Café com ADM
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Corrél

Compra a verdade e não a vendas; compra a sabedoria, a instrução e o entendimento. (Provérbios 23:23) A idéia do curso de computação gráfica era exatamente fazer jus ao nome “Élève”, que, traduzido do francês para nossa língua significa aluno. Consiste de uma técnica, onde o instrutor, após desinibir a turma, atua como aluno, recebendo aula dos próprios colegas, que de forma monitorada, ensinava uns aos outros. Brindes, e brincadeiras, tornavam o ambiente agradável e por demais produtivo. -- Amigos, eu estou aqui parra aprender a melhor maneira de desenhar com o “Corrél”. Era assim que a linda suíça Marguerite, chamava o Corel Draw. E, por saber que fazia sucesso com o sotaque, mesmo quando ministrava treinamento de outros softwares, não tinha jeito, era conhecida de todos como “Corrél”. -- Faremos um intervalo agora de 15 minutos. Todos vocês receberão um refrigerante. Aconselho que bebam e tragam a lata vazia para a aula, pois será o objeto fundamental de nossa próxima tarefa – disse Marguerite. Todos estavam impressionados com a complexidade, a quantidade de passos necessários para se chegar à conclusão do desenho de uma lata de refrigerante, que prosseguiu por três dias, perfazendo um total de 12 horas para que, efetivamente fosse possível passar o conhecimento do interessante desenho gráfico. -- Olá, disse Marguerite. Estão vendo como é fácil trabalhar com o Corrél! A grande vantagem, é que a partir de hoje vou à forra, vou ser a “Élève”. Vocês, irão me ensinar o próximo desenho. A aluna Maria Aquarela, não conseguiu aguardar em silencio a surpresa da sala, nesse quarto dia e perguntou: -- Corrél. Você pode dizer por que todos os alunos, estão com uma caixa de bombom na escrivaninha? -- Belíssima pergunta. Agorra é que a aula vai começar. Até a lata eu ensinava. Aquarrela, venha até meu computador desenhar a Caixa de Bombom, enquanto eu bebo o refrigerrante na lata que vocês desenharram. Os alunos terminaram de fazer a Caixa de Bombom e desenharam o certificado do curso, totalizando 28 horas de treinamento prático e interativo. -- Não esqueçam de um macete que vou passar para vocês. Quando forem procurar um emprego, desenhem antes de qualquer coisa um produto, ou embalagem da empresa, assim estarão demonstrando aptidão para trabalhar lá, tendo mais chance de serem selecionados. O leitor pode dizer: é tudo muito bonito, mas teoria sai de graça, não custa dinheiro. -- É? Vamos analisar os custos e o lucro? • Valores em Reais • Curso 350,00 • Despesas • 7 Refrigerantes 5,60 • 2 Caixas de Bombom 6,00 • Pasta 3,00 • Esferográfica 2,00 • Bloco de Anotações 2,00 • Apostila 3,00 • Livro* 1,40 • Soma 22,00 • Custos Administrativos 60,00 • Outras Despesas 40,00 • Comissões 35,00 • Soma 135,00 • Total de Despesas 177,00 • Lucro por aluno 173,00 • Turma com 20 alunos 3.640,00 O valor do livro, refere-se a 1/20, pois é sorteado um exemplar entre 20 alunos. -- Percebeu, pode ser feito um bom trabalho com um gasto adicional de apenas R$ 22,00. Gostou? -- Palmas para Escaleno. Acabou de ganhar o sorteio do meu livro “Corel para Você”! -- Receba cada um, sua última caixa de bombom. Se tiverem gostado do chocolate, pode se matricular no “Photo Shop”, meu próximo curso, para esse horário – disse com um belo sorriso, a simpática “Corrél”. E continuou: -- Sejam humildes, não dizendo que têm conhecimento disso ou daquilo. Em lugar de falar, demonstrem suas habilidades. Não queiram jamais dar uma de mestre, para não ouvirem aquela frase: “sebosa mandou lembrança”. Mostrem, durante todo o tempo, uma vontade muito grande de querer aprender sem cessar. Reciclem-se, atualizem-se. Desenho é um assunto sem fim. Por exemplo: alguém aqui sabe desenhar um avião? -- Preferimos desenhar o bolo com várias camadas. Disse Rachid, um aluno bem quietinho. E, olhando para a porta, em cumplicidade com a recepcionista, fez um aceno. As luzes foram apagadas e a turma começou a cantar parabéns. Sebastién e Louise, esposo e filha de Marguerite estavam entrando para pegá-la. Deflagra-se uma festa. Agora com as luzes acesas, o projetor exibia o nome Corrél, sobre um bolo desenhado pelos alunos. O gesto dos alunos, a presença de Sébastien e Louise desarmara a montanha, que agora exibia sua fragilidade. Todos puderam ver a face muito rubra, os olhos vermelhos e a simpatia de sua professora. Muito atentos à sua boca, aguardavam algum som que esta pudesse produzir. Respirando fundo, e, com o rosto mais ainda aformoseado, de tão feliz, esforçando-se para vencer a timidez que agora a invadira, finalmente encontrara o vocábulo que servisse para encerrar o curso: -- Obrrigada! Uma voz de criança que estava aprendendo a falar, encerrou a reunião. Era Louise no braço de seu pai. Tirara a chupetinha e chamava assim sua mãe: -- Corrél.
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