Crise à vista - hora de reestruturação empresarial

Já está confirmado que estamos em crise. O momento exige check up no modelo de gestão

Repensar totalmente a estrutura na qual se baseia seu negócio é, sem sombra de dúvidas, o primeiro passo a ser dado diante do atual momento no qual as empresas estão submetidas. Todos os segmentos de negócios estão ou serão afetados, com maior ou menor intensidade, pelos desafios da desestruturação do ambiente econômico brasileiro. Diante disso, decisões estratégicas são um imperativo para a sobrevivência da estrutura de negócios. Daí surge a necessidade de se realizar a Reestruturação Empresarial.

A Reestruturação “trespassa” toda a estrutura da empresa, “sem choro nem velas”. Tem que se questionar tudo que agrega e que não agrega valor ao negócio, além de inúmeras decisões que são orientadas por um objetivo traçado mediante o Diagnóstico Empresarial, atividade que antecede ao processo de Reestruturação.

Vamos compreender parte do que compõe este processo:

Estrutura financeira: o ambiente econômico dos últimos 10 anos fomentou o crédito, o que fez toda a economia avançar neste recurso das mais variadas formas, agora, com a retração econômica, vemos o crédito ficar cada vez mais escasso. O que acontece é que muitas empresas estruturaram seu fundamento de fluxo de caixa na captação de crédito (fornecedores ou bancos), bem como na concessão de crédito (clientes). Como esta estrutura já está parcialmente corroída, pois contrair crédito ficou mais difícil e conceder tornou-se perigoso, é preciso redesenhar estrategicamente o fundamento de geração de caixa da empresa. Isto envolve decisões relativas a: público alvo, reavaliação de produtos, estrutura da empresa, segmentação, custos, enxugamento de despesas, revisão da estratégia comercial, etc.

Vendas: aqui entramos em uma das áreas mais críticas de qualquer negócio. Vender mais, na opinião da maioria dos empresários, resolve todos os problemas, o que não é verdade. Se sua empresa vender excelentemente bem um produto cujo custo foi mal calculado o próprio sucesso da equipe de vendas pode fazer o fracasso do negócio. A equipe de vendas precisa se refazer diante da atual escassez de recursos. O cliente como é de se esperar, pressionará muito mais, exigirá ainda mais descontos, benefícios, prazos, etc. Significa que a pressão será exercida dos dois lados: por parte da empresa exigindo que se venda mais, com melhores condições, com menos descontos e para os melhores clientes. De outro lado, os clientes, já pautados pelas suas necessidades de fazerem mais que antes, o melhor negócio, exercerão uma pressão desmesurada sobre os preços de vendas. Neste cenário o treinamento da equipe de vendas para saberem como vender o valor dos produtos já não é mais um diferencial, mas condição de “continuar jogando”.

Operação: um estudo realizado pela Conference Board avaliou o avanço da produtividade de todos os países nos últimos 10 anos, dentre eles vale comparar dois que fazem parte dos Brics (China e Brasil), no período avaliado a produtividade da China avançou 152%, enquanto que no Brasil esta taxa foi de vergonhosos 12%. Lembrando que produtividade pode ser compreendida como fazer mais com os mesmos recursos. Nisso estamos perdendo feio. Os motivos são vários, desde a idade média das máquinas, às técnicas obsoletas de gestão de processos, a ausência quase que total de metas de produtividade, desconhecimento quase que geral de gestão de gargalos, falta de treinamento, movimentação excessiva de pessoas e materiais, dentre outros fatores. É fundamental reestruturar a operação produtiva, fluxo de documentos, de comandos, de comunicação e de materiais.

Estoque: a ausência de crédito, que já falamos, impacta diretamente na necessidade obrigatória de buscar a melhor gestão de estoque possível. Controlar e manter o estoque mínimo necessário para competir e alimentar a área comercial são agora condições estratégicas. Aquilo que na década de 90 se chamava Just in Time, voltará à tona com força total. Podemos compreender que no que diz respeito à gestão de estoque a empresa terá que fazer uma lipoaspiração. Esta necessidade exige uma disciplina na gestão de produtos bem como um software adequado que proporcione esta rotina de forma prática e eficiente.

