Crise? Mas quem quer este serviço?

Empresários, executivos e profissionais de áreas diversas estão atribuindo a crise ao Governo Dilma, ao Ministro Levy e outros. Mas será que a culpa é mesmo do Governo? Não! As companhias aéreas são um bom exemplo de que a culpa não é do governo. Lançam serviços que elas querem e não lançam aqueles que os clientes querem!

Só ouvimos a palavra crise. De Norte à Sul, de segunda a domingo, todos os dias da semana, do Hora Um da Notícia ao Jornal da Globo, não passa um só dia, que a palavra “crise”, não é repetida nos jornais, emissoras de rádio, televisão, revistas e portais da internet.

Mas será que estamos mesmo em crise econômica?

Estamos vivendo um processo acelerado de mudanças em função da tecnologia, onde está difícil conviver com as novidades e também com os antigos processos. Exemplo: da mesma forma que temos profissionais ainda na era do fax, temos muitos outros profissionais nem mais enviando e-mails, só os chamados “WhatsApp Messenger”, que na periferia virou “zapzap”.

Agora o que ainda é inacreditável, é o número de empresas que ainda praticam as mais simples regras do desconhecimento de marketing, em pleno século XXI.

Continuam lançando produtos e serviços neste Brasil de maior competição de produtos e serviços, sem ouvir seus clientes e consumidores. Ou seja, de acordo com suas cabeças, ou de seus diretores, seus “criativos”, ou seus “gênios de marketing”.

Exemplo não faltam. E as companhias aéreas brasileiras são bons exemplos. Hoje mais um exemplo do que não se deve fazer, entra para coleção.

Uma companhia anunciou que vai ter internet a bordo e oferecer uma plataforma de entretenimento, como TV ao vivo, games e wi-fi.

E seu presidente ainda todo satisfeito disse a um importante jornal econômico “ser a primeira aérea da América do Sul com esse leque disponível", durante coletiva de imprensa.

Agora a pergunta: uma das maiores reclamações dos passageiros frente as companhias aéreas nos últimos tempos no Brasil, tem sido o atendimento, especialmente nos aeroportos, o cancelamento de voos, o atraso nos voos, a falta de aviso, a comunicação com os passageiros, em seguida o espaço nas aeronaves.

Essas questões não são novidade para as companhias aéreas.

Mas então, o presidente, marca uma coletiva com a imprensa para anunciar como grande novidade a instalação de conexão que se dará por meio de antenas, instaladas nas aeronaves, que vão retransmitir o sinal via satélite. E que ainda o sistema começa a ser instalado já neste semestre.

E além disso toda frota terá o serviço disponível até 2018, sendo que as primeiras aeronaves já estarão prontas em 2016.

O mais impressionante foi sua declaração que “os investimentos em tecnologia ampliam a competitividade para atrair passageiros, inclusive corporativos”.

E por último uma frase lapidar “O preço ainda não está definido, mas custará entre US$ 10 e US$ 20 (algo entre R$ 31 e R$ 62). Viajantes frequente terão desconto - a eles, sairá por algo entre US$ 3 e US$ 5. De acordo com o presidente, será uma boa maneira de obter receitas adicionais”.

Mas a preocupação da empresa é com o cliente ou com a receita da empresa? Claro é uma empresa privada, tem que ter lucro. Mas é esse serviço que o cliente quer? É por esse serviço que o cliente espera pagar?

Uma vez mais, percebe-se que Inteligência Competitiva, ou seja, a metodologia que utiliza técnicas para monitorar mercado, ouvir clientes e consumidores, elaborar perfis de empresas e clientes corporativos, ainda está longe de ser entendida por empresários, presidentes e executivos das empresas que atuam no mercado brasileiro.

Estes executivos continuam atribuindo a crise, ao governo Dilma, ao Ministro Levy, a sua falta de conhecimento para uma melhor gestão, baixos resultados de suas empresas para seus acionistas e a demissão de pessoas, ao fato de impor aos clientes e consumidores o que eles não querer comprar, simples assim!!!

Parece que 50 anos de ensino de marketing no Brasil, ainda não foram suficientes para as empresas terem ofertas de melhor qualidade neste Brasil de "crise" para "inglês" ver.

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