Criatividade e oportunidades: diferentes pontos de vista para uma mesma questão.

"O progresso se deve à criatividade, que nos permite ver as coisas de forma diferente”..... e esse progresso pode se aplicar ao próprio indivíduo, internamente. Em outras palavras, desenvolver a criatividade faz a diferença para o seu sucesso.

Em outro artigo tecemos reflexões sobre as transformações que surgem (e surgiram) nos vários campos do saber, transformações estas mais evidentes nesta nossa Era do Conhecimento e da Informação. Frente a essas mudanças constantes que na maioria das vezes refletem na mesma velocidade que a internet, o aumento da consciência e do conhecimento se faz necessário, tanto do mundo interno (de si mesmo) quanto do mundo externo, afinal, conforme seu mundo interno se expande, o mundo externo parece ter cor, brilho, textura, dimensões, movimento, som, enfim, o mundo externo se apresenta mais rico e vivo.

Assim sendo, surgi um paradoxo: “como mudar algo (pensamento, ações, objetos, conceitos, práticas, etc) se não vislumbramos as alternativas? Como pensar fora da caixa se não percebemos a caixa?” A criatividade responde bem a essa questão, que por sua vez se soma à proposta de Pensamento Complexo do sociólogo Edgar Morin.

No campo da criatividade, os psicólogos Mihaly Csikszentmihalyi (“nem me arrisco a soletrar! rs!”) e Edward de Bono são expressivos nas suas contribuições, descobrindo inclusive que é possível aprendermos a sermos mais criativos. Para Edward (1997, p. 81-82):

A mente coletiva e individual do homem, age como um sistema de padrões que cria ideias a partir da experiência. Uma vez criadas, essas ideias ficam mais firmemente estabelecidas e controlam nossa forma de ver as situações atuais e as novas experiências. As ideias são a lente através da qual vemos os fatos a fim de vermos as informações. [...]. Sem capacidade de desenvolvimento de padrões, a linguagem seria impossível. Entretanto, todos os sistemas de padrões exigem um método para romper um padrão estabelecido a fim de ver as coisas sob uma ótica diferente. Sem tal método, haverá apenas a continuação das antigas ideias, que se tornam cada vez mais obsoletas. Por isso, o progresso se deve à criatividade, que nos permite ver as coisas de forma diferente”.

Ele propõe, então, a metodologia do pensamento lateral: “a palavra lateral implica abandonar as formas estabelecidas de ver as coisas e procurar novas perspectivas. Essa atitude é uma busca não da melhor forma, mas de formas alternativas”. Para desenvolver atitudes criativas, ele propõe (De Bono apud Butler-Bowdon, 2012, p. 72-73):

  • Gere alternativas; mais escolhas;
  • Desafie pressupostos;
  • Crie um número predeterminado de ideias sobre um assunto;
  • Faça analogias entre situações aparentemente diferentes;
  • Inverta a maneira como está enxergando algo;
  • Suspensão de julgamentos; nutrir uma ideia o tempo suficiente para verificar se ela pode funcionar, mesmo que não seja interessante aparentemente.

Csikszentmihalyi menciona algumas características das pessoas criativas dos quais salientamos, resumidamente (Butler-Bowdon, 2012, p. 126):

  • Pessoas criativas bem-sucedidas tendem a ter duas coisas em abundância: curiosidade e empenho. Elas são completamente fascinadas por seu assunto e possuem o desejo claro por realizações como fator decisivo;
  • Pessoas criativas levam sua intuição a sério, procurando por padrões onde outras enxergam confusão, e são capazes de fazer conexões entre áreas distintas do conhecimento;
  • Ambientes inspiradores ou belos são melhores em ajudar pessoas a pensar de maneira mais criativa do que participar de qualquer palestra sobre “criatividade”;
  • Embora pessoas criativas possam sê-lo em qualquer lugar, elas gravitam em centros onde seus interesses possam ser atendidos mais facilmente, onde possam encontrar pessoas com ideias parecidas e seu trabalho possa ser apreciado.

Pensamento criativo sobre o próprio pensar, sobre as nossas percepções e sobre os nossos conceitos, é URGENTE e atemporal, ainda mais neste momento de crise ambiental, educacional, político, de valores, etc.

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REFERÊNCIAS

BUTLER-BOWDON, Tom. 50 grandes mestres da psicologia. Trad: Ok Linguística. São Paulo: Universo dos Livros, 2012.

O`CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolinguística: como entender e influenciar pessoas. Trad: Heloísa Martins-Costa. Ed. 5. São Paulo: Summus, 1995.

MATTA, Villela da; VICTORIA, Flora. Personal & Professional Coaching: livro de metodologia. São Paulo: SBCoaching Editora, 2014.

YUS, Rafael. Educação integral: uma educação holística para o século XXI. Trad: Daisy Vaz de Moraes. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Projeto da professora, escritora e Mestre Valéria Cristina Pereira: Círculo de Leitura.

Revista Nova Escola. Grandes pensadores. Edição Especial, nº 25, julho 2009. Editora Abril.

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