Custos: agora não basta apenas refazer os cálculos do custo dos produtos ou dos serviços, temos que questionar incansavelmente os custos. Retirar, substituir, alterar, excluir, dimensionar, diminuir serão verbos que devem ser cada vez mais comuns no discurso interno das empresas. É preciso senso crítico, criatividade, coragem, determinação e vontade de agregar o máximo de valor com o menor custo possível. Este é um diferencial estratégico por si só. Vale a pena debruçar incansavelmente sobre este tema. Você pode dar o “pulo do gato” e ganhar a dianteira sobre seus concorrentes concentrando esforços nesta área.

Produto: Alterar, excluir, incluir, repensar, lançar, redesenhar produtos. Iremos assistir inúmeras decisões estratégicas orientadas para este quesito. As empresas repensarão criteriosamente os seus produtos (ou serviços), de forma a oferecer valor reduzindo custos, ou até adicionando valor sem elevar os custos. Este valor pode ser tangível ou intangível, a depender da criatividade de seu marketing. Se o valor a ser agregado for surpreendente para seus clientes você poderá, em plena crise, vender produtos por valores maiores, o que parece um contrassenso, mas não é. Observe que o cliente compra o benefício do produto, o impacto do produto, a transformação ou solução do produto, e não o produto em si.

Liderança: mandar fazer, corrigir procedimentos, exercer autoridade, punir atitudes inadequadas, tudo isso está longe de fazer parte da rotina de um Líder (com L maiúsculo). O líder deve agora exercer a liderança elevada ao mais alto nível. Como isso funciona? Vamos lá: liderar está cada vez mais longe de ser o exercício dos verbos citados no início deste tema, trata-se de outra coisa, muito mais abrangente e transformadora. Liderar é a habilidade de criar um objetivo, uma meta, uma causa que possa orientar as decisões grupais e pessoais a todo o momento. É preciso conseguir “hastear uma bandeira” para que todos possam reverenciar. Liderar é conseguir, a cada palavra, atitude, decisão e discurso, fortalecer a causa comum, o objetivo compartilhado e a meta conjunta. O líder é quem aponta para a direção certa, que age e motiva a agir de forma coerente na orientação deste objetivo. De resto é ser apenas um chefe que ganha mais. Desculpe a sinceridade.

Pessoas: Peter Drucker, o maior teórico de administração do sistema solar, afirmou que as pessoas são o único valor real que as empresas detém, o resto são coisas que depreciam. Eu concordo. A maioria das empresas afirma que respeita as pessoas que fazem parte da equipe, porém, respeitar a equipe é, em primeira instância, dar a elas o “seu papel”. Se já falamos que a produtividade brasileira é vergonhosa, nada melhor do que passar a questionar como atribuímos papel às pessoas. Nas empresas existem pessoas certas nos lugares errados e pessoas erradas nos lugares errados. É preciso identificar, conforma sustenta o Consultor de Operações Vanderlei Santana, se a pessoa Pode, Quer ou Sabe fazer o que se espera que elas façam. Se pode, por que não faz? Se a pessoa sabe, porque não executa? E se quer, porque não é autorizada a fazer. Este questionamento, se colocado e discutido individualmente com a equipe, faz descobrir coisas “do arco da velha” que podem estar prejudicando o desempenho da empresa e minando a motivação geral, criando por consequência um ambiente pouco estimulante. Se for muito difícil o que eu disse até agora, faça apenas este questionamento individual de forma sincera que você já terá dado um passo grandioso rumo à reestruturação.

Planejamento: Você que é líder quero te convidar a parar de trabalhar. Isso mesmo que você leu. Você deve parar de trabalhar. Parar, parar mesmo. Vou explicar: você tem que, definitivamente, realizar o plano, coordenar a equipe para executar o projeto, liderar procedimentos orientados pelos objetivos. Estabelecer, comunicar e esclarecer o cronograma. A meta, que já falamos, cria condições para que se crie um plano de ações. A tarefa do líder é proteger, cuidar, lembrar, comunicar, cobrar, fazer executar as etapas que levam ao objetivo. Isto está muito longe ser compreendido como trabalho. É primeiro, criar a meta, depois desenvolver o passo a passo, daí pregar, evangelizar, lembrar, motivar, parabenizar, reconhecer, premiar, ajustar e, por consequência, atrair e reter os melhores talentos.

Reestruture seu negócio e faça a concorrência comer poeira.

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