Crise estrutural: o que está havendo com o Brasil?

Escrevemos, tempos atrás, um artigo que visava demonstrar como o Estado tende a inchar, e como funciona a estrutura do Estado Brasileiro. Neste artigo voltamos a bater no tema, mas dessa vez tentando demonstrar como que se instaurou tal crise de Estado, econômica e política, tal como a trinca entre Governo e Congresso. Acredite, não é nada disso que você está pensando

Escrevi a um tempo atrás (Leia aqui) uma síntese de como se instaura um sistema de Estado inchado e parasitário, através de captura de instituições representativas do povo, como sindicatos, tal como captura do senado e das empresas, algo que exige uma quantidade de recursos grande, demandando uma máquina inchada, e, assim sendo, pudemos notar que há um alinhamento entre objetivo e meios. Todos os mais poderosos pertencentes a esta sociedade, (órgãos representativos, governo, grande empresa) tem interesse em instaurar tal estrutura, cabendo apenas ao povo saber refrear este avanço parasitário.

Desta forma, é de interesse do Estado manter o povo doutrinado. Educação e formação de cultura questionadora são coisas repulsáveis pelo mesmo. Além disso, é preciso manter o povo, ao menos, ligeiramente satisfeito, com alguns programas sociais e algum certo crescimento econômico, visando ganho de renda e poder de compra gradual, afinal, muito mais difícil alguém reclamar de contribuir com hum real detendo de cem reais, do que hum real quando se tem apenas dez reais.

Contudo, esse sistema enfrenta um problema: Ele é autodestrutivo, e sabe-se disso. E assim o é porque quanto mais se tem, mais se quer, e quanto mais o Estado incha, mais sufoca a economia, provocando movimentos cíclicos, ou seja, originando, tempos em tempos, crises econômicas. Em países com essa estrutura, é bastante comum que a crise leve o povo a questionar, e de certa forma, investigar o sistema político. É por esse motivo que quase sempre crise econômica vem seguida de crise política, que se agravam entre si.

É sabido pelo Estado que se chegará a este ponto. Sendo assim, enquanto há movimento de crescimento é preciso ganhar aliados e engazopar o povo. Esse processo exige não só habilidade de lidar com essa situação, como também de refrear a ganância de outros parasitários que querem se apoderar dessa estrutura. Maestria política, boa retórica e, se possível, um bom marqueteiro, são indispensáveis a esse processo. (Hitler que o diga). O processo de preparação para o colapso inevitável ajudará o Estado a manter sua estrutura. Pode ser que algumas cabeças tenham de ser sacrificadas, mas o Estado jamais, ele manterá seu inchaço, conservará ao povo o submundo da crença no paternalismo e planejamento estatal como saída para a pobreza, fazendo com que a nação impute culpa ao Governo por eventuais fracassos, e não ao Estado (a culpa foi do planejador, e não devido ao fato de ser impossível planejar algo pautado em ações assimétricas de milhões de pessoas). Como foi pertinentemente colocado em algum trecho do filme “Tropa de Elite 2”: “O sistema da a mão para não perder o braço”

Para que a sociedade se molde e liberte-se de todo o parasitismo, se faz necessário perceber as reais funções de um Estado saudável no intento de não cair na armadilha do “enriquecimento fácil”. Uma sociedade rica se constrói com trabalho duro, não com Estado inchado, e isso exige desta sociedade cultura política e econômica que, obviamente, não interessa ao Estado prover. Assim, caberá àqueles que detêm de conhecimento para o tal instaurar instituições independentes que visem prover educação de base, buscando a construção de uma geração nova e questionadora, ciente de suas responsabilidades e das responsabilidades do Estado.

Mas, voltando ao tema central aqui tratado, como chegamos ao esfacelamento desta estrutura? (que não reflete em rompimento da estrutura de Estado necessariamente, e sim de Governo). Quando a crise se instaura, falta recurso para alimentar o sistema como um todo, tal como a população, e ambos passam a cobrar o Governo.

Em 2008, quando apontávamos para uma crise impulsionada pelo mercado externo devido a nossa – ainda – grande dependência, o Governo condutor do Estado (ambos corruptos) não poderia deixar que todo o aparato ruísse, o que seria prejudicial ao seu projeto de poder de longo prazo que, diga-se de passagem, estava sendo conduzido com maestria até então, e tratou de “dar um jeito”. Elaborou políticas no intuito de garantir o crescimento – insustentável – por algum tempo, tal como guarnecer os alicerces de seu Governo, usando de artifícios como benefício fiscal às montadoras (redução do IPI), obras a rodo para as construtoras (copa do mundo), ampliação de gastos públicos para manter o sistema, e para não gerar inflação, praticou um falecido controle preços, mantendo a população anestesiada, ao mesmo passo que reduziu na marra os juros para que o povo se mantivesse gastando e alimentando o sistema. Assim, todos os mais poderosos e beneficiados pregavam horizontes maravilhosos para a economia, mesmo sabendo que, na verdade, o futuro era tétrico. Chegando ao colapso, a estratégia já estava traçada, a culpa seria imputada ao Capitalismo malvado e ao terrorismo da oposição e dos pessimistas, ou, se preferir, a máxima petista: “tudo culpa da elite Branca”. Mais fácil sacrificar uma minoria, não é mesmo?

A crise econômica – inevitável, devido a pilares insustentáveis – chegou. Muitos especialistas se perguntam indignados: “Como o Governo foi capaz de tamanhas trapalhadas econômicas? ainda mais tendo em vista a capacidade técnica de Dilma Rousseff” Corriqueiramente me questiono: Será que não lhes passa pela cabeça que tudo pode ter sido premeditado? Será que não enxergam que o Estado parasita estava tentando manter-se vivo?

Mas a crise escapou do controle do Governo, que subestimou a inteligência do povo Brasileiro. Até fomos enganados por certo tempo, é verdade, o que garantiu a manutenção governista, mas a proposta de culpar a “elite branca” não colou por muito tempo. O resto da estrutura de Estado começou a perder a paciência com a falta de recursos e com a cobrança popular. Muitos adotaram a estratégia de romper com Governo a fim de tentar manter, de alguma forma, sua participação no montante do Estado, e iniciaram, assim, uma guerra política, tendo em vista que o Governo, obviamente, resistiria, pois não poderia permitir ser cortado. A briga, como diria minha falecida avó, virou “briga de peixe grande” entre executivo e legislativo. “Qual mão será cortada para manter o braço?”

A “parafernália” criada por esse cenário salientou a gravidade da crise econômica, uma vez que tem elevado a incerteza do futuro, o que tem acarretado em queda substancial na qualidade de vida do povo Brasileiro que, assim, aumentou, quase que na mesma medida, o tom das cobranças, acentuando cada vez mais a exigência em investigar o funcionamento de todo este sistema parasita. O Estado, obviamente,vem tentando se defender como pode, jogando a culpa na “outra mão” via acusações e pautas bombas, tentando sabotar as operações de investigação (Lava Jato), e, como o efeito surtido não tem sido dos melhores, partiu-se para tentativa desesperada reaver as alianças políticas em prol de vossas cabeças (cedendo ministérios).

E nós, nação Brasileira? Estamos assistindo e descobrindo como funciona esse “circo dos horrores”. Resta-me saber se nossa cobrança será por destituição do Governo ou redução do Estado.

PS: O objetivo desse texto segue a mesma linha do texto primeiro. Crítica severa à estrutura de Estado, e não de Governo. As críticas ao poder executivo e legislativo aqui tratadas são críticas complementares.

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