Criadores de conhecimento

O ensino fundamental como fonte para o surgimento dos criadores de conhecimento e de novos empreendedores

O ato de pensar sempre foi o diferencial dos seres humanos. Contudo, hodiernamente, muitas vezes, parece ser algo obsoleto em nossas escolas (entenda-se ensino fundamental), fruto de um histórico sistema retrógrado.

Muitos dos adultos de hoje são apenas consumidores de ideias e não criadores de conhecimento.

Vejamos algumas sequelas deste sistema educacional:

A segmentação do ensino por matérias, ministradas de forma isolada uma das outras, sem interação.

Decorar tabuadas e tabelas periódicas, sem a devida compreensão e aplicação na prática, não subsiste no mundo contemporâneo. Por exemplo, vislumbramos a presença da matemática na música e nas ciências humanas como o Direito, a biologia no esporte, dentre outros.

Deste modo, a substituição das tradicionais matérias por “tópicos multidisciplinares”, históricos ou atuais, como a primeira guerra mundial, aquecimento global, faria do estudo algo mais prazeroso e menos abstrato.

Os alunos estudariam em casa os conceitos básicos de várias disciplinas como história, geografia, línguas estrangeiras, para assistirem e compreenderem, por exemplo, a aula sobre a “primeira guerra mundial”, a ser ministrada por professores das respectivas disciplinas, em conjunto, com maior interatividade e profundidade.

O foco, portanto, deveria estar no raciocínio e não na memória.

Conteúdos desconexos e sem fins práticos.

Matérias ou tópicos relacionados a finanças pessoais, empreendedorismo e línguas estrangeiras, são de suma importância como meio de integração social e profissional dos pequenos à vida adulta, em contraposição, aquelas aulas inócuas e demagógicas como a antiga “educação moral e cívica”.

Respeito às individualidades.

A padronização do ensino torna as crianças meros consumidores de ideias. Não há espaço para que cada uma delas se aprofunde em determinado estudo de sua preferência, vez que são agrupados somente conforme o critério etário.

As consequências são óbvias: inibição da criatividade, desprezo pelos estudos e analfabetismo funcional, pois os problemas da vida em sociedade não se resumem a uma simples resposta decorada tecida na avaliação escolar.

O agrupamento dos alunos conforme os interesses e necessidades comuns contribuiriam para o desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes, conforme a aptidão individual, prestigiando-se, assim, a originalidade, de modo a evitar o desperdício de talentos e a evasão escolar.

Não existe ciência absoluta ou mais importante.

Todas as disciplinas são importantes, não deve haver hierarquia entre elas, ainda que com base na tradição, porquanto elas não são absolutas, dependendo da interação com as demais para a compreensão das problemáticas contemporâneas, além de poder contribuir para uma sociedade mais pluralista.

A busca pelo resultado e não pela excelência.

Os alunos precisam ser estimulados a fim de que possam produzir o máximo do que absorveram de conhecimento. Obter a nota mínima para a aprovação de série não é motivo de satisfação.

As tradicionais avaliações escolares escritas não são o único método de testar o conhecimento e aptidão do aluno.

Premiações e publicações oriundas de trabalhos escolares prestigiam o mérito e a busca pela excelência, ajudando na formação de profissionais competentes no futuro.

A escola não é a única fonte de conhecimento.

A busca pelo conhecimento não se resume nos conteúdos de apostilas e aulas escolares.

As escolas, nos dias atuais, muitas vezes, se limitam apenas a preparar os alunos para a aprovação em vestibulares ou ENEM.

Contudo, não deve ser o único objetivo destas instituições. A nosso ver, a sabedoria deve estar no meio.

A vida escolar é finita. A era do conhecimento está apenas começando.

Assim sendo, o cotidiano escolar deve incentivar as crianças e adolescentes a buscarem conhecimento fora das fronteiras da escola.

O medo de errar.

Os erros cometidos nas provas escritas não devem punir/intimidar o aluno, e sim, ajudá-lo na busca do aperfeiçoamento, com trabalhos pedagógicos específicos, respeitando as individualidades, conforme dito acima. O erro faz parte do aprendizado.

Observa-se, com a análise dessas sequelas, a necessidade de revermos o sistema educacional pátrio, eivado de ideologias políticas estranhas a pedagogia.

O acesso ao conhecimento é à base do desenvolvimento e do progresso científico, cultural e econômico de um país. Não é um meio de opressão. Ideologia em demasia nos torna pessoas medíocres.

Com amparo nessas premissas, à formação dos menores deve se pautar no incentivo e amplo acesso ao conhecimento das mais diversas áreas, sem distinção.

Como dissemos, o conhecimento gera prosperidade e não opressão. O prestígio deve focar na originalidade dos criadores de conhecimento e não dos consumidores de ideias.

Deste modo, incutiria nas mentes ainda em formação um ambiente de valores como a prosperidade, empreendedorismo e a meritocracia com o intuito de, no futuro, criarem riquezas, investirem em produtividade e produzirem o progresso material que atendem as necessidades e anseios comuns.

Assim sendo, propiciaria um campo fértil para os frutos: cidadãos críticos, conscientes, proativos, livres, participativos, empreendedores e protagonistas da própria história e para o futuro próspero de um país.

Em suma, são apenas ideias, valores, sementes para a transformação do status quo educacional que, não obstante as dificuldades para serem implementadas, de forma objetiva e prática, não seja desanimador, a fim de que cada um de nós, governantes, governados, educadores e pais tenham em mente o pensamento de São Francisco de Assis: “Comece a fazer o que é necessário, logo estarás fazendo o possível... e, perceberás que estarás fazendo o impossível...”.

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