Coxinha x Petralha ou Eu não sei nada do que estou falando...

Estamos vivendo, desde 2013, mais ou menos, um evento novo no país. Algo que todo cidadão pleno e preocupado com as questões nacionais sempre desejou: todos os brasileiros aceitam falar de política e o fazem de modo muito participativo. Soa como a concessão de um desejo antigo.
Mas não é!

O problema de tudo que vimos no país nestes últimos anos, nesta questão, é que esse movimento "politizado" é superficial. Parece que os jovens estão preocupados com a política, parece que o brasileiro finalmente entende de politica, mas não entende. Estamos, na verdade, vivendo um momento que chega a ser perigoso. É como se uma pessoa falasse de física quântica com propriedade apenas por ter visto a capa de um livro sobre o assunto.

Fora os comentários “politizados” que são quase sempre em tom de deboche, os outros, mais sérios, são vazios e infundados. Frequentemente uma indignação popular se baseia em um boato, num vídeo feito por um anônimo qualquer que cospe centenas de palavras absurdas, algumas vezes sendo até racistas e preconceituosos, ou numa montagem qualquer espalhada na internet.

Se alguém que tenha um conhecimento um pouco mais fundo que a superfície entra no debate, logo a discussão termina com as pessoas visivelmente contrariadas ou então os argumentos de sempre vêm à tona: “você é um petralha!”, “sai daí seu coxinha!”, “tu deve ser do partido deles”. Nada errado em usar esses termos numa conversa sem compromisso, mas não espere que isso sirva de argumento em uma conversa séria. Se a discussão sobre o Brasil chega ao ponto de Coxinha x Petralha, é sinal de que o argumento útil acabou-se, a conversa virou zoeira e seria melhor ter ido ver o filme do Pelé.

É difícil também esperar mais do que o raso de quem se alimenta sempre das mesmas fontes de informação. Se você assina páginas do Facebook identificadas com “A”, você nunca verá o contraponto, pois o trabalho da página “A” é mostrar que “A” é melhor e que “B” não serve pra nada. E vice-versa. Tem pessoas que só leem os sites do seu partido e pensam que assim podem ficar prontos para um debate interessante. Não podem!

É uma questão lógica. Se você só se informa por um canal – identificado ou não – seus argumentos serão no máximo para contrariar o que o outro disser. Acho muito importante assinar feeds de políticos diversos, mesmo daqueles em quem você jamais votaria. Seria um exercício muito válido para as pessoas conseguirem contrapor ideias consigo mesmas, reverem conceitos, confirmarem ideias, etc.

Não faremos um Brasil melhor enquanto nos apegarmos no senso comum, nas montagens de Facebook, ou nos vídeos do WhatsApp. Saber buscar a informação na diversidade é um passo fundamental para enriquecermos nossas ideias e nossa visão de país e, aí sim, contribuirmos com uma discussão mais saudável e produtiva sobre o futuro da nação, formando, quem sabe, lideranças mais preparadas e competentes dos que estamos habituados a questionar e reclamar em nossas conversas cotidianas.

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