e obter o C final, Conquistar seus sonhos, caso contrário, como diz Steve Jobs, se você não trabalhar pelos seus sonhos, alguém vai contratá-lo para que você trabalhe pelos sonhos dele.

Faz sentido para você?

Na crise, crie e se recrie!!!

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