Crise financeira do Estado versus Olimpíadas: O paradoxo brasileiro

Entenda

O mundo globalizado provoca uma série de consequências positivas e negativas. A velocidade da internet e, sobretudo, a das redes sociais, propagainformações de modo inimaginável, cujos resultados se mostram incontroláveis e imprevisíveis.

Esta mesma velocidade constatada com a inclusão digital, também é observada nos impactos econômicos em momentos de crise, daí a expressão "onda econômica". Nesse sentido, é inegável que o mundo moderno vive momentos difíceis e a economia brasileira também sentiu os efeitos da "crise".

É bem verdade que os últimos acontecimentos noticiados pela mídia, como por exemplo, os escândalos de corrupção que envolveram as mais altas autoridades do país, a derrocada de sociedades empresariais brasileiras reconhecidas internacionalmente como a Petrobrás e a crise política que se instalou nos Poderes da República, em muito contribuíram para esse desastroso cenário. Contudo, não se pode tentar justificar o injustificável, pois as alegações de alguns representantes de entes federativos de que o orçamento está comprometido é minimamente irresponsável. A população quando acredita e, por isso, elege alguém que se propõe a ser um gestor público, espera destes uma boa governança.

Poderíamos abordar o conceito de boa governança de forma técnico-jurídica, mas preferimos fazê-lo sob o enfoque empírico em que, como cidadão, observamos as mazelas da má gestão pública. A inusitada Decretação de Estado de Calamidade pelo Estado do Rio de Janeiro por questões financeiras, nos faz refletir em que medida falhamos.

Falhamos? Quem, nós? Sim! Nós, na primeira pessoa do plural! A sociedade brasileira deve refletir sobre a sua parcela de responsabilidade, que talvez surja por termos eleito mal os nossos governantes. Talvez por termos sido negligentes em escolhermos nossos representantes no parlamento ou, até mesmo, por sermos omissos em movimentos políticos decisórios em nosso país. O fato é que precisamos refletir sobre o país que queremos deixar para nossos filhos e netos. Contudo, é importante lembrar que o futuro começa no presente e, sendo assim, é o que estamos fazendo hoje que mudará o amanhã.

O cenário é triste, mas sou otimista!

Talvez por isso, veja com bons olhos as transformações que vêm ocorrendo no Brasil, muito embora, ainda bastante tímidas e muito aquém do modelo ideal que precisamos e almejamos.

Não queremos dizer com isso que somos culpados pelo péssimo estado da saúde pública e do déficit educacional, mas sim, ao menos insinuar, que o "efeito" Jogos Olímpicos criou ou tenta criar em parte da população, um movimento anestésico típico dos eventos que reúnem grandes massas, como Copa do Mundo, Rock in Rio, etc. Parece que vivemos em dois lados de uma mesma moeda! De um lado, as Olimpíadas prometendo deixar um suposto legado incalculável, que com todo seu esplendor e glamour promove a gastança desenfreada de dinheiro público com equipamentos urbanos que começam a se desintegrar durante ou logo após a sua inauguração. E de outro, a crise financeira que atinge fortemente o Estado, que inclusive compromete os vencimentos dos seus próprios servidores, em especial o dos aposentados que são os que mais sofrem com esse absurdo. Isso para não falar na falência do Estado, na implementação de políticas públicas e no comprometimento com a concretização dos direitos fundamentais da sociedade.

Sinto pelos atletas que treinam incansavelmente durante anos para mostrar suas respectivas performances que, em muitas vezes, dura apenas fração de segundos, onde um pequenino erro, mínimo que seja, pode arruinar toda a preparação. Ocorre que esses atletas estão do mesmo lado que nós e não podem sofrer pelo descaso das autoridades públicas, porém a sociedade também não pode pagar essa conta. Logo, quem a pagará?

Enfim, rogo que um dia essa moeda que o Estado mostra existir seja usada em nosso favor. Dessa forma, com um toque de sorte ou de magia, a joguemos para cima como ocorre no início de uma partida de futebol e que ela caia ao chão virada para o lado do mundo do faz de conta das Olimpíadas, porque o outro lado......ah, esse está sendo muito cruel para todos nós!

Cláudio Carneiro

Advogado especializado em Direito Tributário e Financeiro e Escritor

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