Criando uma realidade social

Hoje em dia podemos comparar as organizações com diversas esferas de posicionamento social e estipular padrões que acabam influenciando diretamente no desempenho das mesmas dentro de um determinado mercado de atuação.

Cabe a nós ressaltarmos os aspectos culturais organizacionais, explorando a ideia de que a organização é em si mesma um fenômeno cultural, variando de uma sociedade para outra e contribuindo para uma melhor compreensão das das suas próprias atividades.

Cultura é um conjunto de valores que norteiam o modo de pensar e comportar de uma sociedade. Tais valores são transmitidos através de rituais, cerimônias, linguagem e histórias que sofrem influências e se transformam ao longo do tempo. Cada organização tem em si mesma, valores culturais de acordo com a sociedade na qual ela está inserida.

Os administradores e teóricos passaram a observar a relação cultura/organização, a partir do momento em que o Japão, um país pequeno, com enorme população e sem recursos naturais, conseguiu sobreviver à Segunda Guerra Mundial e chegar ao topo da liderança do poder industrial, construindo um verdadeiro império. Diversos teóricos estudaram as razões deste grande desenvolvimento e a maioria deles, chegaram à conclusão de que a cultura japonesa foi a maior razão para a transformação que incluiu o país no âmbito das grandes potências mundiais. Os japoneses possuem uma cultura de qualidade e confiabilidade no mercado internacional e isto garantiu a eles um crescente reconhecimento mundial.

A cultura delineia o caráter da organização facilitando ou dificultando as atividades organizacionais. As crenças e as idéias que as organizações possuem de si mesmas, bem como daquilo que pensam fazer com respeito a seu ambiente, provocam uma mudança efetiva nos valores que guiam as ações organizacionais, influenciando na materialização de seus objetivos e na formulação de sua estratégia empresarial.

A cultura atende a duas funções importantes nas organizações: integração interna, que desenvolve uma identificação coletiva entre os seus membros e de adaptação externa, que se refere à forma como a organização alcança suas metas e lida com o ambiente externo, pessoas, instituições e outras empresas. Nas organizações modernas permanece a crença da racionalidade, focando o lado humano visto que o ambiente organizacional é uma extensão do ambiente pessoal, sofrendo modificações por diversos indivíduos ou organizações, alterando o ambiente de acordo com a atitude que têm perante ele.

Muitas vezes a organização impõe sua cultura aos seus subordinados, exercendo sobre eles uma influência ideológica, não conseguindo, porém, controlar a evolução cultural. Desta forma os administradores e teóricos reconhecem verdadeiramente que a natureza humana das organizações é construída em função das pessoas e não das técnicas.

A cultura, tanto na organização quanto numa sociedade mais ampla é uma prática social que sofre influências das pessoas, situações, ações e circunstâncias gerais, sempre em evolução, refletindo costumes de competição ou cooperação, dominância ou igualdade. A cultura pode ser considerada o mais importante fator entre o sucesso e o fracasso organizacional, sendo um processo contínuo de construção da realidade.

A metáfora da cultura apresenta forças e limitações, dentre os pontos fortes podemos destacar: os aspectos racionais da vida organizacional, a ênfase nas relações informais e na mudança organizacional e a compreensão de velhos estilos de maneiras diferentes. Dentre os pontos fracos enfatizamos a manipulação e o controle ideológico, e a compreensão da cultura de um modo fragmentado e superficial.

Compreender as organizações como culturas, é importante, mas não é provável, que os aspectos enfatizados nessa metáfora ofereçam uma “receita” fácil para resolver os problemas administrativos.

O contexto de culturas é decisivo nas organizações, a cultura não importa sua origem - japonesa, árabe, inglesa, canadense, francesa ou americana - ela define a natureza organizacional. Compreendendo os fatores culturais que configuram os indivíduos e as suas organizações, têm-se os meios para compreender importantes diferenças no comportamento organizacional. Por meio da cultura podemos distinguir, ou até diferenciar uma organização de outra semelhante.

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