Criatividade em rede: os meus 15 cliques de fama

Esse texto discute a internet como espaço para construção de nossas identidades, além de ser uma vitrine para expor trabalhos criativos. Vale pensar na internet como uma plataforma para expandir nosso capital intelectual e artístico

Eis que chegou o dia da avaliação de uma das mais difíceis disciplinas do semestre. O professor, consciente da importância da prova, a preparou com todo cuidado para que o conteúdo não fosse cobrado em excesso, tampouco, estivesse fácil demais. Dos 40 alunos da turma, 39 estavam presentes. À medida que terminavam, saíam de sala com rostos que alternavam confiança, alívio e tristeza. O professor observava tudo atentamente.

Poucas horas depois, já em casa, decidiu acompanhar as novidades em uma rede social. Imagina quem havia postado naquela manhã uma foto na praia, toda pimpona, curtindo um sol escaldante? A jovem que faltou a avaliação. O professor sabia que a faculdade permitia aos alunos, em caso de falta justificada, fazer a prova em outra ocasião. No entanto, solidário ao esforço e “compromisso” dos outros 39, decidiu tirar um print da tela do computador e levar o caso para a coordenação.

Essa história foi contada por um querido colega e diz respeito sobre o que as pessoas têm feito diante de uma plataforma tão incrível para divulgação dos trabalhos criativos, como a internet.

Para começo de conversa: cada um faz o que quiser de seus perfis. Mas isso não impede que, diante de uma foto na balada, no trabalho ou na cama, os amigos que a veem comecem a especular sobre a vida dos outros.

E quanto a nós? Como temos usado essa belezura coletiva que é a internet? Para pesquisar talentos, ampliar a bagagem cultural e explorar o nosso capital criativo? Ou, então, para sustentar uma autoimagem frágil, que se alimenta de comentários e fotos de cunho narcísico, cuja aprovação dos amigos torna-se motor de um ciclo sem fim?

Na internet, cada um se expressa como convier; somos livres para criar o nosso avatar. Por outro lado, quem nos acompanha na rede pode conjecturar (mesmo que sem permissão) sobre o nosso estilo de vida, por meio dos nossos rastros deixados.

Felizmente (UFA!), conheço muita gente que tem usado a internet como trampolim para expandir a criatividade; seja expondo os trabalhos, fazendo novos contatos e, sobretudo, tendo acesso a materiais que a grande maioria das pessoas sequer sabe da existência. Em todo canto do mundo, há muitos talentos brilhando e conquistando notoriedade, mesmo que ignorados pelas grandes mídias.

Não é preciso me esforçar muito para apontar alguns desses criativos anônimos que tanto me encantam nas redes sociais e torço para serem descobertos:

- Leandro Queiroz: formação como publicitário, é fotógrafo e faz registros lindíssimos do cenário urbano por onde passa. Pode ser visto no Instagram no perfil @queirozleandro

- Universos: página no Facebook que apresenta poesias. Produzido pela estudante de publicidade Julia Soresini.

- Palavra Muda: esse já é bem popular, com mais de 16 mil seguidores no Instagram. A proposta é fazer jogo de palavras. Em geral, o conteúdo costuma ser edificante.

- Leve Amor: projeto desenvolvido por alunos que cursam Publicidade, com a proposta de espalhar gentileza. Pode ser encontrado no Facebook.

- Teresinha Mazzei: minha prima. Artista plástica que usa elementos da natureza para produzir quadros. Sou fã. Suas obras podem ser vistas no Instagram, no perfil @terezinhamazzei.

É uma injustiça enumerar aqui, de supetão, os criativos que admiro. São muitos e nas mais diversas áreas. Na maioria, desconhecidos da multidão. Contudo, isso não faz do trabalho deles algo menor. Não mesmo. São artistas que influenciam, encantam e dão sentido a nossa existência. Sem a internet seria mais difícil apreciar as obras produzidas por eles. Felizardos são os que podem contemplá-los. Até porque, entre curtir foto de gente na praia em dia de prova ou de gente que faz da praia o cenário para expressar a sua arte, acho que nem preciso dizer qual opção compartilho. Preciso?

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