Crescimento econômico nas mãos do Governo?

Após as eleições deste ano, o presidente Lula começou a se revelar extremamente preocupado com o crescimento econômico do país, talvez por ter finalmente percebido que, como disse Vinícius Freire [1], "Lula 1 perde até para FHC2". E, talvez seguindo a sugestão de Alckmin, de que o Presidente da República deve chamar responsabilidades para si, Lula afirmou recentemente, usando seu português peculiar: "E não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer." [2]. Não sei se é apenas curioso ou realmente assustador que um governo que ocupou o Planalto nos últimos quatro anos ainda não saiba do que o país precisa para crescer. E não sei se é apenas curioso ou realmente assustador que a resposta da pergunta de meio trilhão de dólares esteja nas mãos de Lula. Em um país realmente liberal, a resposta seria simples: laissez faire, laissez-passer, Monsieur President. Controlem a oferta de moeda, tributem moderadamente, fiscalizem e deixem as empresas em paz. Mas isso é exigir demais de um governo que não admite saber dos aumentos da gasolina por meio dos jornais. A resposta de Lula, seja qual for, provavelmente será no tom centralizador e estatizante do qual o PT não consegue fugir. Parece haver um consenso junto ao governo atual de que o crescimento do país depende muito do setor público e pouco do setor provado. Contudo, Franco [3] mostra claramente que é o contrário que ocorre. O crescimento econômico depende do investimento, ou, em outras palavras, da Formação Bruta de Capital Fixo FBCF. Nos tempos do milagre brasileiro, o governo contribuía com 12% do PIB para o FBCF, e o setor privado contribuía com 16%, somando 28% do PIB. A partir de 1988, com a decisão constitucional de se manter o Estado como fornecedor de uma grande rede de proteção social, a participação do governo no FBCF foi diminuindo, chegando aos atuais 1% do PIB atuais, com o setor privado contribuindo com 19% e somando meros 20%. Compare-se esse valor ao FBCF dos países asiáticos emergentes, em torno de 35% do PIB, e a razão do nosso atraso fica evidente: o governo não investe, pois está constitucionalmente amarrado a obrigações sociais, e não deixa a iniciativa privada investir, seja por razões ideológicas, seja por razões tributárias e burocráticas. A despeito disso tudo, no momento é claro o desejo de Lula em manter o Estado como grande investidor, atuando em setores onde a iniciativa privada poderia atuar de maneira muito mais eficiente. No último dia 22, por exemplo, Lula afirmou ter intenções de transformar a Eletrobrás em uma Petrobras do Setor Elétrico [4]. Roberto Campos deve estar se revirando no túmulo. [1] FREIRE, Vinícius Torres. Lula 1 perde até para FHC 2. Folha de São Paulo. 19 de novembro de 2006. [2] FOLHA DE SÃO PAULO. 23 de novembro de 2006. [3] FRANCO, Gustavo H.B. Crescimento? É com o mercado. Revista Época. 11 de novembro de 2006. Disponível em [4] AGÊNCIA BRASIL. Lula determina que se achem meios para a Eletrobrás captar recursos. 22 de novembro de 2006. Disponível em .
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