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CONTRATANDO OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Dos momentos que mais afligem o advogado, podemos apontar dois: quando ele precisa deci-dir qual valor irá cobrar do seu cliente para a realização de determinado serviço e quando ele precisa cobrar o recebimento de tal valor. Essa aflição se deve, em muito, pela falta de uma política bem definida de cobrança de honorá-rios dentro do escritório. Isso faz com que o advogado se sinta inseguro na hora de dizer o pre-ço do seu trabalho, e esta insegurança acaba sendo passada ao cliente sem que o advogado perceba. Assim, de duas uma, ou ele fica conhecido na praça como careiro, ou com o passar do tempo percebe que está pagando para trabalhar. Buscar uma remuneração justa é o gran-de desafio. Para chegar a uma definição clara do como e quanto cobrar é preciso que o advogado analise: 1) Os serviços que oferece, como por exemplo: contencioso de maior valor agregado cau-sas com grandes fortunas envolvidas, de alta complexidade, de grande impacto para o cliente; contencioso de massa causas de menor valor agregado, mas em grande volume para um só cliente (consumidor, trabalhista); consultoria estudos, elaboração de contratos, análise de contratos, pareceres, consultas, acompanhamento empresarial. 2) Os custos para a realização dos serviços, como por exemplo: despesas diretas com advogados (remuneração, encargos, benefícios, treinamento) e com estagiários (bolsa auxílio, benefícios, treinamento); despesas operacionais com pessoal administrativo (salários, encar-gos, benefícios), de ocupação (aluguel, condomínio, taxas), financeiras (tarifas bancárias, CPMF), tecnológicas (softwares, hardwares, manutenção), gerais (energia, telefone, correios, manutenção, material de escritório) e biblioteca (aquisição de livros, jornais, revistas); despesas com relações públicas participação em câmaras e associações, presença em eventos de terceiros, almoços e jantares com clientes, viagens, assessoria de imprensa, promoção de e-ventos. 3) O perfil dos clientes do escritório, como por exemplo: pessoa jurídica empresa multina-cional, empresa de médio porte, micro-empresa; pessoa física com grandes fortunas, traba-lhadores, aposentados, classe média. 4) Os tipos de cobrança que podem ser utilizados e para que tipos de casos, como por exemplo: partido fixo mensal com limite de horas, fixo mensal para consultoria sem conten-cioso, valor fixo por ação por mês (contencioso de massa); por hora para consultoria, para acompanhamentos a reuniões, para casos especiais; ad êxito percentual sobre o valor da causa no final, com ou sem fixo mensal; sucumbência. 5) O grau de utilização dos advogados e de produtividade do escritório. Isso somente pode ser verificado se o escritório utilizar timesheet, onde cada advogado anota o tempo traba-lhado para cada cliente e/ou caso. Ao final de um período determinado será possível verificar quantas horas efetivamente foram gastas para prestar os serviços. 6) A margem de lucro que se pretende obter, lembrando que [Lucro = Receita Despesas], e que nos escritórios de grande porte a margem de lucro líquido gira em torno de 20%, e nos escritórios menores chega a ser em torno de 30 a 40%. Com essas informações nas mãos, fica mais fácil estabelecer um patamar para a cobrança de honorários, o qual pode ainda conter valores agregados como a experiência e renome do ad-vogado ou do escritório, o porte do escritório, a especialização, a complexidade do assunto, etc. Quanto mais alta for a especialização, quanto mais experiente for o advogado, maior será o valor dos serviços por ele prestado. Outra questão importante a ser definida é a forma de faturamento dos honorários. Muitos escri-tórios ainda utilizam sistemas que lhes dificulta o recebimento, como a emissão de notas pro-missórias e duplicatas, ou até nem isso. É preciso aproveitar as facilidades da tecnologia ban-cária e adotar uma forma de cobrança por boleto bancário, por exemplo. Outra providência que facilita o trabalho do advogado na administração do escritório é unificar as datas para fecha-mento do faturamento e encaminhamento das notas de honorários e das notas de despesas reembolsáveis (tais como, ligações telefônicas, cópias, etc.). É também muito importante que a contratação de honorários seja feita somente por sócios do escritório. São eles que devem atrair para si essa responsabilidade. Os advogados associados e até, porque não, os estagiários podem trazer os clientes, mas na hora do fechamento e da assinatura do contrato (sim!! contratos de honorários devem ser formalizados!!) a conversa é com os sócios. Após a contratação, uma cópia do contrato deve ser encaminhada ao setor fi-nanceiro para controle das contas a receber. Em suma, quanto mais informações o advogado tiver sobre as características de sua advocaci-a, de seus clientes e suas metas financeiras, mais fácil será estabelecer a política para contra-tação dos honorários e inclusive reavaliar os contratos vigentes buscando seu reequilíbrio fi-nanceiro. Mãos à obra!!
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