Crise? É possível enxergar o copo meio cheio!

Em um mundo corporativo tão competitivo não existe espaço para lamentações. São em tempos de crise que os “diferentes” se destacam. É possível enxergar o copo meio cheio, basta um pouco de criatividade, competência e visão!

Não é preciso ser um grande investidor, economista ou nem mesmo ser um aficionado por política para saber que o Brasil vive, em 2015, um dos momentos de maior turbulência econômica e política de seu passado recente. A inflação beira os dois dígitos, os economistas estimam que o PIB brasileiro encolherá 1,70%, os juros reais brasileiros são atualmente os mais altos do mundo, o real sofre sua maior desvalorização na história e, para conturbar ainda mais, o governo apresentou uma proposta de Orçamento da União para 2016 com deficit primário de R$30,5 bilhões! O cenário é aterrorizante? Nem tanto! Como disse Jorge Paulo Lemann em um recente evento com empresários no Instituto Endeavor, o Brasil nunca é tão bom quanto poderia ser, mas também não é tão ruim quanto falam.

O mercado de tecnologia é um ótimo exemplo disso. Segundo a Fundação Getúlio Vargas o mercado de TI no Brasil triplicou nos últimos 10 anos e a tendência segue sendo de crescimento em 2015. A consultoria IDC estima que os investimentos em tecnologia no país chegarão a U$165,6 bilhões este ano, indo totalmente na contramão da economia.

O estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, anunciou este mês um investimento de R$18 milhões exclusivamente em tecnologia e inovação. O seu diretor do departamento de Ciência e Tecnologia, Renato de Oliveira, justificou o investimento dizendo que inovação é a saída para superar um momento de crise.

De fato, a inovação pode ser a resposta. Existe atualmente uma ascendente adoção de soluções visando transformar as cidades em “Smart Cities” (Cidades inteligentes), ou seja, soluções que auxiliam as cidades, através de uma gestão eficiente e integrada, a otimizar seus custos e investimentos. São projetos que mudam completamente a forma de gestão atual, o que exige um grande investimento em infraestrutura, soluções e serviços. Veja mais em um artigo anterior: (Smart Cities: Como a tecnologia se tornou uma aliada da gestão urbana)

Um país em crise pode ser também um grande celeiro de oportunidades. Em tempos difíceis as empresas buscam cada vez mais precisão em suas tomadas de decisão, baseando-se em indicadores confiáveis que as permitam definir suas estratégias de negócio de forma ágil e embasada. Cenário perfeito para a ascensão de ferramentas e serviços com essa finalidade.

A empresa americana de análise de dados Tableau, por exemplo, cresceu 120% no último ano, sobretudo no Brasil e no México. Sua maior concorrente, a sueca Qlik, também cresce exponencialmente. A explicação é simples: se o momento é ruim todo passo precisa ser certeiro, assim, soluções que permitam melhorar o acesso e a análise de informações tornam-se grandes aliadas nas definições de estratégias.

Outra tendência tecnológica em um ano tão atípico é vermos cada vez mais as empresas sedentas por soluções e serviços que possam otimizar operações, automatizar tarefas, monitorar resultados, identificar tendências ou até mesmo antecipar algum problema. Estamos definitivamente entrando na era do BI (Business Inteligence), BPM (Business Process Management), APM (Application Performance Management) e afins. A Dynatrace, líder em soluções APM, ilustrou bem este cenário ao anunciar no último mês que encerrou seu ano fiscal em 2015 com um crescimento financeiro de 58% em relação ao ano anterior.

Mas não são apenas os softwares de “gestão inteligente” que podem se destacar esse ano. Outro grande exemplo de oportunidade em um cenário de crise econômica vem da imprescindibilidade de reduzir e otimizar custos. O já ascendente mercado de cloud computing, por exemplo, virou a principal aposta do segmento de tecnologia em 2015, pois permite, dentre outras coisas, que as empresas reduzam custos de operação e de infraestrutura ao hospedarem seus ambientes tecnológicos em datacenters terceirizados. Essa “migração” para a nuvem gera uma grande cadeia de oportunidades para quem trabalha no setor pois suscita, além do contrato de hospedagem propriamente dito, investimentos em licenciamento, sustentação e serviços. Falando em serviços, a crise é também um ótimo momento para as consultorias, que oferecem as empresas a possibilidade de contratarem serviços especializados de forma pontual, diminuindo consideravelmente seus custos com contratação e manutenção de equipe própria.

Além das oportunidades criadas pelo momento temos também os segmentos que não param, independente do momento econômico vivido pelo País. O setor bancário, por exemplo, depende cada vez mais de tecnologia. O Banco Bradesco tem atualmente cerca de 92% de todas as suas transações feitas por meio digital e estima investir mais de R$ 5,2 bilhões em tecnologia este ano. O mesmo acontece com o Itaú, que inaugurou em março um novo data center (de tamanho equivalente a 114 campos de futebol) em Mogi Mirim.

Como podemos ver, existem oportunidades em tudo que possa, de alguma forma, auxiliar as empresas a otimizar sua gestão, melhorar seu nível de serviço e reduzir seu orçamento sem perder competitividade. Em um mundo corporativo tão competitivo, não existe espaço para lamentações, são em tempos de crise que os “diferentes” se destacam. É possível enxergar o copo meio cheio, basta um pouco de criatividade, competência e visão.

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